Sem máscaras

659 Words
— Princesa… é mentira. A voz de Caio veio firme. Urgente. Eles vieram atrás de mim. Rápidos. Eu já estava no quarto de hóspedes. Sentada na cama. Quieta. — É mentira. — Noah reforçou. — A gente tá junto há quase um ano. Hugo continuou, mais tenso: — E você é a única mulher com quem a gente não toma cuidado desse jeito. Olhei pra eles. Sem reação. Caio se aproximou. — Com qualquer outra mulher… — Sempre teve preservativo. — Sempre. Noah completou: — Nunca fomos descuidados. — Nunca. Hugo passou a mão no cabelo, nervoso. — E mesmo assim… — A gente fazia elas tomarem pílula no dia seguinte. — A gente ficava até ter certeza. Silêncio. — Não tem como isso ser real. Caio finalizou. Eles me olhavam. Esperando. — Eu não disse que acredito. Minha voz saiu baixa. Eles travaram. — Mas você também não disse que não acredita. Noah respondeu. Olhei pra baixo. Respirei fundo. — Eu não tô gritando, né? Silêncio. — Não tô brigando. — Não tô surtando. Levantei os olhos. — Isso não significa que eu tô bem. Aquilo bateu neles. Forte. Hugo falou baixo: — Essa é a pior versão. Caio completou: — A gente prefere quando você grita. — Quando você perde o controle. — Quando você vem pra cima da gente. Noah se aproximou mais. — Porque isso aqui… — Esse silêncio… — Afasta você da gente. Fechei os olhos. — Não me força a reagir. Silêncio. E então… Caio tomou uma decisão. Devagar… Ele levou a mão até o rosto. E tirou a máscara. Meu coração disparou. Eu congelei. Pela primeira vez… Eu vi. De verdade. O corte na testa. A cicatriz na lateral do rosto. Marcas reais. Mas… Ele era lindo. De um jeito bruto. Intenso. Verdadeiro. Minha mão se levantou sozinha. Tocou o rosto dele. Devagar. Como se fosse algo precioso. — Quem disse que isso tira sua beleza…? Minha voz saiu em um sussurro. Os olhos dele fecharam. — Eu achei que você ia odiar… Balancei a cabeça. E me aproximei. Beijei a cicatriz. E depois… Os lábios dele. Quando abri os olhos… Os outros dois… Também estavam sem máscara. Noah. O nariz levemente marcado. Pequenas cicatrizes quase invisíveis. O cabelo caindo nos ombros. A barba desenhada. Lindo. De um jeito calmo. Hipnotizante. — E você…? Eu sussurrei, me aproximando. Beijei o canto do nariz dele. Depois os lábios. — Quem disse que você precisa esconder isso? Hugo ficou por último. A cicatriz na bochecha era maior. Mais visível. Mais crua. Ele desviou o olhar. — Eu pensei em esconder… — Mas nada ficava bom. Cheguei mais perto. Segurei o rosto dele. Sem hesitar. E beijei exatamente onde ele mais escondia. Ele travou. — Quem disse que isso te diminui? E então… Beijei os lábios dele. Devagar. Com carinho. Silêncio. Mas agora… Completamente diferente. Olhei pros três. — O que me doeu… Minha voz mais baixa. — Foi vocês acharem que eu não ia aceitar. Eles ficaram quietos. Sentindo. — Eu acredito que isso é armação. — Que alguém tá tentando mexer com a gente. Eles trocaram olhares. Tensos. Mas antes de qualquer resposta… Caio segurou meu rosto. — Agora… — Você volta pra gente? Noah completou, mais suave: — De verdade? Hugo encostou a testa na minha. — Aquela que roubava beijo… — Que tocava a gente sem medo… Eu sorri. De leve. Mas sincera. — Eu nunca fui embora. Pausa. — Eu só estava esperando vocês chegarem de verdade. Silêncio. E então… eles sorriram. — Fora do quarto… — A gente ainda usa máscara. Caio disse. — Mas aqui… Noah completou. — Nunca mais. Hugo finalizou. Assenti. — Tá bom. Eles riram baixo. Aliviados. — Obrigado, Deus… Hugo murmurou. Eu ri. De verdade. Pela primeira vez em dias. E quando eles se aproximaram de novo… Agora… Quando diziam: — Olha pra mim… Eu olhava. De verdade. Sem máscara. Sem barreira. Sem distância.
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