MINHA..

1108 Words
CLARISSE: Assim que empurrei a porta com as malas, vi o choque estampado no rosto de Donna. — Oi? Que que você tá fazendo aqui?! Deixei a bagagem cair no chão e soltei um suspiro pesado. — Não viajei. — Como assim!? ela arregalou os olhos. — Que loucura foi essa? — O Edgar. Só isso bastou pra ela ficar muda, esperando mais. Respirei fundo. — Ele foi até o aeroporto, abandonou a noiva no altar, me pediu pra ficar… e eu dei uma chance. — Meu Deus… Donna levou a mão ao peito. — E o Gusmão? — Ele viu tudo. A reação dela foi automática, cobrindo a boca com a mão. — Sabe o que é pior? continuei, o peito apertado. — Descobrir que o Gusmão é pai da noiva do Edgar. — Caramba! ela arregalou os olhos ainda mais. Balancei a cabeça lembrando da cena. — Ele viu o Edgar me beijando, se aproximou… os olhos dele tinham tanta indignação. — Ise… e agora? — A gente passou a noite juntos e ele disse que ia resolver a situação. Donna ergueu uma sobrancelha. — De novo? Ele já fez isso, você sabe, né? E estava lá, no altar, com a noiva. — Eu sei. apertei os lábios. — Mas dessa vez foi diferente. Eu aceitei porque senti isso. Ela mordeu o lábio e soltou baixo: — Desculpa, amiga. Mas eu sabia. Olhei pra ela sem entender. — Como assim? — Ele veio aqui. ela fez careta. — E eu que disse que você tinha ido embora. — O quê?! senti meu estômago revirar. — Fiquei com medo de sei lá… você me odiar. Donna encolheu os ombros. — Mas eu que dei o endereço do aeroporto a ele. Só fiz porque ele parecia sincero, juro! Por favor, não me odeia. Não pensei duas vezes. Fui até ela e a abracei forte. — Eu nunca te odiaria. Ela me apertou de volta, emocionada. — Eu só queria o seu bem. — E conseguiu. sorri com lágrimas nos olhos. — A gente se ama, Donna. Ele disse que ia resolver tudo pra gente ficar junto. — Espero que dessa vez aconteça de verdade. Me afastei, com um sorriso pequeno, mas esperançoso. — Eu sinto que vai… Mesmo com todas as muralhas: a família dele, a ex-noiva, o bebê, e ainda o que eu fazia… — É, você tem que estar pronta. ela suspirou. Assenti. — E o Gusmão… como ficou? — Arrasado. Mas eu não tinha escolha, nunca houve outra opção pra mim. Você sabe. — Nossa… espero que ele não faça nada contra vocês. — Ele não é assim, Donna. Você sabe. — Homem apaixonado e rejeitado? ela ergueu a sobrancelha. — Eu não duvido de nada. Só sorri, tentando afastar aquele peso. — Me ajuda a colocar as roupas no closet? — Claro! Vamos logo. Passamos horas arrumando tudo, falando sem parar, Donna entre perplexa e animada com cada detalhe. À noite já tinha chegado quando estávamos na cozinha, cantando com o som ligado, improvisando algo pra comer. O celular vibrou na bancada. Olhei pra tela e levei um susto. — Nossa! — O que foi? Donna parou na hora. — É o Edgar. Atendi e ouvi a voz dele, firme, baixa, que me atravessava inteira: — Estou aqui embaixo, te esperando. Olhei pra Donna com os olhos arregalados. — Esqueci que ele disse que vinha me buscar pra sair. — Chama ele pra comer aqui, ué. Mordi o lábio, nervosa. — Não era bem comer que a gente ia fazer… não de comida. — Meu Deus! ela quase gritou. — Criei uma monstra de duplo sentido! Eu ri, desamarrando o coque, os fios caindo soltos pelos ombros. — Preciso me trocar! Saí correndo pro corredor, enquanto Donna gritava atrás de mim: — Vou mandar ele subir! Só acenei, apressada, entrando no quarto. Liguei o chuveiro quase em pânico. Meu Deus… eu tô fedendo… ele não pode me ver assim! A água quente começou a cair e meu coração batia acelerado, a mistura de ansiedade, medo e desejo me queimando por dentro. .... EDGAR: Estava no carro, o motor ainda ligado, quando atendi a ligação. Não foi a voz da Clarisse que veio, mas a da Donna: — Sobe… ela ainda não está pronta. Soltei um meio sorriso. — Vou subir. Saí do carro, ajeitei a camisa e subi os degraus até o apartamento delas. Quando bati, Donna abriu a porta com aquele olhar sagaz. — Ela está no banho. avisou, abrindo espaço. — Passou a tarde toda organizando roupas. Você deveria ficar, sabia? A gente ajeitou qualquer coisa pra comer, mas você tá me roubando ela demais. Sorri de canto. — Tenho que ser grato. Se não fosse por você, eu já tinha perdido ela. — Tinha mesmo. ela cruzou os braços, arqueando a sobrancelha. — O Gusmão assumiria ela, e olhe lá se não voltasse com ela como mulher dele… e você, com a filha dele. Olha que bela família. Passei a mão pela barba, sentindo a tensão subir. — Ela te contou… — Ela me conta tudo. respondeu rápido. Suspirei, firme. — E então? Resolveu tudo? — Não tinha muito o que resolver. Só me desculpar. Ela estreitou os olhos, avaliando. — Assim espero. Mas como vai fazer? Vai ficar saindo com ela escondido? E depois agir como se fosse sozinho? Meu maxilar travou. — Eu vou fazer bem mais que isso. Donna sorriu de canto, balançando a cabeça, e apontou discretamente com os olhos. — O quarto dela é a segunda porta à direita. Mas não foi eu que contei. Ela voltou pra bancada, e eu segui o caminho indicado. O quarto estava com a porta entreaberta, e dali já ouvia o som da água batendo no azulejo. A porta do banheiro também estava aberta, deixando ver a silhueta dela, nua, por trás do vidro embaçado. Meu corpo inteiro pulsou. Tranquei a porta do quarto, tirei a camisa sem pensar duas vezes e, em poucos segundos, o resto da roupa já estava no chão. Entrei no box de uma vez, agarrando a cintura dela. — Ah! ela se assustou, virando rápido. — Edgar! Encostei seu corpo contra o vidro molhado, prendendo ela. — Um banho quente… eu gosto. Ela sorriu, surpresa, os olhos brilhando. Puxei-a mais perto. — A Donna… começou, mas eu calei antes mesmo de terminar. — Ela não vai se importar de que eu pegue a minha mulher no próprio quarto. — Sua mulher? ela mordeu os lábios. Acenei, firme. — Minha. Tomei sua boca num beijo urgente, faminto. Ela era minha, e ninguém diria o contrário. ...
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