Cap. 18

945 Words
No dia seguinte, Bella acordou ainda com a memória da noite anterior estampada nos olhos, o coração acelerado e o desejo de reviver cada instante junto a Charles. Tomou o desjejum com as mães e Ruan, mas m*l conseguia concentrar-se. As lembranças do beijo, da intensidade e do toque de Charles insistiam em se sobrepor a qualquer pensamento trivial. — Bella, querida! — exclamou Suzana com entusiasmo, interrompendo os pensamentos da moça. — m*l posso esperar para lhe contar! Consegui outro baile para você! Vai ser um evento incrível, cheia de gente importante, e… — Ela fez uma pausa dramática —, será perfeito para conhecer novos cavalheiros! Bella suspirou, tentando sorrir, mas sentiu uma pontada de ansiedade. Por um instante, a ideia de mais um baile parecia divertida, como nas recomendações das mães, mas a lembrança de como a noite anterior terminara a deixou inquieta. O dia passou lentamente entre passeios, preparativos e conversas triviais, até que a noite finalmente chegou. Bella vestiu-se com cuidado, escolhendo um vestido elegante e discreto, tentando esconder a ansiedade que crescia em seu peito. Ruan estava animado, brincando com ela enquanto ajustava detalhes do traje e das joias, mas Charles parecia distante, um pouco mais sério do que o habitual. Quando chegaram ao salão, Bella percebeu imediatamente que a atenção de Charles estava voltada para outra pessoa: Lady Daniela. A mesma moça loira, pálida e de olhos claros que ele estivera acompanhando no primeiro baile. Charles conversava com ela com gentileza, mantendo a postura de cortesia, mas sem o brilho nos olhos que Bella conhecia tão bem. Ele estava ali por obrigação, por dever, mas não por escolha. O coração de Bella apertou-se, uma mistura de frustração, tristeza e confusão. Tentou esconder o desalento, mantendo-se elegante, mas cada gesto de Charles junto a Lady Daniela parecia uma distância crescente entre eles. Ele sorria, inclinava-se para falar com a jovem, e Bella sentiu-se invisível, mesmo estando tão próxima. Durante todo o baile, Bella esforçou-se para manter a compostura, dançando com outros cavalheiros e aceitando cortesias de modo educado. Mas a cada olhar de Charles para Lady Daniela, o desânimo crescia. Ela lembrava de todas as vezes que pensara em um futuro com ele, imaginando que ele logo a pediria em casamento, e agora parecia que tudo aquilo tinha sido apenas uma ilusão. No fim da noite, cansada e arrasada, Bella retirou-se para seus aposentos. A carruagem, silenciosa e lenta, conduziu-a de volta à mansão dos Hunt. Ao chegar, subiu as escadas com passos pesados, sentindo o coração partido. Entrou no quarto e, finalmente sozinha, as lágrimas que havia contido durante toda a noite caíram livremente. Não entendia nada: por que Charles estava tão distante? Por que parecia tão dedicado àquela moça? Será que tudo que compartilhara com ela até agora tinha sido apenas diversão para ele? Sentou-se à beira da cama, abraçando o travesseiro, e suspirou profundamente. O vazio deixado pela presença dele naquela noite a esmagava de uma forma que não conseguia explicar. Pensou no beijo da noite anterior, na intensidade do toque, na sensação de proximidade… e agora tudo parecia um contraste c***l. Enquanto isso, Charles caminhava sozinho pelo salão, observando o término do baile e os convidados dispersarem. Tentava organizar os próprios sentimentos, mas a mente teimava em voltar para Bella. Ele sabia que devia ser firme, que tinha responsabilidades pesadas, que a promessa feita ao pai dela pesava em seus ombros. Também sabia que sua situação financeira — instável e urgente — poderia obrigá-lo a um casamento estratégico. Ele não podia, ainda, deixar-se levar completamente, embora cada fibra de seu corpo desejasse estar junto dela. Ele havia planejado, durante o dia, finalmente esclarecer tudo para Bella, contar sobre as dividias e a necessidade de cautela quanto ao seu futuro, mas o momento nunca surgira. Entre a obrigação de dançar, cumprimentar convidados e manter as aparências, Charles não encontrou oportunidade. E agora, ao vê-la partir para seus aposentos, não conseguiu evitar a sensação de culpa. No quarto, Bella deitou-se, abraçando o travesseiro com força, o coração pesado. Pensava em Charles, em seus olhos, em cada toque, e em como tudo poderia ser tão diferente se ele decidisse compartilhar seus sentimentos sem restrições. Sentiu-se dividida entre o amor que carregava e a frustração por não entender completamente o que ele queria, ou podia oferecer. Enquanto isso, em outra parte da casa, Ruan observava discretamente, sentindo-se confuso e um pouco irritado. Notava a tensão entre os irmãos e a atenção quase silenciosa de Charles para Bella, e, embora não tivesse se aproximado da discussão, sentia que algo estava acontecendo que ninguém mais entendia completamente. Ele próprio carregava sentimentos intensos por Bella e a frustração de vê-la tão próxima de Charles sem que nada se esclarecesse apenas aumentava o ciúme e a raiva contida. Bella, sozinha em seu quarto, finalmente permitiu-se um suspiro longo, resignado e triste. Sabia que a noite não terminara como esperava, que as expectativas que alimentara com tanto cuidado tinham sido abaladas, mas ainda assim guardava um fio de esperança: Charles a amava de alguma forma, disso tinha certeza, e em algum momento tudo se esclareceria. Por agora, tudo que podia fazer era chorar em silêncio, deitar-se e esperar pelo próximo encontro, desejando que, de alguma forma, a compreensão e a verdade chegassem em breve. O silêncio da mansão tornou-se quase reconfortante, e Bella adormeceu entre sonhos confusos, misturando beijos, abraços e a promessa de dias melhores. A frustração, o amor e a esperança formavam uma mistura de sentimentos que só aumentava a intensidade do vínculo entre ela e Charles, mesmo que, naquele instante, tudo parecesse um pouco doloroso demais para o coração da jovem.
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