Caminhos do destino

888 Words
O universo tem formas estranhas de oferecer conforto, mesmo que o abismo parece fundo demais, sempre há uma teia, ainda que invisível, disponível para que possamos nos agarrar a ela e escalar para fora da escuridão. Mesmo nos momentos mais sombrios, quando tudo parece perdido, o universo nos presenteia com pequenos sinais de esperança. Lina ainda não sabia, mas aquela manhã, o encontro intenso e que a encantou e envergonhou em igual maneira fazia parte dos planos sorrateiros do destino. - Desculpa, preciso preparar o almoço do meu marido. - Não precisa, precisa respirar, sorrir, comer... Não de cozinhar para outra pessoa, ele não é seu dono, uma palavra e você pode dar fim a isso. Vou estar ali, só depende de você. Estarei torcendo. E realmente estava, nem mesmo sabia o porquê, mas estava. Faria aquele serviço sem cobrar absolutamente nada, só precisava que ela quisesse. - Com licença, seja bem-vindo ao bairro. E muito obrigada. Lina não sabia pelo que estava agradecendo, parecia estar entendendo as coisas da pior forma e tentou se convencer de que estava enganada, virou as costas, deixou a vassoura cair e antes que pudesse de abaixar para pegar, Vitto estava em frente a ela, lhe entregando. Gaguejou com a proximidade, os olhos do italiano começaram no rosto de Lina, mas não resistiu ao decote, foi breve, ainda assim ele registrou cada detalhe. - Precisa ser mais cuidadosa, bella. - Desculpa - Está se desculpando por ter deixado a vassoura cair? Lina sentiu o rosto esquentar e abaixou os olhos, sem saber como responder. Vitto parecia fascinado, o olhos brilhando com uma mistura de curiosidade e algo mais que Lina não conseguia decifrar. - Não precisa se desculpar, adorei te ajudar. O italiano disse com a voz suave, ainda segurando a vassoura. - É normal, bella, às vezes a vida nos faz deixar coisas caírem. Mas o importante é como reagimos a isso. Lina sorriu, levantando os olhos para encontrar o olhar intenso de Vitto. Havia algo nele que a deixava desconcertada, mas ao mesmo tempo, atraída pela presença forte. Era como se ele tivesse o poder de fazer o tempo deixar de existir. - Acho que sou um pouco desastrada. Tentou disfarçar o nervosismo com uma risada e foi a vez de Vitto sentir os batimentos acelerarem e derretem a aura de frieza como se o sorriso de Lina fosse uma brasa quente em uma geleira, aqueles lábios pareceram se fundir ao peito masculino deixando uma sensação de apreensão, curiosidade e dҽsҽjơ . Vitto deu um passo à frente, ainda segurando a vassoura, e se aproximou mais de Lina. O perfume italiano tinha um toque amadeirado e suave, e a mulher de Henrique sentiu seu coração acelerar. A voz que soou próxima, baixa e rouca, com os lábios quase tocando a ponta do nariz que ela mantinha erguido tentando não parar de olhar para Vitto. Também a fizeram se arrepiar. - Não se preocupe com isso. Todos nós somos um pouco desastrados às vezes. E eu estou aqui para ajudar, a hora que precisar, bella. Lina sentiu como se uma corrente elétrica percorresse seu corpo, algo que ela não conseguia definir completamente. Havia algo reconfortante na presença de Vitto, uma sensação de segurança que ela não sentia há muito tempo. - Obrigada, Vitto. Ele sorriu, um sorriso que fez o coração da mulher de Henrique disparar ainda mais. Vitto havia gostado de ouvir o próprio nome na voz de Lina. - Sempre, bella. Finalmente ele lhe entregou a vassoura. Os dedos do italiano roçaram os dela por um breve momento, e Lina sentiu um calafrio percorrer sua espinha. - Preciso voltar para dentro, mas foi um prazer imenso conhecer você. - O prazer foi todo meu. Estarei por aqui se precisar de qualquer coisa. Lina entrou em casa, sentindo o coração bater completamente sem compasso dentro do peito. Fechou a porta atrás de si e se deixou escorregar até o chão, tentou processar o que tinha acabado de acontecer. O sorriso nasceu em seu rosto como há muito tempo não acontecia. Enquanto preparava o almoço, os pensamentos de Lina continuavam a girar em torno de Vitto. O jeito como ele a olhava, a gentileza em suas palavras, tudo isso a fazia sentir algo que há muito estava adormecido dentro dela. Um desejo de ser vista, de ser valorizada por quem realmente era. Mais tarde, enquanto ela servia o almoço, Henrique notou o brilho em seus olhos. - O que te deixou tão animada hoje? Henrique perguntou com a voz desconfiada, mas sem realmente olhar para ela ou para a comida. - Nada! Ela respondeu o mais rápido que pode, a voz saiu ansiosa, as mãos tremeram e ela derrubou a frigideira com os ovos que Henrique havia pedido em cima da hora. Queimou a mão e sujou a calça do marido, ela se abaixou para limpar, com pressa, mas ele a puxou pelos cabelos e a jogou no chão. - V@DIA BURRA! OLHA O QUE VOCÊ FEZ! Lina começou a chorar e se desculpar, não teria cometido aquele erro se não estivesse distraída, tentou subir as escada para pegar uma nova calça para o marido, mas foi puxada pelo tornozelo, quando viu o punho do marido, ela apenas fechou os olhos, mas antes que o impacto a atingisse a campainha tocou.
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