Dias se passaram e o grande dia da primeira eliminação chegou, com isso o palácio está uma loucura, é gente que entra e saí, caminhões chegando, as meninas fazendo um escândalo pra se arrumar e entre outras coisas.
Eu sou a única que estou tanto faz para todos e tudo. Eu perdi de vez o encanto pelo reino, pensei que fosse só o rei que só olhava para o seu próprio umbigo, mas na verdade são todos... E como o dia foi livre para as meninas, acordei às 11 horas da manhã, almocei e agora me encontro sentada aqui no Jardim.
Mesmo eu já cansada daqui fico apreensiva em saber se fico ou não, eu não sou posso ser tola em dizer que quero ir embora, quanto mais permaneço aqui mais dinheiro eu ganho, e outra não vou morrer ficando aqui mais alguns dias.
— Posso saber o que uma moça linda como essa faz aqui, sozinha? — Virei-me para traz e vi um homem me encarando sorrindo ele era alto, seus cabelos preto e seus olhos um intenso castanho, cor de mel.Nao vou negar, é um gato.
— Olá. — Respondi envergonhada. — Estou tomando um ar.
— Esse palácio está tão movimentado, ne? — Ele se sentou ao meu lado e eu arregalei os meus olhos assustada.
Ok, tem algo de estranho nisso. Primeiro um cara bonito desses me elogia e segundo que ele está muito pra frente na minha opinião.
Não estou me vitimizando mas cara, eu tenho espelho no meu quarto, tem meninas lindas aqui.
Já olhei de um lado para o outro a procura de câmaras e se alguém mandou ele aqui para sujar minha imagem e fazer com que eu seja eliminada por um possível relacionamento com alguém dentro do reino.
— Está sim. — Respondi sendo seca para ver se ele entendia que não estou afim de papo .
— Meu nome é Carl, e o seu?
— Aurora. — Apertei a sua mão e sorri tentando mostrar simpatia.
— Lindo nome, assim como você.— Arregalei os olhos e agradegi apenas com um sorriso.
Meu Deus, nunca estive tão envergonhada na minha vida, ninguém nunca me disse isso e eu não sei como reagir.
— Sou primo de Andrews.
— Ó sim. — Respondi esfregando uma de minhas mãos na outra.
— Por que você não está no salão como todas as outras?
— Porque eu não quero ficar perto delas, vou me arrumar mais tarde.
— Já tem inimizades aqui? — Ele riu ao final da frase.
— Não tenho nada contra elas. Acontece que nossas diferença as faz estúpidas.
— Diferenças? — Ele pareceu não entender.
— Sou da casta C.
— Então elas te excluem por ser da casta C?
— Exatamente. Mas não ligo para isso, elas são podres e nojentas, só querem aparecer na mídia e ganhar ainda mais dinheiro que já tem. — Respondi brava. Eu preciso parar de falar esse tipo de coisas.
— E você não está aqui por isso?
— Estou aqui para ganhar o dinheiro que não tenho. — Ele riu fraco.
— Aurora... — Era a voz da rainha, virei-me para trás e a encarei. — Podemos conversar?
— Irei deixa-las a sós. — Carl falou e saiu indo em direção a garagem do palácio.
— Ainda não está se aprontando?
Vou fingir que ela não me fez essa pergunta i****a, por acaso estou com alguém me maquiando ou fazendo minhas unhas?
— Não.
— Você deve estar achando que eu sou sua inimiga.
— Não estou achando nada rainha. — Ri ao final da frase.
— Você é uma das minhas favoritas Aurora, mas como eu ja disse é impossível de ganhar.
Velha falsa.
— Entendo.Vou indo me arrumar, se não vou me atrasar. — Falei após fingir olhar a hora em meu relógio.
***
Não há o que dizer sobre o meu mais novo look, estou com um vestido longo de cor rosa, nos pés um scarpam branco e além do colar que eu trouxe de casa, uso uma pulseira do palácio mesmo, meus cabelos estão presos no alto da cabeça com duas mexas soltas em torno do meu rosto.
— Como estou? — Perguntei após da uma giradinha.
— Maravilhosa. — Benedita falou sorrindo encantada.
— Está na sua hora. — Cleusa falou adentrando o quarto. — O príncipe já está à sua espera.
— Ahn? Como assim?
— Ele vai buscar todas as meninas e leva-las até o salão, onde será tirado algumas fotos.
— Ah sim. — Dou mais uma olhada e saio andando. Abro a porta e dou de cara com um príncipe totalmente arrumado e maravilhoso encostado na porta. Seu olhar percorreu por todo o meu corpo e quando nossos olhares se encontraram ele apenas sorriu falso.
— Você está linda.
— O... brigada. — Forcei um sorriso a ele e respirei fundo.
Eu estou nervosa. Muito nervosa. Ó Deus.
— Vamos? — Ele estendeu seus braços e eu os segurei.
Quando chegamos no topo da escada, os músicos começaram a tocar uma música lenta e todos se viraram para nós. Abro meu melhor sorriso e começamos a descer as escadas.
— Entregue. — Ele fez uma referência a mim e beijou minha mão.
— Obrigada, alteza. — Fiz também uma referência e virei-me dando de cara com um jornalista com uma câmara em mãos.
— A senhorita quer mandar algum recado para a sua família? — Ele perguntou já enfiando a cara no meu rosto.
— Claro. Família eu amo vocês e estou morrendo de saudades. Estou bem e espero que vocês também estejam. — Ri fraco.
— Como está sendo pra você passar uns dias aqui no palácio?
— Estou adorando. — Menti.
Ele saiu sem se despedir e eu vi que uma outra garota descia as escadas, sorri e andei até o canto do salão.
Se eu não me engano era uma garota da casta B. Ela estava linda e um tanto que vulgar, seus p****s estavam quase para fora e tinha uma a******a nos vestidos que ia da coxa até os pés.
— Ual. — Carl falou enquanto se aproximava de mim. — Se você não é a mulher mais linda daqui, juro que não sei qual é. — Sorri fraco.
— Bondade sua, Carl.
— Nervosa?
— Nenhum pingo. — Peguei uma taça da bandeja de um garçom que passava ao nosso lado e Carl fez o mesmo.
— Imaginei.
— Carl. Você sumiu... — Uma mulher de meia idade falou vindo até nos.
— Mãe. Essa é Aurora. — A mulher ficou me encarando assustada. Meu Deus, será que estou tão f**a assim.
— Você parece com alguém.
— É? — Perguntei arqueando a testa.
Do nada a mulher ficou branca e seus olhos marejaram
— Sim. Carl... — Ela pegou a mão de Carl e ele arregalou os olhos.
— Mãe você deve ter se enganado, é impossível.
— Eu não sou louca. — Ela falou aumentando o tom de voz.
Eu não estou entendendo mais nada. Eu me pareço com quem?
— Mãe. Acalme-se. — Ele a abraçou afastando ela de mim e a mesma pareceu se acalmar.
— Senhores. — O rei começou a falar e atenção de todos foi dada a ele. — Hoje é um dia especial, o aniversário de minha querida esposa. — Eu não sabia. — E infelizmente, teremos a eliminação de 10 garotas. Eu gostaria de agradecer a presença de todos, vocês são muito bem-vindos aqui. — Andrews? — Ele chamou o filho que rapidamente foi até o pai. — Qual menina você escolherá para a primeira dança? — Respiro fundo e seguro minhas mãos, apertando-as.
Eu não sabia que teria isso.
— Bom... Eu irei busca-lá. — Ele saiu do banco e veio andando na minha direção. Meu coração começou a pulsar com rapidez e eu abri meu melhor sorriso. Porém, logo ele desfez quando o príncipe passou por mim e parou logo atrás, onde Thalita estava, engulo o seco e viro-me para frente.
Que vergonha! Eu não acredito que esse pensamento realmente passou pela minha cabeça.
***
Passei a maior parte do tempo conversando com Carl e seus amigos, eles são bem simpáticos e engraçados. Logo sumiu da minha cabeça aquele pensamento de mais cedo, Carl parece ser gente boa e está mais para um amigo.
— Com licença. — Paramos de falar quando Andrews chegou perto de nós. — Aurora. Poderia seguir-me?
— Claro, Alteza. — Falei com desdém na voz.
Ele saiu andando na frente e eu fui logo atrás dele, sorrindo para todos.
— De todas aqui, você é a mais linda.— Ele disse enquanto andava.
— Obrigada, alteza. — O guarda abriu a porta e saímos andando.
— O que tanto conversa com Carl? — Ele perguntou quando já estávamos sozinhos.
— Conversamos coisas aleatórias, alteza. Carl é muito simpático e engraçado.
— Você m*l o conhece. — Ele disse sério.
— Alteza. Chamou-me para falar de seu primo? — Molhei meus lábios e encostei-me no muro olhando para o além.
— Não tenho assunto específico, eu só quis tomar um ar e você é a melhor companhia para isso. — Ri falso e virei-me para ele.
— A hipocrisia reina. — Ele franziu o cenho. — Se eu fosse a melhor companhia você me chamaria para pelo menos uma saída, mas não, chamou todas, menos eu.
— Ciúmes?
Não é questão de ciúmes, mas vejam bem, o príncipe já saiu com todas as garotas, exceto eu e isso me faz sentir mais excluída do que já estou.
— Ciúmes de você? Não me faça rir, alteza.
— Abaixa o tom. — Ele disse sério e eu nem havia percebido que estava falando alto.
— Era só isso? — Perguntei olhando em seus olhos.
— Sim.
— Com licença. — Saio andando e entro no palácio, tentando passar pela escada despercebida, tentativa m*l sucedida já que a rainha me chamou.
— Estava com Andrews, querida? — Ela disse vindo até mim, fingindo uma total simpatia.
— Sim. — Ela concordou com a cabeça. — Mais alguma coisa, rainha?
— Aonde vai?
— Para o meu quarto, estou cansada.
— As damas só podem sair quando a família real se for. — Bufei e forcei um sorriso a ela. Eu havia me esquecido dessa regra. Que saco.
— Irei até meus conhecidos. — Fiz uma referência e virei-me andando até Carl.
— Já voltou?
— Não. Ela está lá fora ainda. — Jadem, o príncipe do reino de Silveria falou e rimos.
O resto da festa seguiu tranquilo, até o príncipe pedir a atenção de todos. Ele iria anunciar as eliminadas. Respirei fundo e apertei minha própria mão totalmente apreensiva.
— Todas vocês foram especiais aqui e eu adorei passar esse tempo com as vossas companhias, mas é preciso. As eliminadas são: Liandra Beutifoul, casta A; Thalia Nolasco, casta A;
Victoria Buthis, casta A; Mariana Novaes, casta A; Juana Rodriguez, casta A; Juliana Bento, casta A; Joaquina Milena, casta B; Francisca Chica, casta B; Camila Canins, casta B e Gabriela Miranda, casta B. — As garotas que foram eliminadas começaram a chorar e a única coisa que eu consegui fazer, foi ri, e comemorar. Eu não estava rindo delas, mas sim de emoção. Eu não tinha i********e com essas garotas, então apenas agradeci mentalmente por me permitir mais tempo aqui pra ajudar a minha família.
— Você fica. — Alice, esposa do Jadem falou e eu balancei a cabeça rindo e a abraçando.
— Garçom. Champanhe para comemorar. — Isak, príncipe do reino de Mangals, falou. O garçom se aproximou de nós e cada um pegou uma taça. — Viva a Aurora. — Ele gritou.
— A mais nova princesa do reino. — Carl falou e nós rimos.
— Vai com calma aí. — Eu falei e rimos novamente.
Depois que o casal real se despediu de todos, eu resolvi ir para o meu quarto descansar, estou morta.
Com a ajuda de Cleusa e Benedita tirei o meu vestido e coloquei uma camisola preta.
— Obrigada meninas. Já podem indo. Bom descanso. — Falei, deitando-me na cama.
— Dorme bem, Aurora e novamente, parabéns. — Forcei um sorriso a ela e tampei meu rosto.
***
Sinto uma mão percorrer meu corpo e me remexo incomodada abrindo neus olhos e pulando da cama quando vi quem era.
— O que faz aqui? — Perguntei assustada.
— Eu não estava conseguindo dormir, suas palavras de hoje mais cedo me afetou.
— Ahn? Como assim?
— Eu não sou um cara r**m, Aurora. Eu não sou igual o meu pai. — Andrews disse passando a mão no cabelo, ele aparentava estar triste. — O que você está fazendo comigo? — Dizendo isso, ele me puxou para si, segurou em minha cintura e me beijou.
Eu nunca havia beijado antes, meus olhos mantinham-se abertos, enquanto Andrews me apertava mais contra si, eu não sabia beijar então apenas tentei imitar ele, fechei os meus olhos e deixei ele comandar.
Quando via os beijos na televisão eu achava nojento, e agora beijando eu tenho certeza. É nojento? É, mas é bom.
Eu não queria que meu primeiro beijo fosse assim, podia ser pelo menos como nós romances que vejo e leio com alguém que eu vou ficar para o resto da vida, o que acho meio impossível vindo do príncipe de Luxúria.
— O que foi isso? — Perguntei quando ele se afastou de mim. Em seus lábios tinha um sorriso enorme.
— Um beijo?
— Mas... — Levantei-me da cama e andei até a sacada. — Foi bom? — Perguntei me virando para ele e levando minhas mãos a boca. Eu podia pelo menos disfarçar que nunca beijei não é mesmo!?
— Foi o seu primeiro beijo?
— Sim. Foi tão m*l assim?
— Para uma principiante você até que foi boa. — Soltei o ar que segurava e me encostei no parapeito.
— Eu não te convidei antes por que estava esperando a hora certa. — Senti sua presença mais próxima de mim e virei me dando de cara com ele, estamos muitos próximos.
— E quando seria a hora certa?
Não que eu quero que essa hora chega...
— Amanhã eu farei uma visita em um hospital que lida com crianças doentes e achei que você gostaria de ir.
— Parece ser legal.
— Vai querer ir? — Assenti, pressionando os lábios.
Vai ser legal, eu amo crianças e fora que sairei um pouco desse palácio.
— Sairemos daqui às 7 da manhã.
— Tão cedo. — Pensei alto e ele franziu o cenho.
— Uma possível futura nunca deverá dizer que é cedo ou tarde demais.
— Anotado, alteza. — Ele riu e eu sorri fitando-o.
Ele é tão lindo. Foco Aurora, foco.
Ele se aproximou de mim e me deu um beijo na testa, passando suas mãos pelo meu rosto, ele levantou meu queixo e ficamos alguns segundos nos encarando, olho-a-olho.
— Você não deveria fazer isso comigo, afinal, sou só uma figurante aqui. — Comentei abaixando minha cabeça.
— Você não é só uma figurante aqui. Alguém te disse isso?
— Sim. Sua mãe. — O olhei.
— Tinha que ser. — Ele riu. — Ao passar dos dias você vai entender por que minha mãe disse isso.
— Como assim? Ahn?
— Como eu já disse ao passar dos dias você vai entender. — Ele se aproximou mais de mim e levantou meus lábios, dando-me vários selinhos.
— Não deixe-me assim. — Puxei sua mão quando ele se afastou.
— Assim como? — Ele perguntou encostando na parede da porta que entra para o meu quarto.
— Curiosa. Eu quero saber o por que disse isso.
— O que mais ela falou com você?
— Hm... Ela disse que eu sou apenas uma figurante e o rei fez isso para todos acharem que ele não é racista, ou algo do tipo. — Ele arqueeou as sobrancelhas.
— O rei é um m***a Aurora, agora vou indo. — Ele deu um beijo na minha mão elevei minhas mãos até o seu pescoço e o trouxe mais para mim num abraço gostoso.
Seria uma tentativa de fazer com que ele nunca vá embora?
— Boa noite. Te vejo amanhã. — Ele se afastou e entrou para dentro, eu fui logo atrás dele.
Deitei-me na cama ainda sorrindo e olhei no relógio grudado na parede "01:37".
— Ainda falta tanto tempo. — Rosnei bufando e tampando-me com o cobertor.