Capítulo Quinto

4710 Words
Trabalharam o dia todo com vontade. Dirce teve que se ocupar em não deixar Dona Nora cometer excessos enquanto Mirella, satisfeita, corria pela casa deixando tudo brilhando. Por volta das dez horas, foi para a cozinha preparar o almoço. Fez tudo com bastante capricho. Depois do almoço, arrumou a cozinha e avisou a mãe que ia no mercado, comprar algumas coisas para fazer os pratos congelados de Berenice. Pretendia começar a preparação no dia seguinte. Voltou e guardou tudo, marcando uma etiqueta e guardou a nota para prestar contas a Júlio. Começou a preparar o jantar. Seu Jair chegou no horário habitual, e enquanto ele se aprontava, Mirella foi colocando a mesa para a refeição. Jantaram os quatro. Quando acabaram Mirella recolheu e lavou a louça e passou pano na cozinha. Quando Seu Jair viu tudo pronto, avisou: - Podem ir, por hoje acabou. Contentes, as duas foram pra casa. Mirella começava a gostar de estar ali. Sentia falta de Henrique, mas Jurandir ficava todos os dias com elas. Assim conseguia não sentir tanto. Mas a mãe estava incomodada de ver a filha fazendo o trabalho de duas, e falou: - A partir de amanhã vou tentar te ajudar um pouco. Foram deitar logo depois das novelas e acordaram dispostas. Chegaram as sete horas e serviram o café da manhã e logo depois que seu Jair saiu, Milena veio trazer Jurandir. Mirella aproveitou que Dona Nora tinha ficado na sala e começou a arrumação pelo quarto do casal. Quando deu a hora de começar o almoço, Dona Nora falou: - Mirella, eu não posso cozinhar por causa da quentura e nem pegar peso. Mas tem coisas que eu posso ajudar. Me dá uns legumes pra descascar, um arroz ou um feijão pra catar. Posso dobrar uma roupa, fazer uma salada de frutas. Tem muita coisa que eu posso fazer. Quando a Berenice se acidentou, eu dava essas coisas pra ela fazer e isso melhorou muito o estado de ânimo dela. A recuperação foi mais rápida. Também quero fazer alguma coisa e Dirce pode te ajudar também. É muito serviço prá você sozinha. Ainda mais agora que tem que fazer comida pra Berenice. - Tá bom. Se a senhora quer, descasca então esses legumes. Vou fazer uma salada. E obrigada. Junto com o almoço da casa, preparou três pratos congelados e ligou para Júlio que ficou de buscar no final da tarde. Ainda fez arroz e feijão que dividiu em diversos potes pequenos, para Berenice usar. No finalzinho da tarde, Júlio veio buscar os congelados. Mirella acertou as contas com ele e ele deixou mais dinheiro para comprar novos mantimentos. Logo depois que ele saiu, Seu Jair chegou e enquanto ele foi se preparar para o jantar, Mirella colocou a mesa e logo todos estavam jantando. Quando terminaram, Mirella recolheu e lavou a louça. Passou uma vassoura na cozinha e depois pano no chão, terminando assim seu trabalho do dia. Seu Jair mandou que as duas fossem pra casa. Elas tinham que esperar ele chegar para jantar, porque tinham medo de sozinha, Dona Nora cometer excessos. Foram pra casa e depois do banho, como já tinham jantado, sentaram em frente da televisão. Depois da última novela, foram dormir. No dia seguinte, chegaram antes das sete horas e enquanto Mirella aprontava o café, Dirce arrumou o quarto do casal e recolheu as roupas que tinham sido lavadas no dia anterior. Tomaram café e Seu Jair saiu. Logo Milena veio trazer Jurandir para ficar com elas enquanto trabalhava. Mirella sentia muita saudade de Henrique, mas o sobrinho diminuía um pouco a saudade. Já estava começando a andar, mas era uma criança muito calma. Televisão em canal de desenho deixava ele quieto por horas. Era muito fácil ficar com ele. Antes do almoço, Mirella deu uma corrida pela casa procurando alguma coisa pra fazer e por volta das dez horas, começou a fazer o almoço e aprontou mais três pratos para Berenice. Eles só iam levar no Domingo de manhã quando voltassem pra casa. O resto do dia correu normal e logo depois de deixar tudo arrumado após o jantar, foram pra casa. Chegou a Sexta-feira, Mirella tinha que fazer mais dois pratos para Berenice e deixar mais dois prontos para o final de semana. Agora, com a ajuda de Dona Nora e da mãe, estava ficando bem menos cansada. Fazia tudo com alegria e capricho. Dona Nora também estava de melhor humor. Estava se sentindo útil. O problema é que mãe e filha estavam se acostumando a ficarem juntas de novo e isso tinha data certa para acabar. E assim mais um fim de semana juntas em casa. Mirella tinha mandado instalar a TV a cabo e pediu que o serviço fosse realizado no Sábado. Na hora de fazer a instalação da antena, avisou que seria feito o terraço e a área seria coberta. Eles avisaram que Quando subissem os muros e pilastras para colocarem a cobertura, a antena teria que ser mudada de lugar e só a empresa poderia fazer a troca. Mirella se deixou fazer o serviço assim mesmo. Antes da dez horas já tinham terminado o serviço e ensinado a usar o controle remoto. Com o tempo elas iriam memorizar os canais. Mirella anotou os que tinham mais interesse. Deram uma gorjeta e os dois rapazes foram embora. Notaram que a casa ao lado estava vazia. Seu Joaquim já tinha mudado para a terra dele. Depois soube que ele havia doado para a igreja todo o mobiliário da casa e esta estava incumbida de doar para os mais necessitados. Acharam uma atitude muito bonita do português. Podia ter vendido mais barato, mas tinha doado. Mirella deixou a mãe vendo um filme e foi cuidar do almoço. Dirce queria ajudar, mas ela estava menos cansada que na semana anterior, pois nessa já estava recebendo ajuda e não aceitou a ajuda da mãe. Fez a comida e quando estava tudo pronto, foram se arrumar para almoçar. Depois de tudo limpo, foram procurar um filme para assistirem juntas. Dirce ficou maravilhada. Nunca imaginou que só com uma antena diferente se podia ter acesso a tantos canais. Mirella deu uma passada por todos e Dirce anotou os que mais chamaram sua atenção, inclusive um que passava programação antiga que tinha interesse em ver de novo. Passaram o Domingo em frente a televisão também e logo outra semana começou. Tudo correu como sempre e na Sexta-feira quando Seu Jair chegou, entregou um envelope a cada uma com o pagamento do mês. Quando Mirella abriu o dela, exclamou: - Está errado, eu não ganho tudo isso não. Tem muito dinheiro a mais aqui. Seu Jair respondeu: - Quanto o Júlio te paga, não me interessa, o que eu pago aqui é isso. Apesar que tem realmente mais do que o salário que eu pago normalmente, porque vocês duas têm trabalhado mais que o horário normal. - Não precisa pagar horas extras. Afinal, fazemos todas as refeições aqui e o senhor não desconta. - O dinheiro está certo, minha filha, pode guardar que é um seu. - Obrigada. Dirce também falou: - O meu também está a mais. - Você também têm trabalhado mais horas. E foi se arrumar para o jantar. Mirella tratou de arrumar a mesa e depois de jantarem, lavou a louça e limpou a cozinha. Se despediram e foram pra casa. As duas já fazendo conta de quanto depositariam naquele mês. Quando chegaram em casa, separaram o dinheiro das despesas e colocaram cada uma dentro de um envelope. Iam pedir a Milena para depositar, já que trabalhava perto do banco e podia ser feito em caixa eletrônico. Jairo sempre levava ela de carro ao trabalho e não tinha risco. Mirella pensou que tinha que tirar a carteira o quanto antes. Se já tivesse feito isso, Milena já teria dado o carro prá ela e ela mesma poderia fazer o depósito. Resolveu ver a auto escola no dia seguinte. Faria as aulas aos sábados. Quando o Sábado amanheceu, logo depois do café, Mirella foi na casa da irmã e entregou os envelopes a ela e pediu que ela depositasse. Pediu pra trazer mais envelopes de depósito. Milena pegou com satisfação e prometeu fazer na Segunda-feira, na hora do almoço. Mirella agradeceu e depois de dar um beijo no sobrinho avisou que ia na auto escola ver o preço pra tirar a carteira. A irmã respondeu: - Assim que você conseguir, eu vou te dar o carro. Mirella saiu da casa da irmã muito contente. Na auto escola foi informada o número de horas de treino mínimas que deveria fazer antes do teste. Viu que levaria mais tempo do que tinha imaginado, mas resolveu começar logo. Preencheu a ficha com seus dados e anexou a xerox dos documentos que foram pedidos. Já marcou a primeira aula para aquela manhã mesmo. Quando chegou em casa, a mãe estava preparando o almoço. Já tinha passado a roupa e posto as da semana na máquina. Mirella foi estender e resolveu passar no dia seguinte. Almoçaram muito bem e Mirella mandou a mãe ir descansar que ela cuidaria da louça e da cozinha. Estava um pouco chateada por ter deixado o serviço para a mãe fazer. Dirce, percebeu e falou: - O que você foi fazer é pelo bem de nós duas e eu estava com saudade de cozinhar. Dividir o serviço é que é o certo. E nós dividimos. Quando você tiver seu carro, não vai me levar pra passear? - Claro. - Então deixa de bobagens. Mirella ficou mais tranquila e assim que terminou na cozinha veio sentar perto da mãe. De tarde, Berenice foi agradecer pelos pratos e entregou um envelope pra ela. Quando abriu era dinheiro. Perguntou: - O que é isso? - Pagamento pelos pratos que você preparou. - Fiz na casa dos seus pais e em horário de serviço. - Mas se não tivesse que fazer, teria descansado mais. - Não acho justo. - É justo sim. Tô ficando até com medo que meus pais não te devolvam. Eles estão te elogiando muito. - Faço tudo de boa vontade. - Pois é. Mas não esquece que só tem mais um mês. Depois você volta lá pra casa. - A única coisa que vou sentir falta é de vir pra casa todo dia. Depois que sua mãe tirou os pontos, temos dormido em casa. - Você pode continuar vindo. Você tem horário. Basta vir no fim do serviço. - Você não se importa? - Claro que não. É um direito seu. E nós temos obrigação de pagar a sua condução de ida e volta. - Nem assim você se importa? - Não. Você dormia lá em casa porque eu tinha tido o Henrique e precisava de ajuda. Agora você pode vir prá casa. Só não vou abrir mão de você. Você vai ter que voltar. - Eu vou voltar. - Tá bom. Deixa eu ir. Tchau. - Tchau e obrigada. Depois que ela foi embora, Mirella perguntou: - Você ouviu, mãe? - Ouvi. Ela quer você de volta. - E o melhor, posso vir pra casa todo dia. Vamos continuar juntas. - Eu trabalho perto. Não vai ser muito cansativo pra você? - Vir pra casa e te ver todos os dias? Claro que não! - Então vamos comemorar. - Vamos, se arruma que vamos sair. - Pra onde? - Sei lá. Vamos lanchar no Shopping. - Tem certeza que você faz questão disso? - Você não quer? - Preferia pedir uma pizza por telefone e ficar aqui mesmo. É muito mais confortável. - Tá certo. Então vamos deixar pra pedir mais tarde e ver um bom filme até dar a hora de lanchar. E foram catar um filme na televisão. Realmente, ficar em casa era muito mais gostoso. No finalzinho da tarde ligou e pediu a pizza. Veio rápido. Lancharam e voltaram pra frente da televisão. Quando o sono chegou as duas foram deitar. Acordaram cedo no dia seguinte e Dirce resolveu ir a missa. Acreditava em Deus, mas não era muito de frequentar igrejas. Fazia sempre suas orações em casa e cumpria os mandamentos. Se sentia cristã. Via muita gente que não faltava as missas, mas no caminho da igreja para casa, já iam cometendo um monte de pecados. Conhecia até uma que trabalhava na secretaria da igreja, comungava sempre, mas vivia com um homem sem ser casada em Mirella resolveu ir também. Assistiram a missa e votaram pra casa. Tinham deixado a comida pronta, mas ainda não estavam com fome. Não tinham nada pra fazer. Mirella havia passado a roupa logo cedo. Ligaram a televisão e assistiram um bom filme. Depois do almoço, voltaram para frente da televisão. E chegou a hora de dormir. Levavam uma vida pacata, não gostavam de sair, mas eram muito felizes. Mesmo quando tinham uma vida mais sacrificada, nunca perderam a alegria. Agora, que tudo estava dando certo pra elas, essa alegria tinha aumentado. No dia seguinte, chegaram as sete no trabalho. Seu Jair estava sozinho com Dona Nora e Dirce comentou: - A Neide vai embora muito cedo, nunca encontro com ela. - Porque ela nunca dormiu aqui depois que se casou. - A Berenice falou que ela ficava no Sábado e a Neide no Domingo. - Ela vem Domingo, almoça com a gente, bate papo e depois vai embora. Não tem necessidade de dormir fora de casa. Tem a Janice e o Jairo aqui perto. Domingo de tarde depois do lanche, eu fico com a Nora e logo dá a hora de dormir. - Pensei que ela dormisse aqui. - A Berenice também pensa. - Entendi. Não vamos comentar nada. - É melhor. A Berenice é que se preocupa demais. Ela não pode ficar sozinha, mas eu estou em casa. - Isso logo vai passar. Mais um mês e tudo volta ao normal. - A Nora está bem mais calma. - É que temos deixado ela fazer pequenas tarefas pra se sentir útil. Ela mesma pediu. - Como assim? - Catar um arroz, descascar um legume, coisas leves. - Fizeram muito bem a ela. Tomou o café e saiu. Nora ficou aguardando a chegada de Milena que vinha trazer Jurandir e Dirce e Mirella começaram a dividir as tarefas da casa. O mês correu rápido. Mirella continuava fazendo o curso na auto escola e para conseguir a carteira mais rápido, passou a fazer aulas a noite também, durante a semana. Eram muitas aulas teóricas e depois começariam as práticas. Apesar de não gostar muito de estudar, nunca havia sido reprovada e estava interessada e aprendia tudo com certa facilidade. Quando recebeu outro pagamento das mãos de Seu Jair, novamente com aumento de salário e horas extras, ficou dividida entre voltar para casa de Berenice e permanecer perto da mãe. Ali não era mais necessária e sabia que tinha que agir de acordo com o que tinha sido combinado. Era uma Sexta-feira e se despediu do casal, agradecendo e recebendo agradecimentos. Segunda-feira iria recomeçar seu antigo trabalho. Não tinha deixado nada congelado para Berenice, somente tinha deixado dois pratos para Dona Nora, para o final de semana. Domingo, Berenice foi na casa dela: - Você não deixou nada pronto pra mim? - Segunda-feira, eu vou pra tua casa. - Ah tá. Pensei que tivesse esquecido. - Não, já fizeram dois meses que a tua mãe operou. A partir de agora ela pode levar vida normal. - Tá bom. Te espero em casa amanha então. - Até amanhã. - Até amanhã. E Mirella foi arrumar a bolsa com as roupas que levaria no dia seguinte. Passou o dia meio amuada, e Dirce resolveu conversar com ela: - Você está triste? - Me acostumei a ficar com você o tempo todo. Agora vamos ter que nos separar. - Nós não vamos nos separar. Apenas você vai voltar pro seu trabalho e eu vou continuar no meu. Toda noite estaremos juntas de novo. Não foi isso que combinamos? - Tem razão. - Você sempre gostou tanto de trabalhar pra Berenice. Lembra que no princípio, você não queria ficar aqui e estava com medo de perder o emprego? - Foi mesmo. - Então, tudo correu da maneira que você queria. Desamarra essa cara. Logo você acostuma de novo. - Tem razão. Não tem motivo para tristezas. Tudo está voltando pro seu lugar. - É isso. Dona Nora, graças a Deus está bem, vai voltar a fazer a parte dela na casa e toda noite vamos ficar juntas. - É. Logo vou me acostumar de novo. A partir da conversa com a mãe, Mirella voltou ao normal. E foi alegre que no dia seguinte, saiu com a bolsa para o ponto de ônibus. Quando chegou na casa de Berenice, encontrou tudo arrumado. Não teve nenhuma dificuldade de entrar na rotina de novo. Foi bem recebida pelo casal, apenas Henrique estava estranhando um pouco. Passou um dia maravilhoso. Tinha sobrado tempo até para brincar um pouco com o menino e quando deu a hora de ir prá casa, Berenice lhe deu o dinheiro da passagem, pagando a mais a que tinha gasto para chegar. Se despediram e Mirella feliz, foi direta para o curso. Quando acabou foi pra casa e encontrou a mãe já com a janta pronta. Foi tomar um banho e logo estavam jantando. Dirce perguntou como tinha sido o seu dia e ela respondeu: - Maravilhoso. Trabalhar pra eles é tudo de bom. E Dona Nora? - Fez tudo o que fazia antes, normalmente. De tarde sentamos pra ver desenho com o Jurandir. Acho que ele sentiu a tua falta. - Porque? - Ficava o tempo todo como se tivesse procurando alguma coisa. - Com o tempo ele acostuma. E continuaram conversando enquanto Mirella arrumava a cozinha. Depois foram se sentar na sala e quando deu a hora se recolheram. Rapidamente se habitaram a rotina novamente e as duas se sentiam muito felizes. A semana passou rápido.Logo estava a caminho de mais um final de semana. Foi para o curso e logo depois foi pra casa. A Mãe já estava esperando com o jantar pronto e ela foi se arrumar para jantar. Enquanto comiam Mirella lembrou: - Temos que ligar pro Seu Paulo pra resolver o negócio do terraço. Com o problema da Dona Nora, nós deixamos passar. Agora vamos retomar nossos planos. E eu tô pensando em fazer lá nos fundos uma ampliação da casa. - Como? - Quero fazer mais dois quartos. - Pra quê? - Mãe, eu vou fazer vinte e um anos. Amanhã ou depois, conheço um rapaz e decido me casar. Uma casa com dois quartos vai ser pequena pra nós. - Eu arranjo outro lugar e deixo a casa para você. - Não senhora. A senhora vai morar comigo. - Eu não quero atrapalhar a vida de ninguém. - A senhora não vai atrapalhar. Só me caso nessas condições. - Vai ficar caro fazer essa obra. - Nem tanto. Eu tenho dinheiro guardado e vou usar para fazer isso. - Pra aumentar uma casa tem que ter licença da prefeitura. - Vamos fazer tudo dentro da lei. - Pode contar com o meu dinheiro também. - Só se for preciso. Amanhã vou ligar pro Seu Paulo e combinar dele vir aqui. - Acho que ele não tem vindo. A casa do lado continua vazia. - Amanhã eu vejo isso. Pegou a roupa para lavar, dela e da mãe e colocou na máquina. Enquanto a máquina fazia o serviço deu uma geral na casa. Limpou os móveis e passou um pano na casa toda. Quando a máquina acabou de bater, estendeu toda a roupa e depois foi sentar perto da mãe para ver televisão. Logo estava na hora de dormir. No dia seguinte, levantou cedo, recolheu a roupa e passou. Ainda faltava tempo para sair para a aula, mas era muito cedo para ligar para casa de alguém. Dirce ainda não tinha levantado. Fez o café e retirou comida do freezer para adiantar a mãe. Estava gostando de ver como a mãe tinha se interessado em descobrir novos canais na Tv a cabo. Já tinha visto até ela se aventurando nos jogos. Pretendia deixar o mínimo de coisas para ela fazer. Verificou que ainda tinha feijão e arroz prontos. Tinha tirado peixe para descongelar e resolveu fazer uma maionese para acompanhar. Descascou os legumes e já estavam no fogo, quando a mãe apareceu na cozinha. Colocou a mesa e sentaram para tomar café. A mãe, reclamou: - Você também têm que descansar. Não dormiu a noite? - Dormi, mas acordei cedo e resolvi adiantar as coisas. Assim teremos a tarde e o dia de amanhã para fazermos o que der na telha. As obrigações já estarão prontas. - Podia ter dividido comigo. - Fiz tudo rapidinho. - Hoje, enquanto você for para o curso, eu não vou ter o que fazer. - Descansa. - Dormi muito bem a noite. - Eu também, só acordei cedo e não consegui voltar a dormir. - É que você está ansiosa pra ver as mudanças que você quer fazer na casa prontas. Mas tem que relaxar. - Não se preocupe. Eu estou bem. Eu estava pensando nas mudanças. Prá fazer os dois quartos nos fundos, vamos ter que diminuir um pouco o tamanho dos nossos. - Não entendi. - Tem que fazer um corredor no meio dos dois pra colocar as entradas por esse corredor e um quarto atrás de cada quarto já existente também com entradas para este corredor. Assim mantém a privacidade de todos os cômodos. Um não tem passagem pra dentro do outro. - Entendi. Pro meu não tem problema, mas quarto de casal tem que ter privacidade. Mas outra solução seria fazer em cima da casa. - Também seria uma solução. Mas não quero que você seja obrigada a ficar subindo e descendo escadas. - Bobagem. Descer de manhã e subir a noite não mata ninguém. Eu saio do quarto de manhã já deixando a cama pronta e só volto nele na hora de dormir. - Isso é. Mas vamos conversar com o Seu Paulo que entende melhor do que a gente e ver a melhor solução. Os quartos são enormes e mesmo perdendo um pedaço, continuarão grandes. - Com certeza. Dá pra fazer. Mas você tá certa. Damos os dois palpites pra ele e ele diz o que é melhor pra ser feito. - Quando eu chegar do curso ligo pra ele. - Que horas você vai chegar? - Onze e pouco. - Lá elas nove eu ligo e peço se dá pra ele vir aqui nesse horário. - Faça isso, que ganhamos tempo. - Pode deixar. - Ainda tem que ver o curso para pais e padrinhos na igreja para o batizado das crianças. - É. A doença da Dona Nora, tumultuou tudo. - Mas, rápido, a gente põe tudo no lugar. São só duas reuniões e eu acho que são aos Domingos. - É. É rápido. Mirella, antes de sair ainda lavou a louça e escorreu os legumes da maionese, para esfriarem. A mãe ofereceu: - Deixa que eu tempero assim que estiver frio e coloco na geladeira. Vá se arrumar senão vai atrasar. - Não esquece de ligar pro Seu pro Seu Paulo. - Não vou esquecer. Foi se arrumar e logo estava saindo. Enquanto se arrumava, Dirce cobriu os legumes e colocou a vasilha com os peixes dentro da pia. Já estava arrumada, e saiu logo depois. Ia ao mercado comprar algumas coisas. Não disse nada, porque a filha queria fazer tudo sozinha. Apesar de reconhecer que a intenção era boa, também queria participar das coisas da casa. Comprou uma porção de guloseimas, pensando no lanche da tarde e voltou pra casa. Passava um pouco das nove, ligou para Seu Paulo e ele prontamente marcou para aquele dia mesmo, uma visita as onze e meia. Quando Mirella chegou, ainda tinha quinze minutos pra tomar um banho e conversar com o amigo. m*l acabou de se arrumar, ele chegou. Explicaram o que queriam fazer e ele foi de opinião que deveriam manter a casa plana. Os cômodos eram enormes e fazer um corredor não iria diminuir muito os quartos, que ainda assim continuariam bem grandes e confortáveis. Ainda brincou: - Quando tiver alguma obra que eu esteja em dúvida de como fazer, vou procurar vocês. Dirce respondeu: - A mim não. A ideia foi dela. Seu Paulo ainda comentou: - A única coisa que está me preocupando é que a casa vai ficar cheia de poeira e vocês não vão poder ficar aqui durante a obra. A parte de trás vai ficar aberta por um tempo e vocês são duas mulheres sozinhas. Mirella respondeu: - Isso é verdade. Só se a gente ficar na casa da Milena. Eu não quero voltar a dormir no trabalho. Está sendo muito bom ter minha mãe por perto todos os dias. Seu Paulo deu outra solução: - A casa ao lado está vazia. Porquê vocês não mudam pra lá enquanto a obra é feita? Quando tudo acabar vocês voltam pra cá. Eu empresto pra vocês. - Não queremos lhe dar prejuízo. - Não é prejuízo nenhum. A casa está vazia mesmo. Ainda não decidi o que vou fazer com ela. - O senhor não ia alugar? - A idéia em princípio era essa. Mas tive um prejuízo imenso com um dos meus imóveis alugados. O inquilino mudou devendo diversos aluguéis e ainda carregou toda a louça da casa. - Como assim? - Levou a pia, o vaso sanitário, a pia do banheiro, o tanque e até o hidrômetro. - Que bandido. - Pois é. Agora estou pensando se alugo ou revendo. Não tenho como ficar fiscalizando todas as casas que tenho. Mirella respondeu: - Se o senhor quiser alugar, nós ficaremos de olho e qualquer coisa suspeita, lhe avisaremos. - Seria uma grande ajuda. Mas vou pensar. E enquanto isso, vocês mudam pra lá, e nós faremos a obra aqui. - Quanto vai ficar e obra e quanto o senhor quer de aluguel? - A obra, vocês compram o material e eu falei que emprestava a casa a vocês, não falei que alugaria. - Mas assim a construtora vai ter prejuízo. - Não. Tem muita gente parada. Estou tentando evitar de ter que dispensar alguns. São poucas obras nos dias de hoje. Dar uma ocupação a eles, vai me dar tempo de decidir. Não queria dispensar ninguém. Todos têm família. - Acho que o senhor poderia dar um desconto, mas cobrar pela obra, afinal o senhor tem que pagar a eles. - O problema não é esse. É não deixar que fiquem muito tempo sem fazer nada.Se aparecer uma obra grande eles tem que ter ritmo de trabalho. São que nem atletas que têm que treinar sempre. - Entendi. Então aceito. Faz uma estimativa do material, que tenho que tirar o dinheiro do banco. E não esquece de colocar o material do terraço, que queremos fazer também. - Pode deixar, semana que vem te dou a lista e o valor da minha loja e você faz pesquisa de preço. - Não. Vamos comprar tudo com o senhor. - Obrigada. Terça-feira a noite, passo aqui já com o valor. - Eu aguardo. Aceita almoçar com a gente? - Obrigado, mas minha mulher está me esperando. - Pelo menos um cafezinho. - Um cafezinho eu aceito. Mirella correu pra fazer um café fresco. Logo depois do café, Seu Paulo se despediu. Já passava de uma hora da tarde. Almoçaram e limparam a cozinha. Foram pra sala e começaram a conversar. - Seu Paulo tomou um prejuízo grande. Fiquei até preocupada com a nossa casa alugada. - Lá está tudo bem. O aluguel está sendo depositado todos os meses e tenho conversado com uma vizinha por telefone. - Mas não é justo fazer isso com uma pessoa tão boa. - Mas também ele não pode perder a confiança em todo mundo por causa de um mau caráter. - Ainda é recente. Logo ele se recupera. - Vamos rezar por ele e pedir a Deus que o conforte. E começaram a rezar. Depois voltaram a fazer o que estavam acostumadas e ligaram a televisão. O Domingo passou rápido e no dia seguinte saíram para começar outra semana.
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