Após algumas horas internada no hospital que Júlio e a irmã trabalhavam, Mirella teve seu primeiro filho.
Ficou emocionada a ouvir o choro de seu bebê. Adriano havia assistido o parto e se emocionou junto com ela. Na recepção estavam seus pais que foram avisados, Dirce e Milena. Júlio estava de folga. E como tinham duas crianças pequenas em casa, não tinham sido avisados ainda. O bebê tinha nascido nas primeiras horas da madrugada e aguardaram amanhecer para dar a notícia.
Todos estavam muito contentes.
Com o conhecimento de Milena, todos conseguiram ver a nova mamãe, entrando um de cada vez e podendo ficar poucos minutos com a paciente. Depois de todos já terem visto a mãe, foram ver o bebê no berçário. Era um lindo menino que tinha herdado os olhos verdes do pai.
Mirella precisava descansar e todos foram pra casa. Ela já deveria ter alta na manhã do dia seguinte e Adriano queria montar o berço para a chegada do filho. Dirce sabia que a família estaria toda reunida na casa de Dona Nora e foi lá dar a notícia:
- Mirella teve um menino.
Todos deram parabéns a avó, mas era claro que os mais emocionados eram Júlio e Berenice.
Berenice perguntou:
- Quando ela vem pra casa?
- Amanhã de manhã.
Júlio falou logo:
- Eu tenho plantão amanhã.
- Antes de ir para o hospital, você me traz com as crianças e de noite vem me buscar. Quero ficar com ela o dia inteiro, como ela ficou comigo, quando Henrique nasceu.
Júlio concordou:
- Está bem. Eu trago vocês.
Dirce perguntou:
- Mas você quer trabalhar?
- Não Dirce. Vou cuidar da minha amiga e se você não sabe, a intenção da Mirella quando cuidou de mim, também foi de ajudar. Nós é que insistimos que ela recebesse. Além de que podemos pagar, ainda vocês não tinham uma situação tão boa quanto tem hoje, mas antes de tudo, somos amigas e muito gratos por tudo o que a sua filha faz por nós. Ela vai muito além do que manda a ocupação que tem.
- Fico agradecida e honrada. Vou deixar a comida pronta pra vocês.
- Por favor, continuo sendo uma negação na cozinha.
Assim combinados, Dirce voltou para casa e contou para Adriano a conversa que teve com Berenice e que ela fazia questão de vir ajudar Mirella, nos primeiros dias.
Adriano ficou emocionado com a demonstração de carinho do casal pela esposa. Se sentia muito privilegiado em pertencer aquela família que se amava tanto.
De tarde, receberam a visita de Sérgio que foi abraçar o amigo e avisar a ele que ele tinha direito a cinco dias de licença pelo nascimento do filho e que começaria a contar no dia seguinte, só tendo que comparecer no escritório na Segunda-feira feira da outra semana.
Adriano não conhecia esse direito e ficou muito feliz em ficar para auxiliar a esposa. Falou com a sogra:
- Então não precisa deixar nada pronto. Eu faço a comida.
Dirce perguntou:
- E você sabe cozinhar?
- Claro, esquece que eu morei sozinho por sete anos?
- Tá bom, vamos experimentar esse teu dom.
No dia seguinte, Adriano foi cedo para o hospital, mas Mirella ainda não tinha recebido alta. O médico ainda não havia passado para assinar e o bebê já estava com a mãe. A alta só foi assinada pouco depois das nove horas. Júlio que não estava com nenhum paciente agendado, foi levar o casal em casa. Berenice já estava aguardando a chegada deles. Dirce havia aberto a casa pra ela antes de sair para o trabalho.
Berenice tratou de acomodar Mirella, e tratou da amiga do mesmo jeito que fora tratada por ela.
Mas Mirella era mais agitada que a patroa e queria levantar e fazer as coisas.
Berenice anunciou:
- Não há nada a ser feito. As crianças estão na sala distraídas com a televisão e Adriano está fazendo o almoço.
- O Adriano?
- Porque se espanta? Ele morou sozinho muito tempo.
- Mas fazia as refeições na rua.
- Porque não gostava de cozinhar só pra uma pessoa. Segundo ele disse, cozinha muito bem.
Na hora do almoço, provaram e aprovaram a comida do rapaz. Para a esposa, Adriano havia feito uma sopa caprichada e para os dois uma costela com batata e agrião que estava de repetir. As crianças já tinham sido servidas. Depois do almoço Adriano lavou a louça e limpou a cozinha. Depois foi paparicar a esposa.
Adriano perguntou:
- Que nome vamos dar ao nosso bebê?
- Queria fazer uma homenagem a uma pessoa que muito fez por todos nós.
- Quem?
- Seu Paulo, o pai do Sérgio.
Berenice aprovou:
- É verdade. Toda a família gosta muito dele.
Adriano respondeu:
- Vou ao cartório fazer o registro.
Pegou os papéis do Hospital e os documentos do casal, porque não sabia o que precisava levar, e saiu.
Voltou no final da tarde com a certidão de Paulo na mão.
Mostrou a todos e quando Seu Paulo soube, veio agradecer a homenagem.
Depois que foi embora, Adriano comentou:
- A casa dele continua fechada. Tá perdendo dinheiro. Se não quer alugar, porque não coloca a venda?
Dirce concordou:
- É verdade. Mas eu não vou perguntar mais nada. Já me ofereci até pra prestar atenção, se ele alugasse em qualquer movimento estranho avisar, e o Sérgio também mora aqui perto. Não convém a gente perguntar mais.
- Tem razão, mas é triste ver uma casa tão boa, vazia. Ele podia vender, já que não quer alugar.
Mudaram de assunto e passaram a falar de Paulinho.
Berenice veio todos os dias ajudar Mirella, mesmo sabendo que ele estava em casa.
Agradecia muito o carinho de todos. A noite, quando Paulo chorava, Adriano era o primeiro a levantar para atender.
Procurava ir rápido para não acordar a sogra.
Mas muitas vezes enquanto Mirella estava amamentando, a mãe entrava no quarto pra verificar se estava tudo bem. Ficava até o bebê acabar e adormecer e depois de Mirella colocar para arrotar o menino dormindo, Dirce ia colocar ele no berço de novo.
Ela também sentia prazer em cuidar no neto, já que passava o dia inteiro fora.
Mas nem pensava em sair da casa de Seu Jair, onde era muito bem tratada e ganhava um salário que não conseguiria em lugar nenhum.
Depois que foi para aquela casa que tudo na sua vida mudou.
Podia dizer que de pobre, tinha ficado rica. Com duas casas, sendo uma alugada, conta alta no banco e um salário tão bom que todos os meses não gastava quase nada dele. A pensão do falecido marido somado ao aluguel que recebia, supria todas as suas necessidades. Assim todo o dinheiro que ganhava no trabalho estava sendo guardado.
Já tinha o suficiente para que se Seu Paulo colocasse a casa a venda, comprar sozinha. E não se privava de nada. Tinha roupas e calçados novos e comia e bebia o que tinha vontade. E quando se aposentasse, o faria bem. Seu Jair registrava tudo em carteira e pagava seu INSS.
Não teria mais preocupação financeira pelo resto de sua vida.
E as filhas também tinham tido sorte. Tinham bons empregos e maridos excelentes. Tanto Jairo, quanto Adriano eram trabalhadores e honestos. E os dois tinham situação financeira definida. Jairo uma situação melhor que a de Adriano, mas o suficiente para deixar a mulher tranquila. E depois era muito estimado no trabalho e não corria risco de ficar sem ele.
Na Segunda-feira seguinte, Adriano chegou no trabalho e foi felicitado por todos os colegas. Recebendo presentes de todos. As colegas que tinham dado em cima dele, já tinham superado e deram presentes também. A maioria tinha dado pacotes de fraldas, já que não tinham feito chá de bebê. As moças do escritório, os ajudaram a comprar. Apesar da maioria já ser pai, mulher é melhor para escolher esse tipo de coisa. Sérgio tinha comprado um enxoval completo para a criança, porque além de ser amigo, padrinho de casamento e concunhado do rapaz, ainda era muito agradecido a homenagem que haviam feito ao seu pai.
Avisou a Adriano:
Hoje eu te levo em casa. Se não couber tudo no carro a gente leva o resto amanhã.
As coisas couberam, mas tinha pacotes pelo banco de trás, no chão do carro e no porta malas. E ainda havia dois no colo de Sérgio e quatro no de Adriano.
Sérgio comentou:
- Acho que pra esse filho, você não vai ter que comprar mais fraldas. E é capaz de sobrar alguma para o próximo.
- Que nada, gasta muita. Mas terei o maior prazer em comprar quando essas acabarem.
Sérgio riu.
Quando chegaram, Sérgio ajudou a descarregar o carro e até Berenice veio dar uma mão.
Berenice perguntou:
- Pra que você comprou tudo isso.
Adriano respondeu:
- Não comprei nenhuma. Ganhei de presente dos colegas do escritório.
- Eu sabia que era um escritório grande, mas não imaginava que fosse tanto.
Sérgio explicou:
- Temos ao todo quarenta e sete empregados. Além do pessoal do escritório, tem os seguranças, os copeiros e cozinheiro com três ajudantes, o porteiro e o manobrista.
- É muita gente.
Adriano falou:
- E cada um não deu somente um pacote.
Berenice perguntou?
- E tudo do mesmo tamanho?
- Não, foram as moças que organizaram e distribuíram nós três tamanhos existentes: P, M e G.
Explicou Sérgio.
Berenice exclamou:
- Ainda bem! É capaz de ainda sobrar fraldas para o próximo.
Sérgio riu e declarou:
- Eu disse isso, mas ele falou que gasta muita.
Berenice:
- Pode acreditar. Pro Paulinho você não vai ter que comprar mais nenhuma fralda e vai sobrar para o próximo.
Depois de ajudar a descarregar tudo Sérgio se despediu e foi pra casa.
Adriano e Berenice foram mostrar para Mirella os presentes que haviam recebido dos colegas de trabalho de Adriano.
Mirella sorriu satisfeita e agradecida.
Berenice deu uma sugestão. Podemos arrumar tudo naquele quarto que está vazio. A gente compra um guarda roupas grande que já fica para o quarto quando precisar.
Adriano pensou e falou:
- Mas, e se depois a gente precisar do quarto e o guarda roupa não combinar com a decoração que a gente precisar fazer?
Berenice:
- É, pode acontecer. Mas em algum lugar a gente vai ter que guardar.
Mirella opinou:
- Podemos colocar as de tamanho P, já no guarda roupas de Paulinho, se sobrar e tivermos que guardar para o próximo filho, a gente tira e no lugar, coloca as de tamanho M,
que estarão guardadas no armário da minha mãe. Tem sobra de espaço lá e as G agente arruma no nosso, quando mudar de novo o tamanho, a gente coloca as M no nosso armário e põe as G no armário dele. Se ele não usar mais fraldas e ainda sobrar, a gente junta tudo de novo e resolve o que vai fazer.
Começaram a separar os pacotes por tamanho e no final dessa operação perceberam que tinham mais de trinta pacotes de cada tamanho.
Berenice perguntou:
- Como tudo isso coube no carro de Sérgio.
Adriano respondeu:
- O carro dele é enorme. E no banco de trás, tinha pacotes até o teto e pelo assoalho do carro. Do mesmo jeito nós colos da gente e pelos meus pés. Isso fora os lencinhos umedecidos, pomadas, caixas de algodão e outras coisas.
Quando Dirce chegou, ficou admirada com a quantidade de pacotes e foi arrumar seu armário para abrir espaço para os pacotes. Tinha deixado mais de meio guarda roupa pra isso. Depois começou a carregar os pacotes de tamanho M, que ficariam guardados lá.
Quando terminaram as arrumações, estavam exaustos, porém muito felizes.
Júlio veio buscar Berenice e depois que o casal foi embora, começaram a se aprontar para jantar.
Logo todos estavam se recolhendo.
No dia seguinte, Adriano ia saindo para o trabalho, quando Sérgio encostou o carro e o chamou:
- Entra que eu te levo.
Adriano entrou no carro e o chefe deu a partida. Logo estavam chegando ao escritório.
Sérgio passou a pegar Adriano todos os dias em casa e levando ele no final do expediente.
A amizade crescia a cada dia.
Numa dessas vezes, Sérgio comentou:
- Meu pai vai colocar a casa do lado da de vocês a venda. Está fechada há muito tempo e ele chegou a conclusão que não vai alugar.
- Se desfazer de um patrimônio? Seu pai está passando por algum problema financeiro?
- Não. Foi aquele inquilino s****o que ele teve. No fundo eu estou até concordando. Temos mais de dez casas alugadas e eu sou filho único. Com mais a construtora e a loja de materiais de construção.
Se ele quer se desfazer dessa casa, eu concordo. O que vai ficar é suficiente para ter uma vida confortável e dar conforto para Janice e as crianças. Quero te contar um segredo.
- Pode falar. Não conto nem em casa.
- Eu não sou empregado do escritório. Alguns anos atrás os antigos proprietários, voltaram para a terra deles e me venderam o escritório de contabilidade que agora é meu.
- Sabe que eu já desconfiava? Eles sumiram e deixaram você responsável por tudo e nunca mais apareceram nem para ver como estava. Eu desconfiei.
- Eu não falei nada porque todos sempre né trataram como colega de trabalho, mas com muito respeito. Não quis mudar isso. Me deixaria numa posição superior e o pessoal perderia a espontaneidade que sempre teve comigo.
- Mas não sou só eu que desconfio.
- Tem mais alguém.
- Já ouvi comentários de dois ou três.
- Continua tudo do jeito que está. Você não sabe de nada.
- Pode contar com a minha discrição.
Chegaram a empresa e continuaram a agir como sempre.
Adriano ainda recebeu mais alguns pacotes de fraldas de colegas que haviam esquecido em casa no dia anterior. Agradeceu a eles e começou a trabalhar.
Sérgio lhe confiava as maiores empresas para quem prestavam serviços. Isso desde antes de conhecer Mirella e agora com a amizade cada vez mais solidificada, o trabalho do rapaz aumentava.
Adriano não reclamava e fazia tudo de boa vontade.
Na casa de Dona Nora tudo continuava bem. Ela tinha recuperado os movimentos dos membros e se sentia a cada dia melhor, porém tinha perdido o gosto pelos serviços domésticos e deixava tudo por conta de Angélica com a supervisão de Dirce.
Um dia, Dirce perguntou:
- Dona Nora, o que aconteceu naquele dia que a senhora saiu para ir na padaria e voltou passando m*l? A senhora se aborreceu com alguém?
- Sim, discuti com uma pessoa e a pressão subiu.
- Posso saber quem causou isso?
- Preferia não falar nisso.
- Não confia em mim?
- Claro que confio.
- Então com quem foi?
- Com aquela bruxa que era patroa da Milena. Veio falar m*l da minha nora pra mim e eu não engoli.
- Dona Sirlene?
- Ela mesma, falou que por culpa da Milena, Seu Osvaldo tinha cortado um monte de direitos dela, como viagens de férias e até não podia mais ter empregada. Tinha que se contentar com uma diarista uma vez em casa quinze dias, para fazer o serviço pesado e ainda tinha que ser aos Sábados, para o Seu Osvaldo fazer o pagamento do serviço direto a pessoa. Não estava dando mais dinheiro na mão dela.
- Ela não vê que não foi a Milena que provocou isso e sim o fato do Seu Osvaldo descobrir que era enrolado dentro da própria da própria casa?
- E foi isso que eu falei. Aí ela disse que o dinheiro do marido era dela, e que não era obrigada a dar a nenhuma v*******a. Com o dinheiro dela, ela fazia o que queria.
- Chamou minha filha de v*******a?
- Chamou. Eu falei que o dinheiro não era dela. Estava nas mãos dela para serem repassados a uma trabalhadora. Que v*******a era quem não fazia nada e ainda de roubava o que pertencia aos outros. Ela tentou me agredir e eu comecei a passar m*l. Deu uma dor de cabeça muito forte e comecei a sangrar pelo nariz. Ela foi embora e eu vim pra casa.
- Vou procurar Seu Osvaldo e me entender com ele.
- É um direito seu. Mas eu não faria. É melhor deixar como está. Essa mulher é uma desequilibrada e é melhor mantermos distância.
- Talvez tenha razão, mas vou falar com a Milena e ela que foi ofendida é quem vai decidir.
Trocaram de assunto e quando Seu Jair chegou, Dirce foi prá casa se aconselhar primeiro com Mirella e Adriano.
Depois de contar tudo, Mirella opinou:
- Acho que Dona Nora tem razão. É melhor a Milena não saber. Se essa história chegar nos ouvidos do Jairo, pode acontecer coisa pior.
Adriano foi da mesma opinião:
- Também acho. Além de ofender a mulher dele, quase levou a mãe dele a morte. Jairo é um ótimo rapaz, mas numa situação dessas pode cometer alguma besteira e estragar com a vida dele pra sempre.
Dirce:
- Vou seguir o conselho de vocês, mas se ela passar por mim, não sei como vou me comportar.
- Muda de calçada e cospe no chão. Assim vai demonstrar o quanto ela é digna de nojo.
Dirce foi se arrumar para jantar.
No dia seguinte, Mirella contou para Berenice e pediu segredo.
Berenice se indignou:
- Quase perdi minha mãe por causa de uma ladra desclassificada?
- Foi. Mas nós também aconselhamos mamãe a ficar quieta. Temos medo da reação de Jairo. Afinal as agredidas foram a esposa e a mãe dele.
- É melhor mesmo. Mas que dá vontade de ir lá e resolver no murro dá. Ela é uma ladra e chama uma trabalhadora de v*******a? Tá difícil de ficar quieta.
- Você vai querer se igualar a esse tipo de gente?
- Claro que não. Mas quem quase morreu foi minha mãe.
- Deixa nas mãos de Deus. É melhor. Senão o que já está r**m pode ficar pior.
- Vou procurar me conter.
Mas Berenice não se conteve e procurou Dona Sirlene. Só que não encontrou. Vizinhos que tinham assistido tudo, contaram ao Seu Osvaldo que expulsou a mulher de casa. Ela não morava mais ali.
Berenice agradeceu e voltou para casa de Mirella e contou o que descobrira.
Mirella ouviu e acabou sentindo pena da mulher:
- Coitada. Que m*l traz a ilusão do poder. Ela achou que podia passar por cima de todo mundo e derrubou a si mesma. Tomara que eles se acertem.
- Tá querendo que ela se dê bem, depois de tudo que aprontou?
- Tenho pena do Seu Osvaldo. Ele já tem idade e tinham filhos. Ficar sozinho, a essa altura da vida...
- Pelo que eu sei, ele tem condições de pagar alguém para cuidar dele.
- Isso tem. Mas não é a mesma coisa.
- Mirella, Deus sabe o que faz. Se eles se separaram, foi porque esse não era o destino que Deus escreveu para eles. Ele vai se refazer e ter a vida que merece, longe daquela bruxa. Vamos rezar pela felicidade dele e deixar nas mãos de Deus.
- É o que podemos fazer.
Júlio chegou para pegar Berenice com os filhos.
Depois que Berenice foi embora, Mirella decidiu que estava na hora de sua vida voltar ao normal. Iria conversar com o marido quando chegasse. Paulinho chorou e foi atender o filho.
Deu um banho no bebê e amamentou. A criança pegou no sono na hora que Adriano estava chegando. Ia começar mais um fim de semana.
Esperou o marido tomar banho e quando ele já estava acomodado começou:
- Queria falar com você.
- Algum problema?
- Não. Só resolvi que a partir de Segunda-feira, volto a trabalhar na casa da Berenice.
- Você ainda tem meses de licença.
- Eu sei. Mas é mais prático eu ir pra casa dela com o Paulinho do que ela ficar vindo pra cá com duas crianças.
- Foi ela que reclamou?
- Não. Nem sabe da minha decisão. Só que para pra analisar. O Júlio tem que trazer e buscar, tem mais duas crianças para acomodar e a Berenice também fica fora do ambiente dela. Eu indo, tudo volta ao normal. O Paulinho vai ficar acomodado no quarto do Henrique. Ela guardou o berço que era dele, porque ele já dorme na caminha. Eu dirijo. Volto a te levar para o trabalho e estou muito bem.
Acho melhor.
- Pensando por esse lado, você tem razão. Eu concordo.
Mirella deu um beijo no marido e comemorou.
Depois ligou para Berenice e avisou que a partir de Segunda-feira iria pra casa dela ao invés dela vir para sua casa.
Depois contou para o marido o desfecho do caso de Dona Sirlene.
Dirce estava chegando em casa nesse momento e escutou. Depois que Mirella acabou de contar, comentou:
- Quem procura, acha. Fez tanta maldade que acabou recebendo o que merecia.
Mirella perguntou:
- Você não está com pena do Seu Osvaldo?
- Não. Ele tem condições de pagar uma pessoa pra cuidar dele e antes só do que m*l acompanhado. Ele vai ficar melhor sem ela.
- A Berenice também pensa assim. Me recomendou rezar pela felicidade dele e deixar nas mãos de Deus.
- É o melhor a fazer. Vou tomar meu banho.
Antes Dirce passou no quarto do neto e vendo que ele estava dormindo, foi se cuidar.
Durante o jantar, Mirella falou de sua decisão de voltar pra casa de Berenice na Segunda-feira.
A mãe, que conhecia muito bem a filha e sabia que ela tinha condições físicas pra isso, deu força.
Depois de ajeitar a cozinha foram pra sala e pouco depois se recolheram.
Na Segunda-feira, Dirce saiu para o trabalho deixando Mirella se aprontando para retomar a rotina que estava habituada.
Comentou com Seu Jair:
- Deixei a Mirella se arrumando para voltar a trabalhar hoje.
- Mas a licença ainda não terminou.
- Não, mas ela está bem, e resolveu voltar. É melhor do que a Berenice vir todos os dias e o Júlio também ter que trazer e depois buscar.
- Pensando por esse lado, é mais prático mesmo.
Em casa, Mirella estava acabando de fazer a bolsa de Paulinho. Verificou a quantidade de fraldas e roupas que iria levar, as mamadeiras e tudo o que ele poderia precisar durante o dia.
Prendeu o bebê conforto no carro e depois de Adriano embarcar, seguiram para o trabalho do rapaz.
Depois de deixar o marido, Mirella foi para a casa de Berenice.
Foi recebida com festa pelo casal e após acomodar o filho, trocou de roupa e pegou no serviço.
Berenice ainda lembrou que ela ainda estava de licença. Mas Mirella agia de forma tão natural que resolveu ficar quieta.
Tudo voltava ao normal.
Passaram mais três meses, quando Seu Jair, num dia de Domingo, aproveitando a reunião de todos os filhos em casa, ligou para Dirce e pediu que fosse em sua casa trazendo Mirella e Adriano com ela.
Quando eles chegaram, Seu Jair perguntou:
- Quero saber, quem de vocês pode sair de férias daqui a uns quinze dias?
Um por um foi respondendo que podia. Todos que eram empregados tinham férias vencidas e os que eram empresários tinham como arranjar substituto nesse período.
Somente Sérgio ficou em dúvida, porque seu homem de confiança iria também. Mas resolveu concordar e resolver o assunto depois.
Depois de todo mundo se dispor, Seu Jair anunciou:
- Vamos todos para o hotel fazenda comemorar a saúde e o progresso que com a ajuda de Deus, obtivemos nesse período. Tem tempo que não tiramos férias juntos. E é tudo por minha conta.
Ganhei uma pequena fortuna num negócio e estava guardando para isso.
- Todos comemoraram e cada um a partir do dia seguinte, ia arranjar no trabalho uma maneira de deixar tudo certo para não atrapalhar ninguém.
Até Sérgio entrou em contato com um escritório de contabilidade de um amigo que determinou um contador para ficar a seus serviços durante o período. Iria uma semana antes, para entender tudo que deveria ser feito.
Sérgio não queria deixar alguém de dentro do escritório e ter que rebaixar na volta. Preferia alguém de fora. Tudo resolvido, era agora se aprontar para a viagem.
As crianças estavam muito animadas. Somente Henrique já havia estado lá, mas era muito pequeno e não tinha mais nenhuma lembrança do local e agora mais crescido, iria aproveitar bem melhor.
Iriam todos de carro.
Dividiram os carros de maneira de caber todos.
Depois de divididos, partiram rumo a Minas Gerais. Só a viagem já foi uma festa.
Pararam no caminho diversas vezes para não cansar as crianças e poder fazer as trocas nós menores. Quando chegaram no destino já era fim de tarde. Seu Jair havia escolhido uma data em que os hotéis e pousadas ficavam vazios. A família era muito grande e não poderiam correr o risco de não haver acomodações para todos.
Quando chegaram, os donos do hotel após receber a todos com deferência, se apressaram em acomodar a todos. O local só estava com um casal de hospedes, que era o mesmo que havia feito amizade com Seu Jair e Dona Nora na primeira vez que estiveram ali.
Se tivessem combinado, não dava tão certo. Praticamente lotaram o hotel para felicidade dos proprietários.
Naquela noite só descansaram da viagem, que devido a muitas paradas tinha se tornado muito longa, apesar de prazerosa.
No dia seguinte as crianças se encantaram com os animais, principalmente Maria e Pedro, que eram os maiores do grupo de crianças.
Estavam com a vida que pediram a Deus.
Mais uma etapa de turbulências tinha passado e eles a venceram.
E o melhor é que tinham aproveitado bem as lições que essas turbulências tinham ensinado. Estavam mais fortes e mais unidos e o principal se amando cada vez mais.
Fim