Capítulo 6

1419 Words
No outro dia acordei às 8 da manhã, como ainda estava sentida e agoniada com as palavras das meninas ontem, então pedi para que as meninas avisassem que eu estava indisposta, dispensei elas também, quero ficar o máximo de tempo sozinha. Eu não quero ficar longe de Andrews, e muito menos que eles façam algo com a minha família. Será que se eu as denunciasse por ameaça, ou por elas estarem recebendo mensagens de fora, esse problema resolveria? Não... não. Elas podem muito bem querer se vingar. Escuto batidas na porta e fecho meus olhos, tampando-me em seguida. Eu não quero falar com ninguém, que saco. — Aurora. — Era Carl, sinto seus passos se aproximando e me destampo encarando-o. — O que houve? — Ele se senta ao meu lado e eu trago as cobertas novamente para o meu rosto. — Andrews fez algo com você? — n**o com o dedo pra fora da coberta, ouvindo-o rir fraco. — Estou preocupado. Me diz o que houve. — Carl. Eu quero ficar sozinha. — Aurora... foi o casal real que te maltratou? É... É eles, eles são desgraçados assim mesmo, mas não liga. — Por que você os chamou de desgraçados? — Destampei minha cabeça e o olhei. Eu já havia percebido que a família de Carl e a família real não se dão bem, eles não se olham na cara e sempre que o nome deles aparece na conversa, a família de Carl revira os olhos, ou faz alguma cara de nojo. O que será que ouve? — Esquece. — Ele dá de ombros e coloca suas mãos no bolso da calça. — Parece que vocês não se dão bem. — Sento-me na cama. Ansiosa para saber de uma fofoca. — Vejo que voce está bem, então eu vou indo, Aurora. — Não Carl. — Ele ri e eu franzo o cenho. — Uhn... Vejamos que você já não quer mais ficar sozinha... — Sorrio fraco. Eu quero é saber o porque da família deles não se dar bem, isso sim. — Eu só não estou afim de falar nada, mas isso não impede você de falar. — Okay Aurora. Já que você insiste. — Ele revira os olhos e vem andando até mim, eu apenas rio. — Conte-me mais sobre a sua família e a família real. — Parei pra pensar, se ele e Andrew são primos... — É uma família só, não? — Para algumas pessoas sim, mas para nós, membros dessas famílias, não. — franzo o cenho. Como minha avó dizia: Tem caroço nesse angu. — A família real é constituída pelos três, rei, rainha e o príncipe. A minha família é constituída pela minha mãe, eu, meus irmãos e sobrinhos. — Tem alguma briga? — Sim. — Ele respira fundo e desvia seu olhar do meu. Ele parece estar desconfortável. — Qual? — Não era você que queria só ouvir? — Ele riu fraco e se levantou. — Eu preciso mesmo ir, com licença. — Por que você não quer me falar? É algo ultra sério? — Aurora. — Ele fecha a porta e me olha. — Isso é algo que aconteceu entre nossas famílias e só nos, membros da família sabemos a verdade, é um assunto super triste para mim, então... se você souber disso algum dia, não será da minha boca, e... por favor não tente me pressionar. — Ele se virou e saiu socando a porta. Bufo e jogo-me na cama, ficando à encarar o teto. Confesso fui inconveniente. Eu sou muito bocuda mesmo, percebi que o menino não estava se sentindo confortável com o assunto e tentei pressiona-lo. O que de tão grave aconteceu? Já sei. Levanto-me da cama e calço meus chinelos, indo até a porta. — Ei... Chame minhas meninas. — Ele franziu o cenho. — As damas de companhia. — Reviro os olhos. Volto até o quarto e sento-me na cama, cruzando minhas pernas. Pouco tempo depois as três adentraram o meu quarto, com os olhos arregalados. — Precisa de algo, senhorita? — Sim. Quero saber o que houve com a família de Carl e a família real para eles não se dar bem. — Elas se entre-olharam. — Há mais ou menos duas décadas atrás quem governava o país era o senhor Dominic II, pai do rei Dominic e do pai de Carl. — Lupe se assenta ao meu lado e eu deito minha cabeça em seu colo. — Só que em um dia, ele se adoentou e quem iria ser seu sucessor era o pai de Carl, mas ele desapareceu do nada e quem passou a comandar o reino foi Dominic, pelo o que as pessoas dizem a família de Carl acha que foi Dominic que sumiu com o irmão. — Arregalo meus olhos. Agora tudo faz sentido. — Vocês acham que Dominic tem dedo nisso? — Eu acho que não, Dominic tinha apenas 16 anos quando tudo isso aconteceu. — Benedita falou. Ela é a mais velha daqui, então deve ter certeza do que diz. — Eu acho que sim... — Cleusa falou, andando até a janela e fechando as cortinas. — Dominic é a pessoa mais gananciosa que eu já conheci, minha mãe um dia me disse que ele falava para todos que iria ser o rei, o pai dele deixando ou não. — Já eu, não sei. — Lupe falou, fazendo carinho em meus cabelos. Esperei para ver se ela falava mais alguma coisa, ela não falou. Seus olhos estavam distantes, ela parecia estar no mundo da lua. — Será que Andrews sabe de alguma coisa? — Pensei alto. — Aurora. Se o rei descobre que estamos falando disso, ele manda nos m***r. — Esse assunto não pode sair daqui, Aurora. Entendido? — O rei é tão perigoso assim? — Mais do que você possa imaginar. — Lupe murmura encarando o nada. Será que Dominic fez algo de r**m com ela? Eu sabia que o rei não é esse cara que as pessoas tanto diziam, mas agora ser um possível assassino, não, isso nunca passou pela minha cabeça. Ouvimos batidas na porta e eu olho para as meninas. Deve ser Carl vindo-me pedir desculpas pela forma que falou. — Alteza. — Lupe fez uma referência e Andrews adentrou o meu quarto, ele estava sério. — Servas. Retirem-se. — Elas fizeram referência e saíram do quarto apressadas. — Como você está? — Ele vem até mim e deposita um beijo na minha testa. — Bem. — Murmuro. — Você não parece estar com problemas de saúde. — Ele disse sério. Eu inventei isso para não sair do quarto, espero que Deus nao me castigue mas foi a unica desculpa que arranjei. — E não estou. — Ele assenta ao meu lado e eu abaixo a minha cabeça, brincando com meus dedos. — Então porque não saiu do quarto hoje? — Ele realmente está preocupado. — A minha saúde está intacta. — O que aconteceu, Aurora? — Ele disse bravo. — Nada. — Então vamos andar no jardim. — Ele levantou e foi até a sacada, — NÃO. — Quando ele estava prestes a abrir as cortinas eu levantei-me da cama e o empurrei para o lado. — O que foi isso? — Andrews as pessoas não podem te ver e nem saber que você estava aqui. Falei demais, m***a. — Por que Aurora? — Porque... Uhn... Minha família, é minha família. — O que tem a sua família? — Andrews não estava entendendo nada e via isso pela sua feição. — Andrews somos bem reservados, o que eles devem estar pensado de mim ao ver aquelas fotos? — Como você sabe daquelas fotos? — Arregalo meus olhos. Falei demais de novo, maldita boca grande. — Escutei umas pessoas falando. — Quem falou isso? — Sei lá, Andrews... Eu estava passando pelo corredor e ouvi um homem falar, não era guarda. — Hm... — Ele se sentou à minha frente e puxou-me pelos pés, levando-me para próximo dele. — Estava com saudades de você. — Suas mãos foram parar nas minhas costas e eu coloquei minhas pernas uma de cada lado. — Estava? — Levei minhas mãos até a sua nuca e fiquei fazendo carinho ali. — Sim. — Ele se aproximou mais de mim e ficou roçando seu nariz no meu rosto. — Deixe-me te beijar, garota. — Seus lábios se aproximaram dos meus e eu o beijo com ternura. O que esse cara está fazendo comigo? Ele é tão maravilhoso. Ó Deus.
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