Reina m*l teve tempo de reagir antes de sentir mãos fortes segurando seus ombros, empurrando-a para o pequeno e velho sofá da sala. O toque era firme, quase c***l, e seu corpo se encolheu instintivamente, o medo pulsando em cada célula.
— Só vou perguntar uma vez, mocinha — disse uma voz grave e fria, tão próxima que ela podia sentir o cheiro de cigarro em sua respiração. — Cadê o Guto?
Reina tentou responder, mas o pavor a paralisava. Seu coração batia tão forte que parecia que iria saltar do peito, e as palavras simplesmente não vinham. O silêncio dela irritou o homem, que, com um grito repentino, explodiu:
— Olhe para mim quando falo com você!
Ela se encolheu ainda mais, sua cegueira sendo uma c***l ironia naquele momento. Sua boca seca m*l conseguia formar uma resposta.
— Eu… eu… — gaguejou, lutando para encontrar a voz. — Não sei onde ele está.
A verdade saiu antes que ela pudesse segurar, caguetando sem nem ao menos saber o que estava acontecendo. Seu corpo tremia, esperando a reação do homem. O silêncio se estendeu por alguns segundos, e então ele soltou um riso baixo, quase debochado.
— O que ele fez? — Reina perguntou com a voz trêmula, sua mente cheia de perguntas que a atormentavam.
O homem riu de novo, um som gelado que a fez sentir-se ainda mais vulnerável.
— Ele me deve — respondeu o homem, com um tom casual que a assustou ainda mais. — Muito dinheiro. E, parece que agora você vai ter que pagar por ele.
As palavras pairaram no ar, deixando Reina paralisada pelo terror. O mundo dela, já escuro, parecia se fechar ainda mais ao redor. Ela sabia que o pesadelo estava apenas começando.
Com as mãos trêmulas, Reina enfiou os dedos no bolso do casaco, puxando as poucas notas amassadas e algumas moedas que havia conseguido com suas vendas naquele dia. O coração dela batia tão rápido que m*l conseguia pensar em outra coisa a não ser sair daquela situação. Sentindo-se desesperada, estendeu o dinheiro em direção ao homem.
— Leve… é tudo que tenho — disse, sua voz fraca, enquanto tateava no ar, procurando a mão dele.
Por um breve momento, o homem olhou para ela, e algo mudou em seu olhar. Finalmente, ele percebeu que Reina era cega. Com um suspiro de impaciência, ele revirou os olhos, e, com um movimento brusco, deu um t**a nas mãos dela. As notas e moedas caíram no chão, se espalhando por todo o lado.
— Acha que sou homem de migalhas? — ele rosnou, sua voz cheia de desdém.
Reina se encolheu no sofá, o som das moedas rolando pelo chão ecoando em seus ouvidos. O pavor crescia dentro dela, sufocante. Ela não sabia o que fazer, não tinha mais nada a oferecer. E agora, estava ali, sentada diante de um homem que não apenas a desprezava, mas que parecia gostar de vê-la em desespero.
Os homens deixaram a casa da mesma maneira que haviam entrado: sem cerimônia e com uma aura de ameaça que parecia ainda mais pesada agora que estavam indo embora. Reina permaneceu sentada no sofá, seus dedos tremendo ao tocar a bengala caída ao lado. O último deles se virou antes de sair, e sua voz ressoou fria e implacável:
— Diga ao Guto que ele tem até a próxima vez para arranjar o dinheiro… ou será o fim.
A porta bateu, e o som ecoou pela pequena sala, deixando um silêncio opressor. Reina continuava imóvel, sentindo o coração disparado e a respiração curta. O chão estava coberto de moedas e notas amassadas que o homem havia espalhado com um t**a, como se fossem lixo. Aquele dinheiro, que para ela representava tanto esforço e sacrifício, não significava absolutamente nada para eles.
Ela tentou processar o que acabara de acontecer. A ameaça, o desprezo, a violência velada. Guto se metera em algo muito maior e mais perigoso do que ela jamais poderia imaginar. Ele não era o irmão mais fácil de conviver, sempre envolvido em coisas duvidosas, mas agora as consequências estavam batendo à porta. E, mais do que isso, eles estavam arrastando Reina para o mesmo abismo.
Ela abaixou a cabeça, sentindo o cansaço se a****r sobre ela como uma onda pesada. Tudo que fazia, cada centavo que juntava, parecia sempre ser insuficiente. E agora, além da miséria do cotidiano, havia o medo. Um medo palpável, que quase sufocava.
As palavras ecoavam em sua mente: “Ou será o fim.” Mas o fim do quê? De Guto? Dela? De ambos? O que aqueles homens fariam se Guto não conseguisse pagar? Reina sentiu um calafrio percorrer seu corpo ao imaginar as respostas. Pela forma como eles falavam, pela frieza com que a trataram, era óbvio que não hesitariam em fazer o que fosse necessário para conseguir o que queriam.
Ela tentou se concentrar, mas tudo ao seu redor parecia girar. O silêncio da casa era opressor, e o vazio que Guto deixava sempre que saía parecia agora mais c***l. O que ele havia feito? Em que tipo de dívida ele havia se metido? Reina sempre soubera que o irmão não era santo, mas nunca imaginou que as coisas chegariam a esse ponto. Ele não era mais apenas um viciado; ele estava envolvido com gente perigosa, gente que poderia tirar suas vidas sem piscar.
A casa, que antes era um refúgio, mesmo com todas as dificuldades, agora parecia uma prisão. Reina não sabia o que fazer. Cada opção que pensava parecia impossível. Ela não tinha para onde correr, nem a quem pedir ajuda. Estava sozinha. Guto a havia abandonado de vez quando se envolveu com aquele tipo de gente, e agora ela teria que lidar com as consequências.
Ela finalmente se levantou, tateando o espaço ao seu redor. As notas e moedas ainda estavam espalhadas no chão, mas ela não tinha forças para recolhê-las. Cada centavo que havia guardado não valia mais nada. O peso da realidade a esmagava. Reina encostou-se na parede, sentindo-se fraca, com a cabeça latejando, as lágrimas queimando nos olhos, mas não permitindo que caíssem.
"Será que ele volta?", pensou. O que aconteceria se Guto simplesmente desaparecesse? Ele a deixaria sozinha, para lidar com essa ameaça? O medo voltou a crescer dentro dela. Guto podia ser irresponsável, mas nunca havia deixado de voltar. Até agora.
A sensação de estar presa em um labirinto sem saída tomou conta dela. Reina sabia que não tinha muito tempo. Aqueles homens voltariam. E da próxima vez, o que fariam se Guto ainda não tivesse o dinheiro?
Sozinha naquela casa escura, ela sabia que precisava pensar rápido. Mesmo cega, a vida havia lhe ensinado a ser resiliente. Mas agora, por mais forte que fosse, Reina sentia o desespero crescendo, e a dúvida esmagadora de como sobreviver a algo que ela m*l conseguia entender.