Rachel.

2694 Words
A tarde toda na empresa foi maravilhosa, não  queria deixar nenhuma pessoa deixar de se esnobar. Encomendei um vestido para a ocasião  e nada melhor que um bom final de noite. Será  uma comemoração na qual apenas alguns convidados irão participar, disse que não  aceito ou permito qualquer foto em rede social ou qualquer outro meio de visão. Quero chegar na dúvida para que Levinsk descubra realmente quem é a dona. Sorrio assim que chego na porta da empresa. __ Exatamente oque precisava.- Uma Ferrari me aguarda de portas abertas. Olho para meu motorista e o dispenso pelo restante da noite. Entro em meu mais novo brinquedo  e antes que eu possa revisar, acelero. É macio, é confortável  e é bastante leve. Coloco uma música e antes que eu percebo estou quase chegando. Qual seria a visão  de Levinsk sobre mim? O que será  dele? Olho para um grupo de pessoas que vagarosamente fazem uma roda. Vejo uma moça lutando contra uma outra mulher e paro o carro ao longe. Várias  meninas chutam ela, enquanto a pobre coitada maltrapilha, chora pedindo perdão. Ajo por impulso, desço  do carro em toda  elegância que qualquer  um poderia ter. Parece que foi exatamente feito para atrasar minha noite. Olho para aquela menina no meio do grupo de meninas, um grupo de homens ficam olhando sem fazer nada. Eu estou grávida, mas não  posso deixar ela apanhar.  Com meu salto agulha caminho em direção  as meninas, que logo notam minha presença. __ Bate mais. – Grita uma ruiva azeda. __ Por favor.. – Suplica a menina caída no chão. __ Solta ela. -Grita um homem que não  se aproxima.  Eu sou assim, nunca  apanhei no colegio, não  sei se foi minha mãe  que sempre  que eu falava estar sendo ameaçada, me julgava. Ou me ameaçava  de apanhar  na escola, em casa. Sempre fora assim. Com isso aprendi  a deixar de ser i****a, passa da hora delas tomarem vergonha.  Com os dois braços eu abro passagem, empurrando as meninas  que me olham de cima embaixo. Como pode existir seres assim? Se bem que eu tenho vontade de pegar Raynara assim também.  Mas a menina estava sangrando, não  permitiria isso nunca. A menina  que está  batendo sem dó alguma na menina, para e me encara chocada. Me abaixo e com certa dificuldade seguro o braço  da pobre menina que estava sendo violentada. Ela era uma loira, pálida, e cheirava a mijo. Ela me olha como uma rainha, eu realmente estava muito bem arrumada mesmo. Coloquei um vestido azul marinho de renda, com estilo sereia.  É todo rendado, bastante lindo. Meu scarpin preto deixa a desejar para qualquer  mulher. __ Qual seu nome?.- Pergunto  para a menina que batia sem dó  na moça. __ Renata. -Ela gagueja. Seu tamanho não  passava de 1;65. Tadinha dela em quase meus 1;70 com esses saltos. Mas se bem que não  é bem o tamanho que faz  a diferença, e sim o talento. __ Sabe o que você  é Renata?.- todos me observam.  __ É uma desclassificada. Sua classe social é tão  baixa, que esse salto não  seria digno de pisar sobre.  Machuque alguém  de seu tamanho, não  uma pessoa boa e gentil. -Ela me olhava assustada. Eu a humilhei, mas é por merecer. __ Você  tá  certa. – Abaixa a cabeça  se confirmando. __ Eu sei que estou.- concordo.  __ Agora vai para casa, e durma. – Digo olhando para aquele ser tão nobre, mas que prefere bater. __ Me desculpe. -Ela pede gentilmente.  __ Eu não  te desculpo. Talvez a bondade  dela o faça  por mim. – Olho para a menina que segurava os braços  sentindo frio. __ Desculpa... -Ela encara a menina, e logo a coitada  vira o rosto. Olho ao redor e vejo varias pessoas com celulares tirando fotos, fazendo o que fazem de melhor. __ E vocês?.- Pergunto olhando para as mulheres.  __ Por que ao invés  de procurar mais intrigas, não vão  lavar uma pia de louça  suja?. – Pergunto fazendo alguns homens  riem. __ Quem você  acha que é?.-Pergunta uma mulher mais escondida lá  atrás. __ Sou quem sou. E te garanto que alguém  com o carácter  mais forte que o seu. -Ela parece ferver. Com a mulher nos braços  caminho para meu carro, deixando todos para trás.  Ela é uma mendiga pelo jeito. Seu cabelo é de um tom loiro claro, seus olhos são  negros, sua pele é branca e macia. Apesar de mendiga é linda. __ Venha comigo.  – Abro a porta para ela entrar. Dou a volta no carro e sigo de volta para casa. Vou atrasar, mas tenho que ajudar ela primeiro. ** Deixei ela na minha casa, não  poderia mas já estava feito, e para falar a verdade não ligo. Deixei que Mel dar banho e vestir como deveria. A entrada do lugar não  estava lotada mas percebi alguns homens vestidos de ternos me encararem. __ É ela?.- Um homem pergunta para o outro assim que desço  do carro. Meu vestido estava destacando, enquanto passo pelo meio daqueles homens alguns desconhecidos, me sentia viva.  Eu nunca pensei que poderia ter todo esse poder, algumas mulheres me cumprimentam e escuros vários murmúrios.  Não  é possível que será assim para sempre. Na verdade eu não estava nem ai... só queria o que eu tinha e minha meta. __ Esta linda. – Um homem se aproxima com todo seu charme. __ Obrigada... __ Alessandro.  – Ele se apresenta. É um moreno alto, de quase dois metros, com mais ou menos uns quarenta anos. __ Graças a Deus você chegou. – Eduardo me aborda. Ele estava impecavelmente lindo em um terno azul marinho, sua barba estava por fazer, de maneira que deixou ele com mais testosterona ainda. __ Temos que iniciar.  – Uma mulher de uns trinta anos se aproxima. Ela me encara e sorri sem vontade alguma. __ Ela se atrasou. – Eduardo me defende. __ Mas é algo sério.  – Ela ainda me encara com raiva, por causa do meu atraso. __ Calma, ninguém morreu querida. – Com Eduardo me dando a mão saímos de perto dela. Peço licença para Alessandro que apenas observava calado. __ O que aconteceu que você sumiu?.- Ele parecia nervoso, a forma como mordia o lábio inferior denunciava que algo nele perto de mim, o deixava incomodado. __ Tive que salvar uma pessoa da briga. -Seus olhos se arregalam.  __ Calma, esta tudo bem. – Digo tranquilizando-o. __ Espero que sim. – Ele sobe em uma espécie de palco. O lugar estava abarrotado de cadeiras, as pessoas se sentaram, e só podia ser visto várias mulheres com seus parceiros, muito bem vestidas. Já os homens estavam todos de ternos, indicando um cargo na minha empresa. Dizer minha, é algo diferente. A mulher que me encarou f**o, e dei uma resposta nela estava me encarando com nojo.  __ Boa noite senhoras e senhores. -Eduardo se apresenta.  __ É com grande honra que hoje nessa noite venho homenagear Rachel Withers. -aponta para mim e salvas de palmas são distribuídas.  Subo no púlpito e escuto algumas pessoas cochicharem ainda mais. __ Rachel Withers era uma secretária, como qualquer outra, mas foi homenageada por Othon Frender, tendo como recompensa nada mais que a herança dele. -Alguns risos são distribuídos.  Não poderia ser apenas a herança, era a herança.  E que afinal era enorme.  __ É com grande honra que digo que Rachel Withers terá daqui para frente o comando na Inter Mouse. Vamos recebe-la e vemos o que ela tem a falar.- Ele me aponta e tremendo olho para ele agradecendo. __ Boa noite. -Digo enquanto várias  pessoas me encaram em expectativas. __ Eu não esperava que Othon Frender deixaria tudo esse peso sobre mim, mas quero que saibam que não deixarei nada desandar, tomarei providência sobre qualquer intrusão ou algo que aparentemente possa ser visto na Mouse.  – Um homem levanta o dedo e o encaro.  __ Diga. Falo __ Como acha que a empresa será bem governada por uma mulher?.- - Ele me faz rir e um peso, junto com uma resposta m*l criada me vem a tona. Não  abaixarei minha personalidade por uma pergunta sem classe. __ Bem. -Ele espera e simulo as palavras. __ Pelo que saiba, a mulher é aquela que te gerou, e sem falar que com certeza não  deve ter sido tão fácil acredito.  Então senhor, exijo que rever seus conceitos sobre cada mulher, o erro do homem é achar que uma mulher não  é digna de tal diploma quanto ao homem. -Ele engole em seco morto de vergonha.  __ E por último, não  sei como irei governar de início, mas o importante é que seu salário  estará depositado no fim de cada mês.  – Me viro para Eduardo e sua boca está  aberta. __ Obrigada. -Fala abaixando a cabeça o mesmo homem, que veio com um ar de autoridade que não  sei de onde saíra. __ Bem, quero deixar claro que eu como nova dona da empresa, quero esclarecer algumas coisas que infelizmente não  atolerarei daqui para frente.  – A mesma mulher me encara com desgosto. Ela só poderia ter algo contra.  __ Com toda licença, poderia se levantar e sair?.- Olho para ela e todos a encaram estupefatos. __ E.. eu?.-Pergunta ficando rubra. __ Por favor, se retire.  -Ela se levanta cabisbaixa e saí da minha apresentação. Ela estava me estressando.  __ Quero deixar claro que qualquer fofoca dentro da Mouse sobre qualquer coisa, terá que se resolver comigo. – eles concordam.  __ Qualquer um que me fizer pensar algo, será redirecionado a minha sala. – Estava feliz por poder dar as ordens, em tudo que queria. Termino de falar o que pretendo fazer para a Mouse, e logo a festa em comemoração começa  a ser servida. É um jantar preparado tudo por Eduardo, não poderia beber, apesar de estar louca para saber realmente o gosto daquela bebida que Eduardo tomava se frente para mim. __ Parabéns.  Seja bem vinda. – Um homem  me da as felicitações. __ Obrigada. – A minha noite foi praticamente entre isso, sorrisos para todos, e pegar na mão de várias pessoas. Estava já  cansada. A festa terminou quase as duas da manhã, dizer que estava feliz era mentira. Talvez estava por ter agradado quase a todos, a moça que mandei sair da sala, foi embora e descobri que é uma aliada estupida da empresa de Los Angeles. __ Tem certeza que  não  quer que eu te leve?.- Pergunta sorrindo Eduardo. Ele era apaixonante.  __ Tenho sim. – digo abrindo a porta do carro. __ Então até a semana que vem.  Eu te ligo assim que tudo estiver no controle. – Ele embarcaria para Nova York no dia seguinte para a empresa e Levinsk. Estava com um sorriso maroto no rosto. Assinei a compra a empresa e disse que não me apresentaria por agora, esperaria até  as próximas semanas. Não  quero que ele descubra nada sobre mim, e sem falar que não  quero que saiba que foi eu quem comprou.  Saberá que foi uma mulher, mas não  saberá  que fora eu. Eduardo me ligaria assim que terminasse a reunião na sexta feira. E eu enfim poderia ter a apresentação  de Levinsk como queria. __ Boa viajem. – Dou um abraço  de agradecimento e ele parece ficar envergonhado. __ Obrigada senhora. – E entro no carro dando partida no carro. ** Uma semanas se passou, não  posso dizer que estou triste, muito pelo contrário hoje é uma consulta onde tentaremos ver o s**o do meu bebê. Estou exatamente de quatro meses e a médica me garantiu que eu conseguiria ver da próxima  vez. Por falar nisso, não tive  nem tempo de dizer. Aquela moça  a qual salvei a uma semana atrás  é nada mais que minha nova secretária. Ela foi expulsa de casa por sua mãe, pois está  grávida! Tem apenas vinte  anos e graças  a Deus, aquela briga não acertou sua barriga e esta tudo bem com o bebê.  Seu nome é Joelma.  É uma ótima pessoa. Hospedei ela na minha casa, por insistência de Maik. Ele se comoveu com a história  e não  queria deixa-la desamparada. Minha mudança está sendo feita hoje para a mansão, e por insistência  agora minha, disse que quero que Joelma me acompanhe para assim eu ter uma companhia. Olho para aquele tráfego chato e minhas mãos  suam. Minha barriga esta redondinha, parece que tenho uma felicidade dentro de mim.  Ontem a noite foi a primeira vez que senti minha barriga tremer, meu coração  acelerou. __ Tem que ser menina.-Maik ainda resmungava impaciente. __ Vai ser. – Eu não sabia, mas parece que eu sentia uma convicção.  __ Você  está  meio triste hoje. – Eu estava meio triste sim, afinal estava indo saber o s**o do meu filho sozinha. O pai do meu filho, não  estava comigo, e era impossível  se sentir bem com isso. Mas essa era apenas mais uma consulta na qual não  teria Levinsk do meu lado. Olho para meu celular e vejo que não  tem nenhuma mensagem, não  me mandara nenhuma mensagem desde o dia em que mandara a última dizendo vir atrás de mim. Eu estava  acostumando com minha vida, tinha  o respeito de todos  na empresa, e eu agradeci a Deus por ter realmente alguém com quem contar, no caso: Eduardo. Ele não  me ligou, e não  me dera notícias sobre o que aconteceu com Levinsk e ele por lá.  Mas hoje assim que puder, ligarei para ele. Afinal a reunião foi hoje, e tenho o direito de saber o que aconteceu. Confesso que estou ansiosa. __ Sim, hoje eu estou meio incomodada. -Ele concorda me encarando. Maik era uma das coisas mais boas que me aconteceu em ter vindo para cá.  Mel é ótima também, mas ele é mais próximo  de mim. Seu humor, misturado com seu toque de paixão encanta qualquer  um. __ É um i****a. – Maik fala se referindo a Levinsk.  __ Se eu gostasse da fruta,eu te pegaria. – Gargalhamos e começo  novamente a dirigir. Enquanto espero ser chamada, observo uma mãe  que entra com sua filha recém nascida no colo. Ela estava com os cabelos bagunçados, estava com um monte de olheiras, com uma cor pálida  e meio triste enquanto segurava a criança.  Me peguei pensando se eu passaria por isso! Afinal  de contas, eu estava  falando  de noites sem dormir, de cabelos bagunçados  por falta de tempo, unhas sem fazer etc. Mas não  sei por que, eu já amava mais que tudo esse ser que eu construo dentro  de mim, e para falar a verdade? Não  me importaria nem um pouco, era por uma causa precisa. __ Rachel Withers. – Uma médica toda de branco  chama. Pego na mão  de Maik e ele fica sem entender por um tempo. Fui com uma calça  larguinha, e uma blusa larguinha também, com a mesma estampa da calça. Me deito naquela maca e me arrepio. __ Acha que já  podemos  ver o s**o?. – Maik pergunta enquanto se senta ao lado daquela caminha que deitei. Ele é fofo. __ Olha que papai ansioso. – Maik fica pálido.   __ Sim, hoje mesmo saberemos o s**o do bebê.  – Ele concorda. Não  diz nada, e também  não  digo. Me calo. Ela levanta minha blusa e antes que eu perceba, passa aquele  gel na minha barriga. É gelado, e espesso. Ela coloca algo gelado, e vai movimentando sobre minha barriga, escuto a primeira  vez o coração  do meu bebê.  Bate firme, e forte. __ Olha que coisinha mais linda, tem um coração  forte  e muito saudável.  – lágrimas  preenchem meus olhos. __ Fala doutora, o que é?.- Vejo uma imagem perfeita na tela em preto e branco, mas não  consigo distinguir o que possa ser. __ Parabéns  papai e mamãe.  -Ela olha novamente e sorri alegremente, ainda sem saber que Maik não é o pai. __ Vocês  serão  pais de uma  linda menina. -Olho para aquela tv pequena, e choro. Meu coração  acelera e lágrimas de alegria me faz ficar mais ainda feliz, eu vou ser mãe  de uma menina, de uma princesa. Escuto um barulho, olho  para o lado e encontro Maik caído no chão. Ele desmaiou.
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