CAPÍTULO 13 CAROL NARRANDO A funerária levou o corpo do meu pai pra preparar… E ali ficou um vazio. Aquela casa pequena, já silenciosa demais, agora parecia oco, pesada. Tinha cheiro de morte no ar, de saudade recém-nascida, de dor impregnada nas paredes. Me sentei no mesmo canto da sala onde ele caiu. A corda ainda jogada num canto, como cicatriz aberta. E eu? Eu só chorava. — Bebe uma água, minha filha… — a voz da dona Cida cortou meu silêncio. Ela me entregou um copo, mas minha mão m*l parava firme. Tomei um gole, sentindo o gosto misturado com lágrima. Minha garganta tava seca, minha alma esfarelando. — Eles disseram que vai demorar um pouco… tão preparando ele direitinho, pra deixar ele apresentável — ela disse baixo, quase sussurrando, com o olhar marejado. Assenti. Quase não

