CAPÍTULO 140 CAROL NARRANDO O carro desceu devagar pela rua de casa, e eu olhava pela janela tentando controlar a ansiedade. O sol batia forte, refletindo nos muros pintados e nos portões de ferro das casas, e o coração ainda tava acelerado só de pensar que em poucos minutos eu ia realizar um sonho. Mas então, numa das casas mais abaixo, vi uma mulher encostada no portão, celular na mão, falando alto com alguém. O jeito dela me chamou atenção de primeira: postura firme, cabelo bem cuidado, olhos claros que até de longe chamavam atenção. Tava arrumada, como quem se preocupava em se mostrar forte, no controle. Quando nossos olhares se cruzaram, foi instantâneo: ela travou. Ficou pálida, o celular quase escorregando da mão. A expressão dela mudou na hora, como se tivesse levado um choque.

