Ele estava lá, debaixo de uma árvore, parado como uma sombra sólida no meio do caos. O vento frio balançava as folhas acima de sua cabeça, mas nada o movia. Não desviava o olhar, não piscava, não respirava, apenas me encarava como se aquele fosse o último olhar que me direcionaria na vida. Como se, depois dali, nada mais fosse existir para nós dois. Senti meu corpo se mover antes mesmo de perceber. Corri com todas as minhas forças, pisando na terra úmida como se precisasse alcançar ele antes que o mundo desabasse. Parei quando cheguei perto o suficiente para ver cada detalhe de seu rosto, e então meu coração errou uma batida. O olhar dele não era o de Dante que eu conhecia. Não era o homem tenso, duro, frio. Era calmo. Sereno. Quase… resignado. Como se tivesse aceitado um destino trágico

