Dormi m*l. Ou melhor, não dormi. Passei a noite inteira revirando cada palavra, cada toque, cada olhar daquela maldita noite. O vinho ainda queimava na garganta, mas o que mais queimava era o que veio depois. O beijo. Aquele beijo. Não devia ter acontecido — e, ainda assim, foi o que mais desejei desde que entrei nessa casa. Amanheceu chovendo. O som da água batendo nas janelas era o mesmo da noite passada, como se o mundo insistisse em repetir o que eu tentava apagar. Vesti uma blusa leve, calça escura e prendi o cabelo num coque apressado. Não queria vê-lo. Não queria nem ouvir o nome dele. Mas o destino, c***l como sempre, não me dava escolha. Ao descer, o encontrei na sala, de camisa branca, as mangas dobradas, o café na mão. Sereno, como se nada tivesse acontecido. — Bo

