Dante estava de volta. Ainda era madrugada quando o carro atravessou o portão da mansão, o motor rugindo baixo na imensidão silenciosa da propriedade. Decidiu voltar naquele horário justamente porque sabia que Helena estaria dormindo. Seria mais fácil assim. Ou, pelo menos, foi o que tentou convencer a si mesmo. Mas, mesmo sem ela ali o encarando, ainda estava sendo difícil. O silêncio da casa era sufocante. Suspirei enquanto abria a porta e observava os cantos escuros da sala. Antes, quando chegava em casa, via apenas escuridão. As sombras pareciam minhas companheiras fiéis, e o silêncio, um conforto. Mas agora... Agora a casa tinha Helena. E era como se cada canto guardasse um pedaço dela: o som leve dos passos, o rastro do perfume, o eco da risada que se tornara raridade. A

