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1130 Words
O vapor deixou uma bandeja caprichada de petiscos sobre a mesa. Tinha batata frita, calabresa acebolada, frango a passarinho e mandioca frita. Ula olhou surpresa. — Ué... isso tudo? O rapaz sorriu. — Cortesia do chefe. Ela levantou os olhos na direção de Dogão. Ele apenas fez um sinal discreto com a cabeça. Ula sorriu de volta. — Valeu. Ela voltou para a mesa. Jéssica olhou para a bandeja e depois para a irmã. — Hummm... teu admirador tá caprichando hoje, hein? Ula deu uma risada. — Para de viajar. — Tô viajando nada. Bianca entrou na brincadeira. — Também acho que tem alguém querendo impressionar. Ula pegou uma batata frita. — Vocês duas assistem romance demais. Jéssica riu. — Tá bom... enquanto isso eu vou ali conversar com o Orelha. Ela olhou discretamente para ele. — Até que ele tá bonitão. Bianca caiu na gargalhada. — Eita! Jéssica deu de ombros. — Ué... antigamente ele era magrelo pra caramba. Agora tá fortão. As três riram. Pouco depois, Bianca foi dançar com um rapaz que tinha conhecido ali mesmo no baile. Ula olhou para a irmã. — Acho que deu bom pra ela. Jéssica riu. — Deu mesmo. As duas continuaram beliscando os petiscos. Depois de alguns minutos, Ula limpou as mãos num guardanapo. — Já volto. Ela caminhou até onde Dogão estava. Parou ao lado dele. — E tu... não vai comer nada? Dogão sorriu. — Tô de boa. Ela arqueou a sobrancelha. — Jura? Olhou para a garrafa quase vazia sobre a mesa. — Já foi mais de uma garrafa de whisky e tá "de boa"? Ele deu uma risada. — Tá preocupada comigo? Ela cruzou os braços. — Reciprocidade. Ele franziu a testa, divertido. — Como assim? — Tu mandou petisco pra gente. — Mandei. — Pra ninguém exagerar na bebida. Ele sorriu. — Pensei que era melhor vocês comerem alguma coisa também. Ula balançou a cabeça. — Tá vendo? Então eu também posso falar pra tu comer alguma coisa. Dogão riu. — Justo. Ela apontou para a mesa. — Ainda tem bastante petisco lá. — Eu apareço daqui a pouco. Ela sorriu. — Fechado. Os dois ficaram alguns segundos em silêncio, apenas acompanhando o movimento do baile. Então Ula voltou para a mesa. Assim que ela se afastou, Orelha apareceu ao lado de Dogão segurando o riso. — Rapaz... Dogão nem olhou para ele. — Lá vem. — Tu fica olhando pra ela, ela fica vindo puxar assunto contigo... Dogão respirou fundo. — Fala logo. Orelha abriu um sorriso. — Cria coragem e convida ela pra sair um dia, p***a. Dogão deu uma risada. — Tá doido? — Tô falando sério. — Ela tá curtindo a noite dela. Não vou estragar isso. Orelha balançou a cabeça. — Tu pensa demais. Dogão deu um leve empurrão no ombro dele. — E tu pensa de menos. Orelha caiu na gargalhada. — Tá bom, chefe. Dogão apontou discretamente para Jéssica, que conversava animadamente perto da pista. — Agora vai lá trocar ideia com a dama de vermelho. Orelha abriu um sorriso. — Aí sim tu falou bonito. Dogão riu. — Vai, antes que outro chegue primeiro. — Tô indo! Orelha desceu as escadas sorrindo, enquanto Dogão permaneceu observando o baile. Do outro lado da pista, Ula ria com a irmã e Bianca, e, pela primeira vez em muito tempo, ele percebeu que estava aproveitando a festa tanto quanto qualquer outro morador dali. Depois de um tempo, Ula entrou no banheiro feminino. Parou em frente ao espelho. Retocou o batom, ajeitou os cabelos loiros e deu uma conferida rápida na maquiagem. — Pronto. Quando estava saindo, a porta abriu. Uma mulher entrou e cruzou o caminho dela. Olhou Ula de cima a baixo. — Tá se achando, né... loira? Ula franziu a testa. — Como é? A mulher deu um sorriso debochado. — Tá toda feliz porque o Dogão mandou combo, petisco... tá te tratando diferente. Ula respirou fundo. — Olha, eu não tô entendendo onde tu quer chegar. — Vou falar bem claro então. Ela deu um passo à frente. — Ele é meu. Ula soltou uma risada curta. — Teu? — E quando esse baile acabar, quem vai sair com ele sou eu, não tu. Ula balançou a cabeça, sem perder a calma. — Deixa eu te falar uma coisa. O tom dela ficou firme. — Eu nunca disputei homem com mulher nenhuma e não vou começar hoje. Ela encarou a outra. — Se tu tem algum assunto com ele, resolve com ele. Fez uma pausa. — Agora, não vem tirar satisfação comigo por uma coisa que eu nem procurei. A mulher continuava encarando. Ula manteve a postura. — E outra... Ela apontou discretamente para a porta. — Nunca mais chega em mim desse jeito, querendo arrumar confusão. — Tá me ameaçando? — Não. Ula respondeu com tranquilidade. — Tô dizendo que eu vim pra curtir meu baile. Não enche meu saco, que eu também não encho o teu. Sem esperar resposta, passou por ela e deixou o banheiro. ... Assim que voltou para a área do VIP, Dogão percebeu que ela estava mais séria. Ele olhou discretamente para Orelha. — Aconteceu alguma coisa. Orelha acompanhou o olhar dela e, logo depois, viu Suzana saindo do banheiro feminino. Ele conhecia bem aquela expressão. — Ih... Dogão virou para ele. — O quê? Orelha respondeu baixo. — Acho que foi a Suzana. — Tem certeza? — Não... mas ela saiu logo depois da Ula. Dogão suspirou. — Espero que não tenha dado problema. Orelha cruzou os braços. — Chefe... — Fala. — Posso dar um conselho? Dogão riu de canto. — Lá vem. — Se tu realmente gosta da companhia da Ula, para de deixar as coisas no ar. Dogão ficou em silêncio. Orelha continuou: — Ela sempre te tratou com respeito. Tu também respeita ela. Mas se ficar só nessa de olhar de longe, uma hora aparecem m*l-entendidos, gente inventando história, ciúme de quem nem tem compromisso... Ele deu de ombros. — Aí quem acaba se afastando é ela. Dogão apoiou os cotovelos na grade. — Não quero colocar ela no meio de problema nenhum. — Justamente por isso. Orelha respondeu. — Se um dia tu resolver chamar ela pra sair, faz direito. Conversa, vê se ela tem interesse. Se não tiver, respeita e segue a vida. Mas ficar só imaginando as coisas também não resolve. Dogão ficou olhando a pista por alguns segundos. Depois soltou um sorriso discreto. — Tu fala demais. Orelha riu. — Mas dessa vez eu acho que falei certo. Dogão não respondeu. Apenas voltou os olhos para a pista, onde Ula já conversava novamente com a irmã e Bianca, tentando deixar para trás o clima desagradável que tinha acabado de viver no banheiro.
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