CAPÍTULO 186 CRIS NARRANDO O movimento da manhã já tinha passado e a padaria tava naquele vai e vem mais tranquilo, só uns clientes pegando café pra viagem e pãozinho pra casa. Eu já tava no caixa fazia horas, ajeitando troco e atendendo com sorriso automático, quando o Seu Afonso apareceu na porta do balcão, enxugando a testa com o pano de prato. — Cris, deu tua hora. Vai lá pro fundo comer alguma coisa. — ele falou, daquele jeito meio sério, mas que no fundo era só cuidado. Assenti na hora. — Tá bom, Seu Afonso. Passei o avental pro lado e fui andando pro fundinho da padaria, onde tinha uma mesinha simples, mas sempre com um prato de comida esperando. Ele nunca deixava a gente sem almoço. O cheiro de feijão fresco e arroz soltinho enchia a cozinha, e quando sentei e peguei o garfo

