Cap. 17

874 Words
Após uma semana, os encontros de Bella e Charles perto do lago tornaram-se algo ainda mais frequente. O lago refletia as cores quentes do céu, enquanto eles caminhavam lado a lado. Nessa noite especial, o ar estava diferente, mais pesado e ao mesmo tempo mais vivo. As folhas sussurravam com a brisa e, por um instante, o mundo pareceu se reduzir àquele pedaço de jardim, àquele banco próximo à água e aos olhos que se encontravam sem precisar de palavras. Eles se sentaram em um canto escuro do jardim, aonde ninguém podia vê-los. Charles acariciava sua pele alva carinhosamente. — Bella… — começou Charles, a voz baixa, carregada de um peso que raramente deixava transparecer. Ela olhou para ele, o coração batendo mais rápido, pressentindo que aquela noite seria diferente. — Preciso te contar algo que venho guardando há muito tempo. Ela segurou a mão dele, com um leve aperto, encorajando-o a continuar. — Sempre… sempre te amei, Bella. Mas… sempre te amei como se fosse uma garotinha, uma amiga que eu jurava proteger. — Ele respirou fundo, os olhos fixos nos dela. — Mas agora… agora tudo mudou. Não consigo mais fingir que esses sentimentos não existem. E eu… — ele pausou, a expressão se fechando levemente — Eu prometi a seu pai, no leito de morte dele, que cuidaria de você, que te protegeria de tudo… e eu deveria manter isso acima de qualquer desejo meu. Mas estou falhando comigo mesmo, com você e com ele. — Você não vê? -. Respondeu ela. — Você é o melhor para mim. Ninguém poderia cuidar de mim, me proteger melhor do que você Charlie. - Bella sentiu um nó se formar na garganta, o coração apertando. — Charles… eu… eu te amo. Sempre te amei. Desde sempre. Não quero esconder nada, e… quero viver isso contigo, a cada segundo. Maldição … Não conseguia dizer a ela sobre o fato mais importante: Não poderiam se casar. Ele olhou para ela, e o brilho nos olhos de Bella parecia iluminar o mundo inteiro. Um silêncio confortável e cheio de tensão pairou por alguns instantes. Então, lentamente, ele a puxou para perto, e ela se deixou envolver. O beijo que se seguiria foi intenso, carregado de desejo e emoção contida. Cada toque de seus lábios era como uma promessa silenciosa, cada suspiro compartilhado uma confissão. Charles segurou Bella com firmeza, mas com cuidado, como se temesse quebrar algo precioso. Ele começou a explorar cada reação dela, a sentir cada estremecimento, cada tremor de ansiedade e prazer. — Bella… — murmurou ele entre beijos, a voz rouca, os olhos semicerrados — você… você não imagina o quanto significa para mim. Ela apenas gemeu suavemente, apertando-o contra si, sentindo a intensidade do momento. Cada toque parecia dissolver a distância que existira entre eles por anos, cada gesto uma ponte entre o que sempre existira e o que finalmente se tornava real. Seus dedos tremiam ligeiramente enquanto ele, com cuidado quase reverente, começou a desamarrar o vestido dela, lentamente, respeitando cada instante. O coração de Bella disparava, uma mistura de ansiedade e desejo, mas também de confiança absoluta nele. Porém, no momento em que estava prestes a se entregar totalmente, Charles se afastou bruscamente, respirando fundo, tentando controlar a onda de emoções que ameaçava dominá-lo. — Não… não posso — disse ele, a voz trêmula, mas firme. — Não ainda, Bella. Eu… preciso te respeitar, e ainda há tanto que precisamos resolver… sobre a minha vida, sobre nós… Ela o encarou, ainda respirando com dificuldade, os olhos brilhando de emoção e leve frustração. — Charles, eu quero, eu … — começou, mas ele a interrompeu suavemente, colocando um dedo em seus lábios. — Eu sei. E eu… eu sinto muito. — Ele respirou fundo, os ombros tensos, a mente tentando organizar sentimentos conflitantes — Mas essa noite… essa noite é nossa, para sentir, para estar juntos, mesmo que não possamos ir além. Bella sorriu, um sorriso pequeno, mas cheio de confiança. — Está bem… eu entendo. — E, por um instante, se apoiou contra ele, sentindo o calor do corpo dele, a presença firme e reconfortante, e ainda assim, carregada de desejo contido. Eles ficaram assim por alguns minutos, abraçados, permitindo que o mundo exterior desaparecesse, enquanto o lago refletia a lua crescente. A tensão se transformou em algo suave, íntimo, uma conexão silenciosa que não precisava de palavras. Quando finalmente se separaram, Charles segurou a mão dela por mais um instante, os dedos entrelaçados, e murmurou baixinho: — Amanhã, Bella… amanhã será só mais um dia nosso. Mas prometo que farei o possível para que nada estrague isso. Ela apenas assentiu, os olhos brilhando, sabendo que aquele momento seria lembrado para sempre, mesmo que ainda não pudessem viver tudo o que desejavam. Com um último sorriso, ela se afastou, o coração ainda acelerado, mas aquecido por cada gesto, cada palavra, cada toque. E assim, naquela noite silenciosa, o lago testemunhou o início de algo que nem mesmo as promessas, os medos ou as obrigações poderiam apagar. Um amor que, embora contido e cauteloso, finalmente começava a se tornar real, e que a cada encontro crescia, entre beijos ardentes e respeito mútuo, sob o céu estrelado que os observava pacientemente.
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