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Hello, Neighbor

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Blurb

Quando Nick Davis conhece seu novo vizinho, Ryan Smith, sua vida vira de cabeça para baixo.

Vivendo de interações à base do flerte, Nick não sabe quanto tempo pode aguentar até que perca a completa noção de sua consciência; e jogue os pudores para além do esquecimento e das morais.

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Cookies and Juice
Ryan Smith é o tipo de vizinho que faz você querer espiar por cima das cercas para vê-lo limpando as folhas do quintal na época do outono. Ou dar aquela conferida quando é verão e o mesmo está tomando sol na beira da piscina. Quase nem pude acreditar que um bio-tipo desses estava se mudando para a casa ao lado, que estava para ser vendida há muito tempo; educadíssimo, veio até nossa residência no dia seguinte que terminou de se acomodar na nova moradia. Mais do que lisonjeada, a minha o convidou para jantar, e ainda lhe entregou uma torta caseira de maçã como boas-vindas. Ryan Smith é moreno e alto, solteiro, tem vinte e oito anos, e é futuro CEO das empresas do pai, Thomas Smith — ainda que seja o mais novo de dois filhos. E eu me chamo Nick Davis, acabei de concluir o ensino médio e, por enquanto, tenho as pernas para o ar, sendo que acabei de fazer dezenove anos. Neste exato momento, meu interior está tendo uma convulsão, já que minha mãe decidiu — mais uma vez — presentear nosso amável vizinho, dessa com cookies. Apesar dos nove meses de convivência, vem ficando cada vez mais difícil bater em sua porta e agir como se suas provocações não me deixassem de pernas bambas. Parando em frente à sua porta, inspirei fundo para buscar alguma coragem que poderia me ajudar na antecipação do anúncio de que estou aqui. Porém, vendo que tão cedo eu não me encontraria tão corajoso, simplesmente toquei a campainha. Escutei um aviso que veio de muito longe, assim como houve uma pequena demora para que a porta fosse aberta. — Ah, Nick. Bom dia. — Ryan atendeu com um sorriso simples em sua boca. — Bom dia, senhor Smith. — E assim, de fato, começa a minha manhã. Tendo uma bela visão desse homem com um risco de graxa no rosto, camiseta regata preta, apertada, definindo seus músculos e deixando os dos braços bem expostos; além da jaqueta leve amarrada por cima da calça jeans, vi que trazia na mão uma chave de f***a. Sua testa tem gotas de suor. — A minha mãe me mandou trazer esses biscoitos. — Estendi o recipiente de vidro em sua direção. — Dona Marie, claro. Que amor. — Sorria curto. — Venha, entre, estou com as mãos sujas. O acompanhei pela casa, chegando até a cozinha. Deixei a vasilha sobre o balcão e permaneci atrás dele. O moreno lavou e secou as mãos, vindo em minha direção logo em seguida. — Posso te oferecer algo? Suco, café? — Abriu a tampa, sentindo o aroma de canela que exalou e pegou um, logo levou à boca. — Deus, isso está uma delícia. — Suspirou. — Direi para ela. — Sim, obrigado. Mas agora, me responda, o que posso te oferecer? — Na verdade, já estou de saída. Pode voltar aos seus afazeres, vejo que está ocupado — desconversei, procurando uma fuga para sair de seu território. — Estou trabalhando no carro, nada verdadeiramente importante. Por isso, fique mais um pouco. — Ia até a geladeira, tirou de lá uma jarra de suco, indo buscar copos no armário. Servindo dois deles. — Há duas semanas atrás, os seus pais viajaram, correto? — Exatamente. — Posso te fazer uma pergunta?! — Seu olhar dizia que faria mesmo que a minha resposta fosse negativa, tomei um pouco de suco para disfarçar o breve nervosismo que se instalou em mim. — Quem era aquele saindo pela sua porta da frente no domingo de manhã? Não era exatamente isso que eu estava esperando, o susto que tomei me fez engasgar. Uma violenta crise de tosse me atingiu, porém, logo me recompus para responder. — Estávamos nas últimas provas, ele veio estudar — falei. — Estudar, claro. — Mordia outro biscoito. — Não acho certo trazer amiguinhos para casa quando seus pais não estão. — Estou falando sério, senhor Smith. Não aconteceu nada entre nós — continuei. — A prova da segunda era complicada. — Suspirei ao recordar. — Conseguimos boas notas justamente por conta disso. — Não se preocupe, não vou contar para os seus pais. Será nosso segredo. — Me enviou uma piscada. Rolei meus olhos. O amigo citado é Caleb Jones. De fato, não estudamos anatomia além das páginas dos livros, mas também não avisei para meus parentes que ele estava vindo e que passaria a noite. Meus pais sabem da minha orientação s****l e, por conta disso, certamente pensariam com segundas e terceiras intenções. Porém, aqui e agora, talvez eu possa jogar com suas palavras. — Entretanto... — chamei sua atenção para mim. — Vamos combinar que dar uns beijinhos aqui e ali, de vez em quando, não faz m*l. — Ele ergueu uma sobrancelha na minha direção, abrindo um sorriso de lado logo em seguida. — Não, tem razão. É claro que não. É desse olhar que recebo agora que estou falando. Deus. O tipo de olhar que diz “Eu faria o primeiro movimento… Se você não fosse esse tanto de anos mais novo que eu”. Vai dizer agora que os lençóis de sua cama vão perguntar qual a minha idade? Caso sim, fazemos aqui mesmo no balcão da cozinha. Não me importo. Joguei meus ombros para cima, era tanto uma resposta aos meus pensamentos quanto ao que ele havia acabado de dizer. Não foi desde a sua chegada que começamos a trocar esses olhares mais incisivos. Pelo menos, não da parte dele. Porém, posso dizer, por mim, que tive uma queda — de um penhasco — por ele logo quando o vi ajudando os caras do caminhão de mudança a pôr as malas dentro da casa. Recordo que o seu irmão também estava lá. Tem os cabelos compridos e bonitos olhos escuros, tive o prazer de conversar com ele em uma das entregas não remuneradas que minha mãe pediu que fizesse. Parece muito ligado ao mais novo, pois o vejo visitando vez ou outra. Naquele dia, apenas observei da janela do meu quarto. Seus músculos se contraindo para carregar as caixas mais pesadas, as passadas de mão no cabelo para tirar a franja simétrica do rosto; até mesmo os lábios separados para buscar algum ar enquanto descansava. O clima foi ficando abafado naquele dia, então tive a oportunidade de ver quando tirou o casaco e o amarrou na cintura. Claro que nada disso era visto com extrema perfeição por meus olhos, por conta da distância, mas posso confirmar que, de onde vi, era suficientemente gostoso de observar. Nossa relação não é de amizade, sendo realmente sincero. Não vivo em sua casa, não contamos nossas vidas um para o outro, e por aí vai. Ela é basicamente construída na base da provocação. E até certo ponto, gosto disso. Talvez com esse alicerce que construímos seríamos ótimos amantes. Não namorados, mas amantes mesmo. Afinal, não sei se o que sinto é paixão, não além do puro desejo de senti-lo uma vez. Tanto que, em meu aniversário, foi a primeira vez que fui abraçado por ele, e já fazia bons meses que ele havia se mudado. Ainda assim... p**a merda. Soando completamente apaixonado, eu viveria em seu abraço para sempre. “O perfume da curva de seu pescoço invadiu minhas narinas com força e sem pedir qualquer permissão. Somente com isso meu chão já fora perdido. Quando seus dedos brincaram com meus fios em uma gostosa carícia, senti o coração disparar. — Parabéns, pequeno. — A voz rouca estava sendo depositada na beira do meu ouvido. Espero que não tenha dado para ver os pelinhos de minha nuca fazendo Ola. — Obrigado, senhor Smith — respondi com um sussurro praticamente inaudível.”   — Não faça novamente. — A mesma voz, porém mais brincalhona, foi o que me tirou do devaneio. — Por que não? — Tenho certeza de que um garoto com aquela cara não vai saber te tratar como deve. — Foi a minha vez de erguer a sobrancelha. Minha face estava completamente incrédula. — Você merece coisa melhor — concluiu. — E o senhor sabe, senhor Smith?! — provoquei.  — Ora essa. Você não faz ideia do que sou capaz, Davis — replicou com malícia. — Imagino que seja muito experiente — falei como se fosse nada, levando o copo de suco na boca para aliviar minha tensão. — O suficiente. — Vou aceitar isso como resposta. — Abusado. — Transportava os biscoitos para outro recipiente, estava de costas. — Não precisa se preocupar, pode levar isso aí depois. A minha mãe não liga. — Isso é uma desculpa para me ver em sua casa? — Não me olhava, logo não podia ver minha reação em choque. — Posso fazer uma visitinha sem motivo, não se preocupe. Mas somente quando seus pais estiverem em casa. — Me enviou outra piscadela. Ryan Smith é o perfeito deus da Sedução e é o homem que atualmente está levando um recém saído do ensino médio à loucura desconhecida do t***o. Não tenho muito do que reclamar, admito. Afinal, nunca havia me sentido desta forma, e é até bacana entrar em seu jogo malicioso; é divertido. Porém, ao mesmo tempo, há toda essa frustração s****l ao redor de minha pélvis, que realmente me deixa extremamente irritado. Mesmo não demonstrando. Obviamente. E enquanto o Grande Dia não chega, fico aqui, com o cotovelo sobre o mármore do seu balcão, apoiando meu queixo, enquanto olho suas costas observando ele fazer não-sei-o-quê. Sonhando com o momento em que não saberei soletrar meu próprio nome, mas terei o dele na ponta da língua, sendo sussurrado de maneira obscena.

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