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1304 Words
O sol da manhã entrou como um intruso dourado pelo vitral do quarto, desenhando padrões sobre a pele nua de Layla. Ela esticou o corpo como um gato, sentindo cada músculo despertar – alguns doloridos da noite anterior, outros surpreendentemente relaxados. Zayn já estava acordado, sentado na beira da cama com um tablet nas mãos, vestindo apenas um par de boxers pretos que deixavam pouco à imaginação. —Bom dia, *habibti* —disse sem virar-se, os dedos deslizando sobre a tela. Layla engatinhou até ele, envolvendo seus braços em torno de seu torso nu, pressionando os lábios contra a marca de mordida que deixara entre suas omoplatas. —Já trabalhando? —murmurou contra sua pele, sentindo o cheiro único dele – café, papel e sexo matinal. Ele desligou o dispositivo com um clique. —Cancelando meus compromissos. —Virou-se para pegá-la pelo quadril—. Hoje é só seu. Zayn levou-a para os jardins privativos, onde o lago refletia o céu sem uma única ruga. Sem uma palavra, ajudou Layla a deitar-se sobre uma grande pedra plana aquecida pelo sol. —Feche os olhos —ordenou suavemente. Seus dedos começaram a percorrer seu corpo como um músico explorando um instrumento desconhecido. Toques leves nos tornozelos. Pressão firme nas panturrilhas. Círculos lentos na parte interna das coxas que fizeram Layla arquear as costas. —Shhh... —ele sussurrou, soprando sobre seu sexo molhado—. Só sinta. Quando sua língua finalmente a tocou, foi com uma reverência que faltara em seus primeiros encontros. Layla enterrou os dedos em seus cabelos, não para controlar, mas para *ancorar-se*, enquanto a onda de prazer a levava sem pressa. —*Zayn...* —gritou quando o orgasmo a atingiu, seu corpo tremendo como uma folha ao vento. Ele sorriu contra sua pele. —*Só o começo. No almoço, Zayn alimentou-a com as mãos como antes, mas desta vez cada toque carregava uma pergunta silenciosa: *Você gosta disso?* *Quer mais?* *Posso?* E Layla respondia com gemidos contidos quando seus dedos lambuzados de mel escorriam por seu pescoço até os s***s, ou quando ele lambia o vinho tinto de seu umbigo como se fosse um cálice sagrado. —Você está me estragando —acusou ela, mordendo um figo maduro que ele segurava. Zayn beijou o suco que escorria de seus lábios. —É meu dever como seu amante. A palavra ecoou entre eles – *amante*, não dono, não mestre. Aisha chegou no meio da tarde, encontrando-os entrelaçados na biblioteca. Layla estava sentada no colo de Zayn, lendo em voz alta um poema árabe enquanto ele traçava padrões invisíveis em sua coxa nua sob o vestido. —Parece que as coisas mudaram —observou Aisha, uma sobrancelha arqueada. Zayn não retirou a mão. —Evoluíram. Layla sentiu o coração acelerar quando Aisha sorriu, *de verdade*, pela primeira vez desde que se conheciam. —Sobre tempo, irmão. Naquela noite, enquanto Layla vestia apenas o colar de asas para jantar, Zayn confessou: —Tenho medo. Ela congelou com o garfo a meio caminho da boca. —De quê? Ele olhou para o pingente brilhando em seu decote. —Que um dia você perceba que essas asas podem carregá-lo para longe de mim. Layla levantou-se, contornando a mesa para sentar-se em seu colo, envolver seus braços em torno de seu pescoço. —Asas servem para duas coisas, Zayn —sussurrou contra seus lábios—. Voar *e* voltar para casa. Quando ele a levou para a cama naquela noite, foi com uma mistura de posse e reverência que fez Layla gritar não apenas de prazer, mas de *reconhecimento*. Ela era dele. *Mas agora, finalmente, por escolha própria. O jantar terminara, mas a noite m*l começara. Zayn levou Layla até a sala de música, onde um grand piano de ébano reluzia sob a luz das velas. —Você nunca me mostrou isso —Layla acusou, passando os dedos sobre as teclas frias. Zayn ficou atrás dela, seu calor irradiando através do fino vestido de seda. —Havia muitas coisas que eu não mostrava. Suas mãos cobriram as dela, guiando-as em uma melodia simples. A música ecoou na sala vazia, íntima como um segredo. —Por que agora? —Layla perguntou, sentindo o corpo dele se moldar ao seu. Os lábios de Zayn encontraram seu pescoço. —Porque agora você merece conhecer o homem, não o monstro. Ela virou-se no banco, enfrentando-o. —E se eu gostar dos dois? O rugido que escapou de Zayn foi quase animal quando a levantou sobre o piano, as partituras voando pelo ar. O corpo de Layla arqueou contra o piano frio quando Zayn a posicionou sobre a madeira polida. —Segure-se —ordenou, puxando seus pulsos para as bordas do instrumento. Cada tecla que seu corpo pressionou criou um acorde dissonante, transformando-os em parte da música. Zayn a beijou com uma fome recém-descoberta, seus dentes puxando o lábio inferior dela enquanto suas mãos descobriam cada centímetro de pele disponível. —Eu quero tocar você como toco meu piano —ele sussurrou, mordiscando seu pescoço—. Conhecer cada nota que faz você gemer. Quando finalmente entrou nela, foi com uma cadência perfeita – cada estocada sincronizada com um acorde que ele tocava com uma mão, enquanto a outra mantinha Layla imóvel sobre o instrumento. —*Zayn!* —ela gritou quando o orgasmo a atingiu, seu corpo contraindo-se violentamente. A última nota ecoou pela sala quando ele a segurou contra seu peito, ambos ofegantes. —Ainda tem medo das minhas asas? —Layla provocou, sentindo seu coração acelerado contra o dele. Zayn enterrou o rosto em seu pescoço. —Só se pararem de me levar de volta para você. Na manhã seguinte, Layla acordou com o cheiro de cardamomo e café fresco. Zayn estava na varanda, conversando em árabe baixo no telefone. —...não, o contrato com os Al-Fayed está cancelado... Sim, eu sei o valor... Não, não há discussão. Ele desligou com um rosnado e só então percebeu Layla observando. —Problemas? —ela perguntou, envolvendo-o por trás. Zayn girou em seus braços. —Negócios antigos. Dos tempos em que achava que poder significava crueldade. Ele contou-lhe então sobre os contratos que cancelara, os acordos sujos que desfizera nas últimas semanas. —Por que está fazendo isso agora? Seus olhos encontraram os dela. —Porque quero merecer suas asas. Aisha apareceu no final da tarde com uma caixa de veludo. —Para você —entregou a Layla—. Pensei que poderia precisar. Dentro, um conjunto de braceletes de prata – lindos, delicados, mas com um pequeno detalhe: —São chaveáveis —Aisha explicou, mostrando o mecanismo discreto—. Mas só você tem a chave. Layla olhou para Zayn, vendo seu queixo tensionar. Um teste. —Posso? —ela perguntou. Ele respirou fundo, mas assentiu. —Sua escolha. Quando os braceletes fecharam em seus pulsos naquela noite, Zayn gemeu como se estivesse sendo libertado, não contido. —*Layla...* —Shhh... —ela sussurrou, montando-o—. Desta vez, eu conduzo. E quando ela usou a chave para prendê-lo à cabeceira da cama, ambos descobriram um novo tipo de prazer – aquele que vem não da posse, mas da **entrega. Na madrugada, com os braceletes já abertos e abandonados no chão, Zayn acariciou as marcas vermelhas em seus pulsos. —Machuquei você. Layla riu, rolando por cima dele. —E eu gostei. A diferença é que agora... —beijou cada pulso— ...eu escolhi. Zayn olhou para o pingente de asas piscando no pescoço dela à luz da lua. —Talvez eu nunca mereça você. Ela pegou seu rosto entre as mãos. —Não se trata de merecer. Trata-se de escolher, todos os dias, tentar. Quando o sol nasceu, iluminando seus corpos entrelaçados, nenhum deles precisou dizer o óbvio: As asas tinham raízes agora. E ambas estavam exatamente onde queriam estar.
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