cercada

769 Words
Tentei falar. Mas as palavras não saíram. Gaguejei. O do meio — o de cabelos longos — se levantou devagar, como se tivesse todo o tempo do mundo. — Senta — ele disse, a voz baixa, firme. Antes que eu pudesse reagir, ele me puxou suavemente pela cintura… e me colocou sentada. No colo dele. Meu corpo inteiro arrepiou. Eu não consegui disfarçar. E ele percebeu. Claro que percebeu. O careca se levantou logo em seguida, posicionando-se atrás de mim. As mãos dele pousaram nos meus ombros… firmes, quentes. O polegar deslizou devagar pelas minhas costas, numa massagem lenta. Eu fechei os olhos por um segundo. Meu corpo respondeu sozinho. O terceiro — o de cabelo curto — se aproximou pela frente. A mão dele segurou meu queixo, levantando meu rosto. Sem força. Mas sem espaço pra recusar. O polegar dele passou pelos meus lábios… E eu… fechei os olhos sem querer. Respirei fundo. Quando percebi… Eu estava cercada. Um atrás, tocando meus ombros. Outro à frente, explorando cada reação minha. E o terceiro… me segurando pela cintura. Meu coração batia forte demais. — Vocês… — minha voz saiu falha — não deviam estar fazendo isso… Um deles soltou um riso baixo. — Isso o quê? O de cabelo longo aproximou o rosto do meu ouvido. — Conhecer melhor a nossa mulher? Meu corpo travou. — Saber os seus gostos… seus desejos… Silêncio. — Seus fetiches. Engoli seco. — Sabe o que é engraçado, Fernanda? A voz dele deslizou pela minha pele. — A gente também gosta de dark romance. Um arrepio percorreu minha coluna. — A diferença… Ele inclinou levemente a cabeça. — É que a gente é o dark romance. Meu coração falhou uma batida. — Só que você não nos deu a chance de mostrar isso — o outro completou. — Você fugiu. E eu… não tinha resposta. — Nós compramos uma mansão — disse o careca, ainda atrás de mim, a voz baixa perto do meu ouvido. — Moramos os três juntos. — E esse tempo todo… — o de cabelo curto completou — foi o suficiente pra preparar tudo. — Do jeitinho que você gosta. Meu corpo tensionou. — Cada detalhe. — Cada espaço. — Cada surpresa. — Presente… — um deles murmurou. — Um, dois… — o outro completou, com um sorriso na voz. Balancei a cabeça, confusa, sobrecarregada. — Isso é demais… eu… eu não tô conseguindo processar… — Vai conseguir — ele respondeu, calmo. — Em breve. Levantei de repente. Precisei de espaço. De ar. Mas não adiantou. Eles se moveram comigo. Um de cada lado. E um na minha frente. Cercada. De novo. — Eu sou uma pessoa normal — falei, tentando recuperar o controle. — Eu tenho uma vida. Uma carreira. Uma casa… — Tinha — um deles corrigiu, tranquilo. Meu coração apertou. — Agora… você é nossa. — E a sua nova casa está esperando. — Não… — balancei a cabeça — não. Eu não vou. Silêncio. O careca se inclinou, aproximando os lábios do meu ouvido direito. — Tem certeza? Meu corpo reagiu imediatamente. — Tenho… — respondi, mas minha voz saiu baixa demais. O de cabelo curto fez o mesmo do outro lado. — Jura? Um arrepio me atravessou inteira. Eu m*l conseguia me manter firme. O de cabelo longo, à minha frente, segurou minha cintura… me puxando levemente pra perto. — Você sabe como foi pra gente? A voz dele era quase um sussurro. — Te observar todos esses meses… e não poder fazer nada. Meu coração disparou. — Ver você dançando sozinha… depois de algumas taças de vinho. Fechei os olhos por um segundo. — Ver você vivendo… sem saber que a gente estava ali. A respiração dele tocou minha pele. — Cuidando de você. Silêncio. — Te observando ler… seus livros. — Se perder neles. — Criar fantasias… Minha respiração ficou irregular. — Você tem ideia… do que foi não poder fazer parte disso? Ele se inclinou. Os lábios tocaram meu pescoço. Um beijo lento. Quente. Meu corpo cedeu por um segundo. Eu quase… Quase me derreti. Os outros dois se aproximaram mais. Presença. Calor. Controle. — Eu… — tentei falar, mas minha voz sumiu. — A gente sabe o que você tá sentindo — ele murmurou. Silêncio. — Só precisa admitir, princesa… Minhas mãos se fecharam em punhos. — Que o seu sonho… Ele ergueu levemente meu rosto. — Se tornou realidade. Abri os olhos. Meus olhos verdes encontraram os deles. Mesmo por trás das máscaras… Eu conseguia ver. Intensidade. Posse. Certeza. E o pior… Nenhum deles parecia disposto a ir embora.
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