Acordei com a luz suave da manhã filtrando pelas cortinas. Por um instante, esqueci onde estava. O cheiro de antisséptico, o bip contínuo da máquina e a frieza dos lençóis me lembraram logo depois: hospital. Tentei me mover, mas o corpo pesava. Cada músculo parecia feito de vidro, e a cabeça latejava num ritmo estranho. O coração, no entanto, batia firme. E quando toquei o ventre, senti o movimento — leve, sutil, mas real. — Oi, meu amor… — sussurrei, a voz rouca. — A gente conseguiu. As lágrimas vieram antes mesmo que eu pudesse conter. De alívio. De medo. De gratidão. Então ouvi. Uma respiração ao meu lado. Baixa. Constante. Virei o rosto e o vi. Leonardo estava ali. Sentado na poltrona, o corpo curvado pra frente, as mãos entrelaçadas, a barba por fazer. Dormia com o r

