O sol da manhã entrava pelas cortinas.
Calmo.
Quase inocente.
O completo oposto da noite anterior.
Eu estava deitada, ainda meio perdida entre o sono e as lembranças.
Mas diferente das primeiras vezes…
Agora havia algo novo.
Conforto.
Segurança.
Calor.
Abri os olhos devagar.
E senti.
Eles.
Caio de um lado, o braço pesado sobre minha cintura.
Noah do outro, próximo o suficiente pra eu sentir a respiração calma.
E Hugo… com a cabeça apoiada na minha barriga, exatamente como fazia desde o começo.
Soltei um pequeno sorriso.
— Vocês não mudam, né… — murmurei.
— Nem queremos — Hugo respondeu, a voz ainda rouca de sono.
Ri baixo.
Fiquei em silêncio por alguns segundos…
Sentindo.
Absorvendo.
Dois meses.
Dois meses vivendo aquilo.
E o mais assustador…
Era o quanto já parecia normal.
Respirei fundo.
— Tá…
Eles ficaram atentos na mesma hora.
— Eu tô aqui há dois meses com vocês…
Levantei um pouco a cabeça, olhando de um pro outro.
— E ainda não vi o rosto de vocês, né?
Silêncio.
E então…
Eles riram.
Baixo.
Divertido.
— Temos medo — Noah disse.
Franzi a testa.
— Medo?
— De você não gostar — Caio completou.
Eu encarei os três por um segundo…
E então ri.
De verdade.
— Ah, que isso…
Balancei a cabeça, sorrindo.
— Vocês são impossíveis.
Passei a mão pelo rosto de Hugo, empurrando de leve.
— Depois de tudo isso… vocês acham mesmo que eu vou fugir por causa disso?
Silêncio.
Mas dessa vez…
Um silêncio diferente.
Mais… pensativo.
Suspirei, me ajeitando na cama.
— Mas tá… — dei de ombros — não vou exigir mais.
Virei o rosto pro teto.
— Quando vocês quiserem mostrar… vocês mostram.
Senti o olhar deles em mim.
Pesado.
Intenso.
Como sempre.
Mas também…
Diferente.
Como se aquela escolha…
A minha escolha de não pressionar…
Tivesse mudado algo.
Caio se aproximou mais, o braço apertando levemente minha cintura.
— Você confia na gente?
A pergunta veio baixa.
Séria.
Pela primeira vez.
Pensei por um segundo.
E isso já dizia muito.
— Confio…
Minha voz saiu mais suave do que eu esperava.
— Mesmo achando vocês completamente doidos.
Eles riram.
— Justo — Hugo murmurou.
Noah se inclinou um pouco mais perto.
— Então espera.
Fechei os olhos por um segundo.
— Eu sei esperar…
E pela primeira vez desde que tudo começou…
Aquilo não parecia mais um jogo de poder.
Nem só obsessão.
Era algo mais profundo.
Mais perigoso.
Porque agora…
Não era só eles que estavam presos em mim.
Eu também estava…
Preso neles.