Presente mais distante

421 Words
A casa continuava a mesma. Os corredores. Os quadros. O silêncio confortável de antes. Mas… Nada estava igual. Ela ainda estava ali. No sofá. No quarto. Na mesa. Com eles. Mas… não com eles. Ela assistia filmes. Deitada. Olhar fixo na tela. Mas distante. Pensativa. Antes… Ela ria alto. Comentava. Se jogava em cima deles. Mudava de posição o tempo todo. Se encaixava. Provocava. Agora… Ela só ficava. Quieta. Eles tentavam. Claro que tentavam. — Vem cá… Hugo chamou, abrindo o braço. Ela foi. Sem recusar. Se deitou ali. Mas… Sem se encaixar de verdade. Noah passou a mão pelo cabelo dela. — Tá cansada? — Um pouco. Resposta curta. Educada. Caio tentou trazer leveza. — Cadê aquela que não parava quieta? Silêncio. Ela deu um sorrisinho pequeno. Mas não respondeu. Aquilo bateu. Forte. Eles continuavam tentando. Toques. Beijos. Aproximações. E ela respondia. Sempre respondia. Mas não era igual. Quando Caio beijava ela… Ela correspondia. Mas a mão dela… parava no braço. No máximo no ombro. Nunca mais subia. Nunca mais chegava ao rosto. Antes… Ela segurava o rosto deles. Mesmo com a máscara. Acariciava. Explorava. Como se quisesse sentir além. Agora… nem encostava. Noah percebeu primeiro. Claro que percebeu. — Você nem olha mais pra gente direito. A voz saiu baixa. Mais sentida do que acusadora. Ela desviou o olhar. — Eu olho sim… Mas não olhava. Não como antes. Antes… ela se perdia nos olhos deles. Ficava ali. Segurando. Sentindo. Agora… ela evitava. Como se aquilo… lembrasse ela de algo. Ou faltasse algo. Hugo tentou se aproximar por trás. Abraçou ela. Como sempre fazia. Beijou o pescoço dela. Ela fechou os olhos. Sentiu. Mas não se entregou. — Tá tudo bem? — ele perguntou. — Tá… Mas não estava. O silêncio voltou. Mas agora… incômodo. Caio passou a mão pelo rosto. Frustrado. — Isso não tá normal. Noah completou: — Ela tá aqui… — Mas não tá. Hugo falou mais baixo: — A gente perdeu alguma coisa. E perderam. Porque antes… ela puxava eles. Agora… eles que puxavam ela. Antes… ela roubava beijos. Agora… ela só aceitava. Antes… ela tocava na máscara. Sem medo. Sem barreira. Agora… nem chegava perto. E aquilo… doía. Mais do que qualquer discussão. Porque não era briga. Não era raiva. Era ausência. Naquela noite… ela deitou primeiro. Virou pro lado. E ficou quieta. Eles ficaram olhando. Em silêncio. Sem saber como consertar. Porque dessa vez… não era sobre controle. Era sobre algo que… eles estavam perdendo. Devagar. E não sabiam como trazer de volta.
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