Depois da festa, jurei a mim mesma que não o veria por uns dias. Mas juras, nessa casa, são inúteis. Na manhã seguinte, uma empregada apareceu na porta do quarto com um bilhete em papel grosso, a caligrafia firme e arrogante. Jantar. Oito da noite. Sala de vidro. Compareça. — Leonardo. Sorri, amarga. “Compareça.” Nem um “por favor”, nem uma explicação. Apenas mais uma ordem, como se eu fosse uma funcionária que ele pudesse demitir quando quisesse. Passei o dia inteiro evitando pensar no jantar. Mas o relógio não perdoa. Às sete e cinquenta e nove, desci as escadas, vestida de preto. Sem joias. Sem maquiagem. Apenas eu — e o orgulho ferido. A sala de vidro estava iluminada por velas, e o aroma do vinho pairava no ar. Leonardo já me esperava à mesa. Camisa branca, mangas dobr

