CAPÍTULO 130 CAROL NARRANDO Fiquei mais um tempo na casa da dona Cida, ouvindo os conselhos dela, sentindo aquele abraço apertado que parecia me devolver um pouco da força que eu precisava. Mas logo olhei no relógio, já tava ficando tarde. Levantei, ajeitei o vestido e falei: — Eu vou indo, dona Cida… outra hora, eu passo aqui de novo. Ela sorriu, segurando minhas mãos. — Vai com Deus, minha filha. E lembra do que eu falei: segura firme no que tu quer, mas não perde tua essência. Assenti, abracei ela de novo e saí, descendo o bequinho até a praça. O sol já começava a baixar, o morro fervilhava, mas de um jeito mais leve: moto subindo e descendo, gente voltando do trampo, criança correndo atrás de pipa. Eu caminhava no meio de tudo aquilo e sentia olhares de lado. Já não era novidade.

