Fantasmas do passado

502 Words
Era fim de tarde. A casa silenciosa. Como vinha sendo nos últimos dias. Ela estava no sofá. Celular na mão. Distraída. Ou tentando ficar. Até que uma notificação apareceu. Mensagem. Número desconhecido. Franziu a testa. Abriu. “Oi… acho que você devia saber.” O coração deu um leve aperto. Outra mensagem. Outro número. E mais um. Três. Ela abriu a primeira conversa. E congelou. “Eu fiquei com o Caio há alguns meses.” “E acho justo você saber…” “Eu tô grávida.” O mundo pareceu parar. Ela abriu a segunda. Mãos já tremendo. “Não sei qual é a sua relação com o Noah…” “Mas ele precisa saber.” “Eu também tô grávida.” O ar sumiu. A terceira. “Sobre o Hugo…” “Você merece saber a verdade.” “Eu tô esperando um filho dele.” Silêncio. Absoluto. Pesado. Os olhos dela percorreram a tela. De novo. De novo. Como se o cérebro se recusasse a aceitar. Três mulheres. Três mensagens. Mesma coisa. O peito apertou. Forte. Dolorido. Mas ela não chorou. Não gritou. Só respirou fundo. Uma vez. Duas. E respondeu. “Obrigada por me avisarem.” “Eu vou resolver isso.” Simples. Direta. Fria. Levantou. Sem pressa. Mas completamente diferente. Subiu as escadas. Cada passo pesado. Abriu a porta do quarto. Eles estavam lá. Deitados. Relaxados. Alheios. Ela não falou nada. Só caminhou até eles. E colocou o celular na frente. Silêncio. Eles olharam. Confusos. Ela não explicou. Só disse: — Leiam. E saiu. Fechou a porta. Do lado de dentro… o clima mudou em segundos. Caio pegou o celular. Abriu. Leu. O maxilar travou. Noah se levantou. — O que foi? Pegou o celular. Leu. — Que p***a é essa? Hugo já estava olhando por cima. Pegou o aparelho. Leu a terceira. Silêncio. Pesado. Perigoso. — Isso é mentira. A voz de Caio saiu baixa. Mas cortante. — Óbvio que é — Noah respondeu na hora. — Isso tá armado. Hugo passou a mão no rosto. Tenso. — Três? — Ao mesmo tempo? — Isso não existe. Caio voltou a olhar as mensagens. Mais atento. Mais frio. — Elas sabiam exatamente pra quem mandar. Noah fechou o punho. — Alguém tá mexendo com a gente. Hugo olhou pra porta. Por onde ela saiu. — E com ela. Silêncio. — Ela viu isso primeiro… A voz de Noah ficou mais baixa. Caio fechou os olhos por um segundo. — E não falou nada. Hugo completou: — Só deixou pra gente ver. Aquilo bateu diferente. Porque não foi um surto. Não foi um ataque. Foi… distância. Controle. Frieza. — A gente precisa resolver isso agora. Caio levantou. Noah já estava pegando o celular. — Eu vou rastrear esses números. Hugo olhou de novo pra porta. Mais sério. Mais pesado. — E antes disso… Pausa. — A gente precisa falar com ela. Porque dessa vez… não era só passado. Era algo tentando quebrar… o pouco que ainda estava de pé.
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