CAPÍTULO 81 CAROL NARRANDO Eu já não sabia se a batida forte do baile ecoava dentro de mim ou se era meu coração que tava descompassado. Tudo rodava. A fumaça, as luzes piscando, as vozes misturadas. O corpo mole, pesado, sem força pra brigar de verdade. Só percebi quando ele me jogou no ombro. — ME SOLTA, DANTE! — gritei, mas minha voz saiu arrastada, quase manhosa. Eu batia a mão fraca nas costas dele, mas não tinha força. A cada passo que ele dava, sentia meu corpo balançar e o cheiro dele subir, aquele perfume forte misturado com o suor da noite. As pessoas olhavam, cochichavam, algumas riam, mas ninguém se metia. Ele descia a escada com o bonde abrindo caminho, como se fosse o dono daquilo tudo. E era. Meu rosto colado no ombro dele, o vestido subindo um pouco pela posição, e eu

