Não… não, não… espera…
Dei um passo para trás, as mãos levemente erguidas, como se aquilo fosse me proteger deles.
Isso é loucura… vocês… vocês estão fazendo isso comigo?
Minha respiração estava descompassada.
Vocês vigiaram a minha vida inteira… sabem exatamente do que eu gosto…
Balancei a cabeça, tentando encontrar lógica onde não existia.
É por isso, né? Vocês estão fazendo isso de propósito… pra mexer comigo…
O careca se aproximou novamente.
Lento.
Seguro.
Não…
Estendi a mão instintivamente, tentando afastá-lo—
Mas acabei tocando o pescoço dele.
Quente. Firme.
Minha respiração travou.
Ele inclinou levemente a cabeça… e, mesmo com a máscara, eu senti o sorriso.
Se quiser…a voz dele saiu baixa,eu posso te mostrar mais.
Meu coração disparou.
Cada detalhe…
Ele deu um passo mais perto.
É seu.
Eu queria recuar.
Queria gritar.
Mas meu corpo…
Não obedecia.
O de cabelo curto surgiu atrás de mim.
Perto demais.
O calor do corpo dele encostou no meu… e eu perdi o ar.
Minha cabeça caiu levemente para trás, sem que eu percebesse.
Não… sussurrei, quase implorando pra mim mesma.
Ele riu baixo.
O de cabelos longos fechou o espaço à minha frente.
Agora não havia saída.
Princesa… a voz dele era suave, mas carregada de intenção, sabia que você fica assim?
Engoli seco.
Tentando controlar o que está sentindo…
Minhas mãos tremeram.
Diga o que você quer… ele continuou e a gente resolve isso agora.
Meu coração batia tão forte que doía.
Atrás de mim, senti os lábios próximos ao meu pescoço.
Um toque leve.
Quase inexistente.
Mas suficiente.
Fechei os olhos imediatamente.
Você quer que a gente te leve? o sussurro veio baixo, quente.
Minha mente gritava.
Para. Para agora.
Mas meu corpo…
Traía cada pensamento.
Vocês… estão indo longe demais… consegui dizer, com dificuldade.
Um deles soltou uma leve risada.
A gente sabe que você não é fácil.
Silêncio.
A gente viu você recusar vários.
Meu peito subiu e desceu rapidamente.
A diferença…
A mão na minha cintura apertou levemente.
É que você sempre foi nossa.
Meu corpo inteiro reagiu.
Você fugiu…
Mas nunca deixou de pertencer.
Meu coração falhou uma batida.
É por isso… ele murmurou perto do meu ouvido, que você não consegue resistir.
As mãos deles deslizaram com calma, explorando, testando limites… sem pressa.
Como se já soubessem…
Que eu não iria embora.
Soltei um som baixo, involuntário.
E me odiei por isso.
Que raiva do meu próprio corpo.
Mas ao mesmo tempo…
Era como estar flutuando.
Perdida.
Dominada.
Sentindo tudo.
Antes que eu percebesse, fui erguida do chão.
Um movimento firme.
Seguro.
Instintivamente, segurei nele.
Meu coração disparado.
Minha mente confusa.
Isso tá acontecendo…
Eles começaram a se mover.
Me levando.
E eu sabia exatamente para onde.
Fechei os olhos por um segundo.
Eu deveria estar lutando.
Mas não estava.
E isso…
Era o que mais me assustava.
Porque, no fundo…
Uma parte de mim…
Queria descobrir até onde aquilo ia.