CAPÍTULO 71 CAROL NARRANDO O cheiro da comida da dona Zefa sempre enchia a casa inteira, e naquele dia não foi diferente. Ela tinha feito feijão fresquinho, arroz soltinho e bife acebolado na frigideira de ferro, que rangia alto cada vez que ela mexia. O barulho do óleo chiando se misturava com o rádio antigo na pia, tocando um pagodinho baixinho. Me sentei à mesa e ela logo colocou meu prato: arroz, feijão e um pedaço de bife dourado, coberto com cebola caramelizada. Do lado, uma salada simples de alface e tomate. Peguei o garfo e comecei a comer devagar, sentindo o tempero que só ela sabia fazer. Pouco depois, ouvi os passos pesados ecoando na escada. Dante apareceu, já sem a marra de sempre, mas com aquele jeito dele que ocupava qualquer espaço. Ele se jogou na cadeira de frente pra

