CAPÍTULO 45 DANTE NARRANDO O morro tinha seus barulhos, seus cheiros, seu jeito de respirar… mas naquele momento, eu só ouvia o ronco da minha moto e sentia ela grudada na minha cintura. Pequena, mas cheia de fogo. E de teimosia. A porrä da mina não entende que aqui não é lugar de passear como se fosse calçadão. Acha que tá no direito de andar sozinha porque “sempre viveu aqui”. Só que viver no morro como qualquer um é uma coisa… viver no morro como minha responsabilidade é outra história. Eu pilotava firme, costurando pelas viela, sentindo ela se agarrar mais cada vez que eu puxava a moto. Dei aquela empinada só pra ver se a coragem que ela dizia ter era real. E quando ela gritou meu nome, a mão apertando minha cintura, eu quase sorri. — Relaxa, pequena… — falei alto o suficiente pra

