Sete meses. Quando ouvi o médico dizer essa frase, percebi que o tempo passou — e eu sobrevivi a cada dia. Sete meses de uma gestação que não foi só do corpo, mas da alma. De uma mulher que aprendeu a respirar sozinha, a dormir com o silêncio e a não esperar o som de passos no corredor. A barriga cresceu, e junto com ela, o espaço dentro de mim pra recomeçar. O bebê se mexia com mais força, como se lembrasse todos os dias que a vida ainda pulsava, mesmo quando o amor parecia adormecido. A rotina virou um ritual. Acordar cedo, caminhar pela varanda, preparar o café, responder e-mails. Eu tinha voltado a trabalhar remotamente para uma empresa de design — nada comparado à antiga vida de luxo, mas era minha. Cada tarefa era um lembrete de que eu ainda sabia quem era, mesmo depois de t

