- UM NOVO PAPEL

1440 Words
Ponto de vista de terceira pessoa É manhã de segunda-feira. Kira desperta com os primeiros raios de sol filtrando-se pela janela. Devido ao seu metabolismo acelerado, não precisa das tradicionais oito horas de sono — quatro horas bastam para deixá-la completamente renovada. Os hematomas e pequenos arranhões da missão da madrugada anterior já desapareceram por completo. Quem a visse naquele momento jamais imaginaria o tipo de operação brutal que ela havia executado poucas horas antes. Após sua higiene matinal, Kira segue até o chuveiro coletivo. Assim que começa a adentrar o recinto, os poucos presentes apressam-se em sair. Sua beleza é sobre-humana, quase etérea — mas sua frieza e inexpressividade impõem mais medo do que fascínio. Para os que a conhecem, Kira não é apenas uma combatente: é uma máquina de guerra. Aproveitando o ambiente vazio e silencioso, ela lava o corpo com tranquilidade, sem pressa. Em seguida, veste-se com precisão quase ritual: calça sua robusta calça de couro reforçado, uma camiseta com o logotipo da BioCom estampado no peito, um casaco também de couro reforçado, botas de cano longo. Ajusta a bainha da sua monokatana nas costas com firmeza, prende o coldre da sua pistola Desert Eagle .50 na perna e afivela o cinto com algumas granadas táticas. Nas costas, a mochila com ferramentas e explosivos plásticos. Um verdadeiro arsenal ambulante. Graças ao seu corpo aprimorado, carregar o peso de todo esse equipamento é irrelevante. Mas, quando tudo falha — ou quando a situação exige silêncio e precisão absoluta — resta apenas Kira... e sua espada. Douglas Veleiro chegou ao local acompanhado por uma mulher de beleza exótica. De estatura mediana — cerca de 1,68 m — e corpo esguio, com aproximadamente 59 kg, ela exalava uma presença magnética. Seus cabelos negros e lisos, cortados em um elegante chanel, emolduravam um rosto de traços delicados e pele levemente bronzeada, com um brilho sutil que denunciava sua ascendência oriental. Suas vestes desafiavam qualquer descrição convencional. Duas tiras finas de tecido semitransparente, de um vermelho vibrante, serpenteavam por seu corpo como serpentes de veludo, cobrindo os sëios de maneira provocante — os mämilos rosados visíveis sob a trama leve. As mesmas tiras se entrelaçavam na virilha, delineando suas curvas com sensualidade crua, revelando mais do que ocultando. As unhas longas e perfeitamente esmaltadas em vermelho carmesim combinavam com o batom da mesma tonalidade, que realçava os lábios carnudos e convidativos. Seu olhar enigmático, emoldurado por cílios longos e escuros, transmitia uma aura de mistério e sedução. A forma como se movia era um espetáculo por si só, como se cada passo fosse coreografado para prender a atenção dos presentes. Sua combinação de beleza exótica, vestes ousadas e atitude confiante a tornava o centro absoluto das atenções, um enigma pulsante a ser desvendado. — Douglas, Douglas, Douuuglaas... — provocou Xiaomei com um sorriso cínico. — Olha só quem está vindo ao nosso encontro, sua cadelinha particular. Au, au, au... hoje ela está mais séria que ontem, hmmm. Kira sequer lhe dirige o olhar. Ignora o deboche com a mesma frieza que carrega em sua presença, dirigindo-se diretamente a Douglas. — Senhor — cumprimenta Kira com uma breve e respeitosa reverência diante do homem à sua frente. Douglas, também ignorando Xiaomei e seus comentários, apenas faz um discreto gesto com a mão, sinalizando para que Kira o acompanhe. Ela obedece sem hesitar. Já nos laboratórios, Kira entrega o relatório completo da missão. Graças ao trabalho de G.E.S.S., a operação foi registrada e armazenada em um chip. Além disso, vários projetos da Pegasus Med — a valiosa carga — tudo foi recuperado com sucesso. Douglas sorri com amplitude ao revisar o conteúdo, soltando um suspiro profundo, como se o coração lhe falhasse por um breve instante ao contemplar o fruto de seu trabalho. Ele recolhe todo o material com cuidado e, antes de sair, dirige-se novamente a Kira: — Kira... — diz ele com um brilho perturbador nos olhos — não vejo resquício algum de humanidade nesta raça falha e cheia de imperfeições. Muito em breve, você terá um novo papel. O maior de todos. O olhar de Douglas, agora tomado por uma intensidade maníaca e obcecada, fixa-se em Kira com uma certeza inabalável. Ele sabe: o próximo passo será grandioso 0e definitivo. Sala de Reunião da BioCom Douglas adentra o recinto com imponência. A postura de um vencedor, sorriso nos lábios e olhar desdenhoso. — Meu amigo Alessandro, pronto para subirmos mais esse degrau? — diz ele, aproximando-se com confiança. Abre um computador portátil e conecta os chips fornecidos por Kira. O primeiro contém a gravação da operação na Pegasus Med. Ambos assistem em silêncio. Douglas, vez ou outra, lança um olhar de soslaio para Alessandro, que acompanha tudo com expressão séria e analítica — embora haja algo de admiração em seu olhar. Encerrando o vídeo, Douglas insere o segundo chip, com os arquivos dos projetos resgatados. Um deles chama mais atenção: um desenvolvimento conjunto entre Pegasus Med, Elitech Corporation e Vortoli. — Mas por que diabos a Elitech e Vortoli — duas megacorporações —, estariam trabalhando com a Pegasus Med, que m*l passa de uma média empresa? — questiona Alessandro, exasperado. — Também me pergunto. Preciso contatar algumas fontes, ver o que posso pescar e filtrar o que é relevante — responde Douglas, intrigado. — Temos que mandar alguém à Europa. Não podemos ficar esperando. — Alessandro bate com os dedos na mesa. — Com o Anastasys em mãos, estávamos prestes a dominar o mercado e então essa união aparece. Se esse projeto for real... — Há uma cobaia viva no laboratório da Vortoli, na Inglaterra. — Douglas parece pensativo. — Alessandro, preciso te apresentar nossa agente Tuned. Ela liderou essa missão. — Depois da reunião. Assim que garantirmos os votos pra minha vice-presidência e pra sua nomeação como Primeiro Secretário. — Alessandro coloca as mãos sobre os ombros de Douglas e o encara de cima. — Recuperar aquela carga e roubar esses projetos foi só o começo. O Anastasys será o golpe final. E então, Douglas tudo, TUDO será nosso. Alessandro Andrioli. Um homem cuja beleza beira o sobrenatural. Mulheres o desejam. Homens também. Pouco importa o perfil: lindas, tímidas, inteligentes, tolas, atrevidas ou submissas — todos querem cair em sua graça. Com 1,98m de altura e 89kg, seu corpo atlético exibe proporções perfeitas. Pernas longas, braços esculpidos, mãos elegantes de dedos finos. Sua pele alva e lisa não exibe marcas nem veias — parece mármore. Cabelos longos e negros com um leve reflexo azulado. Os traços delicados poderiam sugerir androginia, mas nele, apenas intensificam uma masculinidade brutal. Douglas pisca brevemente ao admirar, talvez inconscientemente, os atributos de seu parceiro. Um a um, os acionistas vão chegando e ocupando seus lugares. A reunião se inicia. O vídeo da operação é apresentado. Kira aparece em ação. O burburinho começa. Alguns acionistas demonstram preocupação. Uma dúvida paira no ar até que alguém a verbaliza: — Quem controla essa agente, Sr. Douglas Veleiro? O que garante a lealdade de Kira? — pergunta o atual acionista majoritário, Sr. Hugo Hëinz. — Querem a prova? — retruca Douglas com um sorriso calmo. Ele insere outro chip no reprodutor. O vídeo mostra Kira eliminando inimigos num ambiente de simulação. Mesmo no auge de sua fúria, ela não ataca Douglas nem a médica ao seu lado. — Alguns aqui reconhecem a Dra. Michelle Bastos e o Dr. Kaneda Schumaker, renomados geneticistas, envolvidos no projeto Anastasys. — Ele dá uma pausa. — Todos os membros-chave — médicos, cientistas, acionistas — estão protegidos pelo protocolo de comando. Douglas continua: — Nosso diretor foi morto num atentado na semana passada. Marcelo Barcellos está sendo cogitado para a presidência, mas... — Alessandro se levanta, a voz firme como aço. — Eu, Alessandro Andrioli, pleiteio o cargo de vice-presidente, com base no êxito da missão na Pegasus Med. A sala mergulha em discussões. Mas a lógica de sucessão e o sucesso da operação falam mais alto. Em poucos minutos, os votos são contabilizados. Alessandro é nomeado vice-diretor da BioCom. Douglas é oficialmente reconhecido como seu Primeiro Secretário. Ambos se cumprimentam com um olhar cúmplice. Agora, com o poder em mãos, Alessandro Andrioli e Douglas Veleiro assumem novos papéis — papéis que não apenas moldarão o destino da BioCom, mas talvez o da própria humanidade. Após a saída dos acionistas, os dois brindam. — Mais um sucesso — diz Douglas, erguendo seu copo de Macallan 12 anos. — Em breve, Alessandro, você terá uma surpresa incrível. E será grato a mim por esta vida e talvez pela próxima. Alessandro sorri com curiosidade. Os olhos brilham. Ele sabe que o jogo está só começando.
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