O som do vidro estilhaçado ecoou pela mansão como um tiro. Por um segundo, o silêncio se transformou em medo — e o medo, em raiva. Desci as escadas com o coração acelerado, o corpo inteiro tremendo, mas a voz firme. Ele estava lá, de costas, diante do bar. O whisky escorria pelos dedos, o chão coberto de pedaços de cristal. Parecia um homem tentando se afogar no próprio orgulho. — Quebrou o copo ou o resto que ainda sobrava da gente? — perguntei, fria. Ele se virou devagar. Os olhos vermelhos denunciavam a ressaca emocional. — Não começa, Isabella. — Eu não comecei nada. Quem começou foi você, quando decidiu que o silêncio era mais fácil do que olhar pra mim. — Você quer discutir agora? — Não. Quero que me ouça. — Cruzei os braços. — E dessa vez, você não vai me calar. Ele riu

