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Frederico — Você não pode parar com todos esses projetos — Antônio diz, a frustração clara em sua voz. — É desperdício de dinheiro, e não podemos nos dar ao luxo de perder assim — respondo, com a voz firme. — Vai cancelar todos os projetos com o Saimon? — ele questiona, levantando as sobrancelhas. — Ele é nosso amigo de infância. — Ele pode ser nosso amigo de infância, mas não vou tolerar isso — digo, com seriedade. — Não com o nosso dinheiro. Se ele quer montar uma quadrilha de mulheres, que faça sozinho. — Você não aceita nada do que estou propondo — Antônio retruca, me lançando um olhar desafiador. — Eu também sou herdeiro. — Quem manda aqui sou eu, Antônio. Você é totalmente irracional e não entende nada de negócios — o encaro com firmeza. — Nesses cinco meses desde a morte do papai, só vejo dinheiro escorrendo pelos dedos. Precisamos de armas de verdade, de munição, de homens treinados. Ele me encara por um momento, claramente irritado. — Faça como quiser, você é o chefe — diz, chutando uma cadeira e saindo do escritório com raiva, sem olhar para trás. Eu fico ali, olhando pela janela, observando o movimento na sede da máfia. Homens sendo treinados, a rotina caótica que tenta recuperar o controle. Eu estive anos fora, estudando, e enquanto isso, meu pai cometeu erros cruciais nos treinamentos de nossos homens e nos negócios. Retomar tudo, colocar nossa família no controle novamente, está sendo mais difícil do que eu imaginava. E é por isso que mataram meu pai tão facilmente. Ele não tinha a proteção devida, o respaldo de um verdadeiro chefe de máfia, e, pior ainda, não tinha pulso firme. Um verdadeiro chefe não tem piedade, e meu pai cometeu o erro fatal de se envolver com aquela garota naquela noite. Ele foi fraco. Agora, temos inimigos por todos os lados, negócios milionários em jogo, armas poderosas e, por trás de tudo, um imenso rio de dinheiro. E, ao mesmo tempo, muitas mortes acumuladas nas nossas costas. Tudo precisa ser controlado, e Antônio nunca será capaz de fazer isso. Ele não tem a disciplina necessária. Ele é apenas um reflexo da fraqueza do nosso pai. E a verdade é que, sem controle, a queda é inevitável.
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