Capítulo 0 — Retratos de um Encontro Inevitável
Aline Méndez / Nina Alves
Aline Cristina Méndez nasceu em Campinas, interior de São Paulo, em 2 de junho de 1998.
Filha única de Marta Méndez, professora de literatura, e de Eduardo Méndez, contador falecido quando ela tinha 14 anos, Aline cresceu cercada por livros, silêncio e responsabilidades.
Desde pequena, aprendeu a ser organizada e observadora — qualidades que herdou da mãe e que mais tarde se tornariam sua marca profissional.
Estudou Administração com ênfase em Secretariado Executivo Bilíngue na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo.
Mudou-se sozinha para a capital aos 20 anos, carregando duas malas e a promessa feita à mãe de que “um dia voltaria com orgulho”.
Aline é uma mulher de beleza discreta, de traços finos e olhos castanhos que escondem nuances de âmbar — algo que quase ninguém nota por causa dos óculos de armação grossa que ela usa desde a adolescência.
Seu cabelo é castanho-escuro, geralmente preso em coque ou r**o de cavalo, e o rosto raramente vê maquiagem além do batom cor de pêssego que se tornou sua assinatura silenciosa.
No trabalho, é conhecida pela eficiência quase inumana.
Sabe de cor os hábitos, gostos e manias do chefe; conhece as agendas de todos os diretores e a personalidade de cada m****o da equipe.
Mas, apesar da perfeição profissional, Aline sente falta de ser vista.
Durante anos, acostumou-se a ser “a mulher que resolve tudo” — mas nunca “a mulher que alguém deseja”.
Essa dor silenciosa começou a crescer quando percebeu que Paulo Bianchi, o homem por quem nutre uma admiração contida, sequer repara na cor dos seus olhos.
Foi então que, com a ajuda da amiga Beatriz Duarte, ela criou uma segunda identidade: Nina Alves.
O nome veio de uma antiga atriz francesa que Aline admirava; o sobrenome, de uma vizinha da infância que sempre dizia “as mulheres bonitas nunca pedem permissão”.
Como Nina, Aline se transforma.
Solta os cabelos, veste vermelho, calça salto alto e fala o que sente.
Nina é confiante, provocante e livre — o oposto da recatada secretária do 30º andar.
Mas por trás do jogo de sedução, Nina é apenas o reflexo de uma alma em busca de algo simples: ser amada sem precisar se esconder.
Aline vive sozinha em um pequeno apartamento no bairro de Pinheiros.
Seu refúgio é o quarto, onde guarda cadernos com poesias que nunca mostrou a ninguém.
Tem medo de perder o controle, mas um desejo profundo de finalmente se descobrir.
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Paulo Daniel Bianchi
Paulo Daniel Bianchi nasceu em 5 de outubro de 1989, em São Paulo, capital.
É o mais velho dos dois filhos de Roberto Bianchi, fundador da rede Bianchi Hotels Group, e de Helena Bianchi, uma mulher de elegância clássica e personalidade forte.
Desde cedo, Paulo aprendeu que o nome “Bianchi” vinha acompanhado de peso, status e expectativas.
Estudou Administração e Economia em Londres, onde também concluiu um MBA em Gestão Internacional de Negócios.
Brilhante e ambicioso, retornou ao Brasil aos 28 anos, após a morte repentina do pai, para assumir o comando do império familiar — uma rede de mais de trinta hotéis de luxo espalhados pelo mundo.
Paulo é um homem de presença marcante: 1,87m de altura, cabelos castanhos levemente ondulados, olhos azuis acinzentados e uma postura que exala controle.
Tem um rosto de traços firmes, uma cicatriz discreta no queixo (resultado de uma queda quando criança) e um olhar que parece medir o mundo antes de confiar.
Sua reputação é de homem exigente, perfeccionista e frio.
Nos negócios, é temido.
Nos relacionamentos, reservado ao extremo.
A última mulher que permitiu se aproximar — Isabela Moura, jornalista de renome — o traiu publicamente, expondo detalhes de sua vida pessoal em uma matéria sensacionalista.
Desde então, Paulo fechou as portas de qualquer envolvimento emocional.
Acredita que o amor é um luxo perigoso, e que a lealdade vale mais que o desejo.
Por isso, vê em Aline uma funcionária exemplar: discreta, competente e previsível.
Mas o destino começa a brincar quando ele conhece Nina — a mulher que o desafia, o provoca e desperta nele um desejo que há muito tentava esquecer.
O que ele não imagina é que ambas são a mesma pessoa.
Paulo vive sozinho em um apartamento no Itaim Bibi, decorado com linhas retas e tons neutros — espelho da sua personalidade.
Corre todas as manhãs, não gosta de festas e coleciona relógios antigos.
Sob a superfície fria, há um homem que teme ser enganado novamente — e que precisará aprender a amar com vulnerabilidade.
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Beatriz Duarte
Beatriz Helena Duarte, 28 anos, é estilista e dona de uma pequena marca de roupas autorais chamada Duarte Atelier.
De origem simples, filha de uma costureira e um marceneiro de Sorocaba, Bia é o oposto de Aline em quase tudo.
Onde Aline é contida, Bia é explosiva.
Onde Aline é recatada, Bia é pura cor e energia.
Elas se conheceram na faculdade, quando Aline a ajudou a estudar inglês. A amizade cresceu como um contraponto perfeito: Aline encontrou em Bia um espelho da mulher que gostaria de ser; Bia, por sua vez, via em Aline a calma que sempre lhe faltou.
Foi Bia quem criou o nome “Nina Alves” e também quem costurou o primeiro vestido vermelho que Aline usaria sob essa nova identidade.
Ela sabe do perigo de brincar com sentimentos, mas acredita que “às vezes, é preciso viver um pouco de mentira para descobrir a própria verdade”.
Solteira convicta, Bia é espirituosa e leal, mas teme se apaixonar.
Ela será a voz da consciência — e também o empurrão que Aline precisará quando tudo parecer desabar.
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Lucas Montenegro
Lucas Henrique Montenegro, 36 anos, é o diretor financeiro do grupo Bianchi e melhor amigo de Paulo desde a adolescência.
De origem carioca, estudou com Paulo na Inglaterra e sempre foi o contraponto humano do amigo — mais risonho, mais intuitivo, e infinitamente mais curioso sobre o comportamento das pessoas.
Lucas é divorciado e pai de uma menina de 6 anos, Lara, que vive com a mãe no Rio de Janeiro.
Ele é charmoso, dono de um humor irônico e um olhar observador que raramente se engana.
É também o primeiro a perceber a semelhança entre Aline e Nina, muito antes de Paulo suspeitar.
Ao longo da história, Lucas se torna peça fundamental — o equilíbrio entre razão e emoção.
É ele quem provoca Paulo a refletir, quem o faz enxergar que nem tudo pode ser calculado.
E, em silêncio, carrega seu próprio arrependimento: ter deixado escapar o amor da ex-esposa por priorizar a carreira.
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Clara Bianchi
Clara Helena Bianchi, 32 anos, é a irmã mais nova de Paulo e diretora de Relações Públicas da empresa.
Extrovertida, carismática e inteligente, Clara é a alma leve da família — mas também uma mulher que aprendeu a sobreviver no mundo corporativo dominado por egos e aparências.
Tem uma relação de amor e impaciência com o irmão.
Admira Paulo, mas o considera emocionalmente analfabeto.
É ela quem tenta, diversas vezes, aproximá-lo da vida real — insistindo que ele tire férias, que sorria mais, que “olhe para as pessoas, não apenas através delas”.
Clara simpatiza com Aline desde o primeiro dia.
Percebe nela algo que Paulo insiste em ignorar.
E quando o segredo vier à tona, Clara será a única capaz de mostrar ao irmão o valor do perdão.
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Eduardo Ribeiro
Eduardo Ribeiro, 33 anos, é empresário do ramo de marketing de luxo e um dos frequentadores assíduos dos círculos sociais de São Paulo.
Bonito, confiante e de fala envolvente, Eduardo é o tipo de homem que sabe usar o charme como arma — e que se interessa por Nina assim que a conhece em uma festa.
Para ele, ela é um mistério que precisa ser decifrado.
Para Aline, ele representa o perigo de ser descoberta — e também o espelho da mulher que ela finge ser.
Mas Eduardo não é apenas um coadjuvante.
Com o tempo, revela um lado mais sensível, um homem cansado das aparências do mundo em que vive.
Sua presença cria ciúmes, tensão e provoca Paulo a se perguntar: o que realmente sente por Nina?
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Helena Bianchi
Helena Maria Bianchi, 63 anos, é a matriarca da família e ex-diretora de um dos hotéis mais antigos do grupo.
De elegância natural e opiniões firmes, Helena representa a tradição e o orgulho dos Bianchi.
Apesar da rigidez, é uma mulher justa — e tem um carinho silencioso por Aline, a quem considera “a única pessoa que entende o filho”.
Helena foi uma grande influência na formação de Paulo, ensinando-o a manter a imagem impecável da família — mas, com o tempo, percebe o custo emocional desse legado.
Será dela a fala mais marcante no final:
> “Filho, o amor não é um investimento. É um risco. E é o único que realmente vale a pena correr.”
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Esses são os fios que tecem o destino de Aline Méndez e Paulo Bianchi.
Cada um deles — Bia, Lucas, Clara, Eduardo, Helena — será peça vital em uma história de descobertas, segredos e redenção.
Porque, no fim, Atração Irresistível não é apenas sobre desejo.
É sobre o momento em que as máscaras caem — e o amor, finalmente, vê quem estava por trás o tempo todo.