Era fim de tarde.
A casa silenciosa.
Como vinha sendo nos últimos dias.
Ela estava no sofá.
Celular na mão.
Distraída.
Ou tentando ficar.
Até que uma notificação apareceu.
Mensagem.
Número desconhecido.
Franziu a testa.
Abriu.
“Oi… acho que você devia saber.”
O coração deu um leve aperto.
Outra mensagem.
Outro número.
E mais um.
Três.
Ela abriu a primeira conversa.
E congelou.
“Eu fiquei com o Caio há alguns meses.”
“E acho justo você saber…”
“Eu tô grávida.”
O mundo pareceu parar.
Ela abriu a segunda.
Mãos já tremendo.
“Não sei qual é a sua relação com o Noah…”
“Mas ele precisa saber.”
“Eu também tô grávida.”
O ar sumiu.
A terceira.
“Sobre o Hugo…”
“Você merece saber a verdade.”
“Eu tô esperando um filho dele.”
Silêncio.
Absoluto.
Pesado.
Os olhos dela percorreram a tela.
De novo.
De novo.
Como se o cérebro se recusasse a aceitar.
Três mulheres.
Três mensagens.
Mesma coisa.
O peito apertou.
Forte.
Dolorido.
Mas ela não chorou.
Não gritou.
Só respirou fundo.
Uma vez.
Duas.
E respondeu.
“Obrigada por me avisarem.”
“Eu vou resolver isso.”
Simples.
Direta.
Fria.
Levantou.
Sem pressa.
Mas completamente diferente.
Subiu as escadas.
Cada passo pesado.
Abriu a porta do quarto.
Eles estavam lá.
Deitados.
Relaxados.
Alheios.
Ela não falou nada.
Só caminhou até eles.
E colocou o celular na frente.
Silêncio.
Eles olharam.
Confusos.
Ela não explicou.
Só disse:
— Leiam.
E saiu.
Fechou a porta.
Do lado de dentro…
o clima mudou em segundos.
Caio pegou o celular.
Abriu.
Leu.
O maxilar travou.
Noah se levantou.
— O que foi?
Pegou o celular.
Leu.
— Que p***a é essa?
Hugo já estava olhando por cima.
Pegou o aparelho.
Leu a terceira.
Silêncio.
Pesado.
Perigoso.
— Isso é mentira.
A voz de Caio saiu baixa.
Mas cortante.
— Óbvio que é — Noah respondeu na hora.
— Isso tá armado.
Hugo passou a mão no rosto.
Tenso.
— Três?
— Ao mesmo tempo?
— Isso não existe.
Caio voltou a olhar as mensagens.
Mais atento.
Mais frio.
— Elas sabiam exatamente pra quem mandar.
Noah fechou o punho.
— Alguém tá mexendo com a gente.
Hugo olhou pra porta.
Por onde ela saiu.
— E com ela.
Silêncio.
— Ela viu isso primeiro…
A voz de Noah ficou mais baixa.
Caio fechou os olhos por um segundo.
— E não falou nada.
Hugo completou:
— Só deixou pra gente ver.
Aquilo bateu diferente.
Porque não foi um surto.
Não foi um ataque.
Foi… distância.
Controle.
Frieza.
— A gente precisa resolver isso agora.
Caio levantou.
Noah já estava pegando o celular.
— Eu vou rastrear esses números.
Hugo olhou de novo pra porta.
Mais sério.
Mais pesado.
— E antes disso…
Pausa.
— A gente precisa falar com ela.
Porque dessa vez…
não era só passado.
Era algo tentando quebrar…
o pouco que ainda estava de pé.