Saimon
Antônio entra no escritório com uma expressão nervosa.
— Você foi atrás das novas garotas para treinamento? — ele pergunta, a voz carregada de frustração.
— Não — respondo, sem desviar o olhar.
— Frederico cortou a verba — ele solta, irritado.
— Como assim? — questiono, não acreditando no que estou ouvindo.
— A verba de todos os projetos que a gente tinha com meu pai — ele diz, a raiva transparecendo em suas palavras. — Esse filho da p**a está me dando trabalho, eu preciso dar um fim nele.
— Parece que Frederico será uma pedra no nosso sapato — comento, observando sua reação. — As garotas treinadas iriam se envolver com a máfia australiana. Agora, você acha que foi certo matar seu pai? Estou vendo que isso trouxe mais problemas do que soluções. Pelo menos ele nos apoiava.
— Eu preciso entrar no poder — ele diz, mais determinado que nunca.
— Se Frederico morrer agora, todos vão se virar contra você — alerto. — Alguém mais esperto existe nesse mundo. É preciso ter paciência, Antônio.
— Eu preciso enfraquecer ele — ele repete, frustrado. — Frederico está agindo pelas minhas costas, ele e aquele Kaio. Você acredita que ele colocou Kaio dentro da empresa?
— Precisamos pensar em um plano — digo, tentando manter a calma. — Precisamos fazer Frederico depender de nós.
— Podemos usar Sophia — ele sugere, com um brilho calculista nos olhos.
— Não — respondo de imediato. — Ela já falhou uma vez, e vai falhar de novo.
— Você disse que não a descartaria, e eu também coloquei dinheiro nela — Antônio insiste, com um sorriso irônico. — Ela é nossa parceira.
— Você a usou para matar seu pai — observo, com a voz firme.
— E você a usa para ganhar dinheiro. Muito dinheiro — ele retruca. — Comprou cassino, apartamentos, restaurantes de luxo, empresas de tecnologia. Tudo com o dinheiro que ela consegue através dos golpes que você faz ela cometer. Eu sei que ela está matando sem piedade. Agora é a minha vez de usá-la.
— Eu não acho certo — respondo, sentindo um peso no peito.
— Então me pague 780 mil dólares pela sociedade — Antônio diz, com frieza.
— O quê? — pergunto, incrédulo.
— 780 mil dólares, e a garota é toda sua — ele repete, sem hesitar.
— Você está brincando? Isso é muito dinheiro — digo, socando a mesa com força.
— Então, faça ela se envolver com Frederico — Antônio diz, com um sorriso calculista. — Começamos o plano, enfraquecemos ele e tiramos ele do poder. Depois disso, Sophia é toda sua.
Fecho os olhos, respirando fundo para tentar manter o controle.
— Eu não vou perder ela — digo, com determinação.
— Não vai perder — Antônio garante, com confiança. — Um envolvimento de alguns meses é tudo que precisamos. Se ela conseguir tirar Frederico do poder e me colocar lá, além de te deixar Sophia, eu te transfiro 1 milhão de dólares e fechamos todas as parcerias no futuro.
— Você disse 1 milhão de dólares? — pergunto, a surpresa transparecendo na voz.
— E a máfia australiana vai pegar de você todas as produções de armas e arsenal — ele diz, com um sorriso. — Sua empresa vai produzir ainda mais para nós. Tudo o que você precisa fazer é colocar Sophia no meu plano.
Respiro fundo, tentando processar tudo.
— Qual é o seu plano? — pergunto, curioso.
Antônio começa a me explicar cada detalhe, e logo ele sai do escritório, deixando-me sozinho com meus pensamentos. Olho para a foto de Frederico em cima da mesa e sinto uma raiva crescente.
Entro no quarto e encontro Sophia penteando os cabelos.
— Frederico — digo, jogando a foto dele em cima da mesinha onde ela guarda suas coisas. — Ele é sua nova vítima.
— Frederico, não é filho de George? — ela pergunta, olhando a foto com uma expressão preocupada. — Eu não corro o risco dele me descobrir?
— Não — respondo, tentando acalmá-la. — Fica tranquila, mas o plano com ele vai ser um pouco mais intenso.
— Como assim? — ela pergunta, confusa.
— Senta que eu te explico — digo, e ela me encara, esperando pela explicação.