Capítulo 26

1004 Words
Um Gesto Diante de Todos O reino já não era apenas um lugar de abrigo. Era lar. Era caminho. Era futuro. As pessoas seguiam suas rotinas com mais leveza agora. Havia risos espalhados pelas ruas, conversas ao entardecer, pequenos gestos que antes não existiam. E, entre esses gestos… Havia algo que Lia começava a notar cada vez mais. Mãos dadas. Simples. Natural. Mas cheio de significado. E, toda vez que via… Algo dentro dela se movia. Maphis também percebia. Não apenas os outros. Mas ela. O jeito como o olhar dela demorava um pouco mais nesses momentos. Como desviava logo depois. Como ficava em silêncio por alguns segundos. Ele entendia. E, mais do que isso… Sentia. Naquela tarde, enquanto caminhavam pelo reino — lado a lado, como sempre — Lia estava mais quieta. — Você tá pensando — disse Maphis. Ela sorriu de leve. — Você sempre sabe. — Sempre. Ela olhou ao redor. Um casal passou por eles. De mãos dadas. Rindo de algo que só os dois entendiam. Lia acompanhou com o olhar. E, dessa vez… Não desviou imediatamente. Maphis percebeu. — Você quer isso. Não foi uma pergunta. Ela respirou fundo. — Eu não sei explicar direito… — Não precisa explicar perfeito. Ela olhou para ele. — Eu só acho bonito. Uma pausa. — E… eu queria. O silêncio veio. Mas não pesado. Apenas… real. Maphis parou de andar. Lia também parou. Ele a olhou com atenção. — Eu também quero. O coração dela acelerou. — Então por que a gente não…? Ela não terminou. Mas ele completou. — Porque eu dei minha palavra. O olhar dela suavizou. — Eu sei. — E eu vou cumprir. Ela assentiu. — Eu não quero que você quebre isso. — Eu não vou. Uma pausa. — Nem por você. Ela sorriu de leve. — Nem por mim? — Principalmente por você. O silêncio voltou. Mas agora… Mais tranquilo. — Então a gente espera. — A gente espera. Mas, dessa vez… Havia algo diferente. Maphis não parecia apenas esperando. Parecia… decidindo. Naquela mesma noite, ele procurou Eleonor. A casa do mago estava iluminada por uma luz suave. Maphis bateu. — Entre. Ele entrou. Eleonor estava sentado, lendo algo. Mas levantou o olhar assim que o viu. — Maphis. — Eleonor. O silêncio inicial não demorou. — Veio falar de Lia. — Vim. Eleonor fechou o que estava lendo. — O que foi agora? Maphis respirou fundo. — Eu quero sua permissão. O olhar de Eleonor ficou mais atento. — Para quê? Maphis sustentou o olhar. — Para algo simples. — Simples costuma não ser tão simples assim. — Andar de mãos dadas com ela. O silêncio caiu. Mas não foi de choque. Foi… de avaliação. Eleonor o observou por longos segundos. — Só isso? — Só isso. — E por que precisa da minha permissão? — Porque eu dei minha palavra. Uma pausa. — E porque ela é sua filha. Eleonor inclinou levemente a cabeça. — Você já está com ela todos os dias. — Eu sei. — Já estão juntos. — Eu sei. — E ainda assim veio pedir isso? — Vim. O silêncio voltou. Mas agora… Mais profundo. — Por quê? Maphis respondeu sem hesitar. — Porque, pra ela, isso significa algo. Eleonor não desviou o olhar. — E pra você? — Também. Uma pausa. — Mas, mais do que isso… Ele deu um passo à frente. — Eu quero fazer do jeito certo. O olhar de Eleonor suavizou levemente. — Você já está fazendo. — Eu quero continuar. O silêncio caiu novamente. E, pela primeira vez… Eleonor não respondeu de imediato. Ele pensou. Em Lia. No crescimento dela. No homem à sua frente. E no tempo. — Ela está mudando. — Eu sei. — E você também. — Eu sei. Eleonor se levantou. Caminhou alguns passos. — Mãos dadas parecem pouco. — Eu sei. — Mas não são. — Eu sei. Eleonor parou diante dele. — Isso mostra. — Eu sei. — E o reino vê. — Eu sei. Uma pausa. — E você está pronto pra isso? Maphis não hesitou. — Estou. O silêncio que veio depois… Foi a resposta antes da resposta. Eleonor assentiu. — Então pode. Maphis não sorriu imediatamente. Mas algo dentro dele… Se firmou. — Obrigado. — Só não esqueça. — O quê? — Que simples também carrega peso. — Eu sei. No dia seguinte, o sol ainda não estava alto quando Lia saiu de casa. O reino já despertava. Mas ainda havia tranquilidade no ar. Ela caminhava distraída. Pensando. Quando o viu. Maphis estava ali. Esperando. Ela sorriu. — Você acordou cedo. — Queria te ver. Ela se aproximou. — Aconteceu alguma coisa? Ele não respondeu de imediato. Apenas estendeu a mão. Lia olhou. Confusa por um segundo. — O que é isso? — Permissão. Ela franziu levemente o cenho. — Permissão? — Eu falei com seu pai. O coração dela acelerou. — Você… falou com ele? — Falei. — Sobre isso? — Sobre isso. Ela olhou para a mão dele novamente. E então… Para ele. — E? — Ele deixou. O silêncio caiu. Mas, dessa vez… Cheio. Lia não pegou a mão imediatamente. Ela respirou fundo. Sentindo o momento. — Você fez isso por mim? — Por nós. Ela sorriu. E então… Colocou a mão na dele. Devagar. Como se aquele gesto… Precisasse ser sentido por inteiro. E foi. Os dedos se entrelaçaram. Simples. Natural. Mas cheio de significado. Lia sentiu. O calor. A segurança. A presença. E algo mais. Algo que ela não precisava nomear. — É diferente… Maphis olhou para ela. — É. Eles começaram a caminhar. Pelo reino. Pelas ruas. Pelas pessoas. E, aos poucos… Os olhares vieram. Mas, dessa vez… Eles não desviaram. Porque agora… Não era só sentimento. Era escolha. E estava ali. Visível. Entrelaçada. Em algo simples. Mas que dizia tudo. E sentir o toque era forma de está unidos sentindo o calor um do outro, tendo mais confiança em si pois era a segurança de o ter ali.
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