CAPÍTULO 112 LAURA NARRANDO Saí dali com as pernas bambas, os olhos ardendo de tanto chorar. Entrei no meu carro quase sem enxergar direito e só quando bati a porta é que o choro veio de vez, pesado, sufocado. Liguei o motor, mas por alguns segundos fiquei parada, com as mãos tremendo no volante, tentando encontrar forças pra seguir. Respirei fundo, engoli o nó na garganta e arranquei, descendo a rua até pegar o caminho pro meu apartamento. No trajeto, as lembranças vinham feito punhalada. O jeito que o Dante me olhou… aquele desprezo. Doía mais do que qualquer palavra dura que ele jogou na minha cara. E eu me perguntava, como sempre me perguntei nesses quinze anos: por que eu não enfrentei o meu pai? Por que eu não gritei, não lutei, não fugi pra ficar com ele? A verdade é que eu semp

