A semana passou rápido e logo chegou o sábado, tão aguardado por eles.
Assim que Ronaldo chegou, perguntou:
- Já tem uma resposta?
- Tenho. Pode trazer as tuas coisas, que vamos tentar de novo, mas quero deixar claro que não vou perdoar outro deslize. Se tornar a acontecer, não adianta se arrepender e pedir pra voltar. Fui clara?
- Não vai acontecer de novo, mesmo que você tenha mais dez filhos.
- Deus me livre. Já estamos com o suficiente. Vai trazer suas coisas quando?
- Hoje mesmo. As crianças já sabem?
- Mais ou menos. Eu falei que talvez você voltasse a morar aqui.
- Porque você disse talvez?
- Porque você poderia ter mudado de idéia.
- Nunca. A única coisa que está me preocupando é minha mãe. Ela insiste em terminar seus dias sozinha. E muito nova ainda, mas se recusa a arranjar um companheiro para dividir a vida com ele.
- É que ela já se acostumou.
- Aí é que está. Ela me disse que nesse tempo que fiquei com ela, ela gostou de ter companhia e agora estava querendo contratar uma empregada desconhecida, para dormir em casa.
- É perigoso.
- Foi o que eu disse. Ela ficou de chamar então, uma de suas amigas que também ficaram viúvas cedo, mas até agora, não me disse mais nada.
- É que ela mesma disse que não gosta muito de crianças, por isso teve um filho só. Senão podia morar com a gente.
Aí não daria certo. Além das crianças, lá a casa é dela e é ela quem manda. Aqui a casa e sua. Ela não ia gostar de perder a autoridade.
- Não poderíamos chegar num acordo?
- Acho difícil. Ela é autoritária. Por muito tempo, comandou a vida dela, sem ter que dar satisfação a ninguém.
- Tomara que ela arranje então essa amiga. Quer dar mais uns dias pra mudar?
- De jeito nenhum. Vou agora mesmo buscar as minhas coisas. Vou aproveitar que as crianças ainda não acordaram.
Ronaldo deu um beijo em Rosângela e voltou para a casa da mãe para pegar as suas coisas.
Quando chegou, Helena estava com visita. Era uma senhora mais ou menos da mesma idade dela. E Helena estava convidando a amiga, para vir dividir a casa com ela.