— Princesa… é mentira.
A voz de Caio veio firme.
Urgente.
Eles vieram atrás de mim.
Rápidos.
Eu já estava no quarto de hóspedes.
Sentada na cama.
Quieta.
— É mentira. — Noah reforçou.
— A gente tá junto há quase um ano.
Hugo continuou, mais tenso:
— E você é a única mulher com quem a gente não toma cuidado desse jeito.
Olhei pra eles.
Sem reação.
Caio se aproximou.
— Com qualquer outra mulher…
— Sempre teve preservativo.
— Sempre.
Noah completou:
— Nunca fomos descuidados.
— Nunca.
Hugo passou a mão no cabelo, nervoso.
— E mesmo assim…
— A gente fazia elas tomarem pílula no dia seguinte.
— A gente ficava até ter certeza.
Silêncio.
— Não tem como isso ser real.
Caio finalizou.
Eles me olhavam.
Esperando.
— Eu não disse que acredito.
Minha voz saiu baixa.
Eles travaram.
— Mas você também não disse que não acredita.
Noah respondeu.
Olhei pra baixo.
Respirei fundo.
— Eu não tô gritando, né?
Silêncio.
— Não tô brigando.
— Não tô surtando.
Levantei os olhos.
— Isso não significa que eu tô bem.
Aquilo bateu neles.
Forte.
Hugo falou baixo:
— Essa é a pior versão.
Caio completou:
— A gente prefere quando você grita.
— Quando você perde o controle.
— Quando você vem pra cima da gente.
Noah se aproximou mais.
— Porque isso aqui…
— Esse silêncio…
— Afasta você da gente.
Fechei os olhos.
— Não me força a reagir.
Silêncio.
E então…
Caio tomou uma decisão.
Devagar…
Ele levou a mão até o rosto.
E tirou a máscara.
Meu coração disparou.
Eu congelei.
Pela primeira vez…
Eu vi.
De verdade.
O corte na testa.
A cicatriz na lateral do rosto.
Marcas reais.
Mas…
Ele era lindo.
De um jeito bruto.
Intenso.
Verdadeiro.
Minha mão se levantou sozinha.
Tocou o rosto dele.
Devagar.
Como se fosse algo precioso.
— Quem disse que isso tira sua beleza…?
Minha voz saiu em um sussurro.
Os olhos dele fecharam.
— Eu achei que você ia odiar…
Balancei a cabeça.
E me aproximei.
Beijei a cicatriz.
E depois…
Os lábios dele.
Quando abri os olhos…
Os outros dois…
Também estavam sem máscara.
Noah.
O nariz levemente marcado.
Pequenas cicatrizes quase invisíveis.
O cabelo caindo nos ombros.
A barba desenhada.
Lindo.
De um jeito calmo.
Hipnotizante.
— E você…?
Eu sussurrei, me aproximando.
Beijei o canto do nariz dele.
Depois os lábios.
— Quem disse que você precisa esconder isso?
Hugo ficou por último.
A cicatriz na bochecha era maior.
Mais visível.
Mais crua.
Ele desviou o olhar.
— Eu pensei em esconder…
— Mas nada ficava bom.
Cheguei mais perto.
Segurei o rosto dele.
Sem hesitar.
E beijei exatamente onde ele mais escondia.
Ele travou.
— Quem disse que isso te diminui?
E então…
Beijei os lábios dele.
Devagar.
Com carinho.
Silêncio.
Mas agora…
Completamente diferente.
Olhei pros três.
— O que me doeu…
Minha voz mais baixa.
— Foi vocês acharem que eu não ia aceitar.
Eles ficaram quietos.
Sentindo.
— Eu acredito que isso é armação.
— Que alguém tá tentando mexer com a gente.
Eles trocaram olhares.
Tensos.
Mas antes de qualquer resposta…
Caio segurou meu rosto.
— Agora…
— Você volta pra gente?
Noah completou, mais suave:
— De verdade?
Hugo encostou a testa na minha.
— Aquela que roubava beijo…
— Que tocava a gente sem medo…
Eu sorri.
De leve.
Mas sincera.
— Eu nunca fui embora.
Pausa.
— Eu só estava esperando vocês chegarem de verdade.
Silêncio.
E então…
eles sorriram.
— Fora do quarto…
— A gente ainda usa máscara.
Caio disse.
— Mas aqui…
Noah completou.
— Nunca mais.
Hugo finalizou.
Assenti.
— Tá bom.
Eles riram baixo.
Aliviados.
— Obrigado, Deus…
Hugo murmurou.
Eu ri.
De verdade.
Pela primeira vez em dias.
E quando eles se aproximaram de novo…
Agora…
Quando diziam:
— Olha pra mim…
Eu olhava.
De verdade.
Sem máscara.
Sem barreira.
Sem distância.