Alguns dias depois, numa sexta-feira à noite, Ula resolveu dar uma folga para si mesma.
O salão tinha fechado cedo, e ela passou um tempo se arrumando.
Vestiu uma saia preta de couro, um top branco de renda, uma sandália baixa e uma bolsa prata. Os cabelos loiros estavam bem escovados, caindo quase até o quadril. A maquiagem destacava ainda mais seus olhos verdes, e as tatuagens dos braços, do pescoço e a pequena tatuagem na cintura apareciam naturalmente com o look.
Ela deu uma última olhada no espelho.
— Tá bom.
Nesse instante, bateram na porta.
— Entra!
Jéssica entrou primeiro, seguida da amiga das duas, Bianca.
Assim que viram Ula, as duas arregalaram os olhos.
— c*****o! — Bianca levou a mão na testa. — Quando a gente chegar no baile, acabou. Pode voltar pra casa porque não vai sobrar ninguém pra nós.
Jéssica caiu na gargalhada.
— Esquece! Parou o baile.
Ula começou a rir.
— Vocês são muito bestas.
Ela olhou para as duas.
Jéssica estava linda com um vestido vermelho justo e um salto baixo. Os cabelos loiros estavam soltos, e os olhos verdes chamavam atenção.
Depois olhou para Bianca.
A amiga usava um short jeans, um top preto e os cabelos lisos e pretos caíam sobre os ombros.
— Vocês que tão lindas.
Bianca fez pose.
— Claro... mas tu resolveu humilhar hoje.
As três riram.
— Bora?
— Bora!
Pouco tempo depois, chegaram ao baile.
O som fazia o chão tremer.
As barracas vendiam churrasquinho, bebidas e espetinhos. O baile já estava lotado, com moradores dançando e conversando pelas vielas.
Já passava da uma da manhã.
Lá em cima, na área reservada, Dogão observava o movimento enquanto conversava com Orelha.
Orelha interrompeu a conversa.
— Chefe...
Dogão continuou olhando para frente.
— Fala.
Orelha apontou discretamente para a entrada do baile.
— Olha lá embaixo... olha quem chegou.
Dogão acompanhou a direção com os olhos.
Assim que viu Ula entrando com a irmã e a amiga, ficou alguns segundos em silêncio.
Ela caminhava sorrindo, cumprimentando conhecidos, completamente à vontade.
Dogão passou a mão pelos cabelos e soltou um riso baixo.
— Caralho...
Orelha olhou para ele e deu uma risada.
— Ela é tua musa mesmo.
Dogão apenas balançou a cabeça, sem tirar os olhos dela.
Orelha continuou brincando.
— Mas vou te falar... a Jéssica também tá bonita pra c*****o.
Dogão olhou para ele de lado.
— Aí...
Orelha deu um sorriso malandro.
— Acho que vou investir naquela família também, chefe.
Dogão deu um tapa de leve no braço dele.
— Ó o respeito, p***a.
Orelha levantou as mãos.
— Ué! Tu já tem tua musa... eu fico com a irmã dela.
Dogão riu.
— Tu fala demais.
Os dois caíram na gargalhada.
Depois de alguns segundos, Dogão voltou a olhar para baixo.
— Faz um favor.
— Manda.
— Chama elas pra subir aqui pro VIP.
Orelha arqueou a sobrancelha.
— As três?
— As três.
— O que eu falo?
— Fala que eu convidei. Se elas quiserem subir, beleza. Se não quiserem, deixa elas curtirem o baile em paz.
— Fechado.
Orelha desceu a escada em direção ao baile, abrindo passagem entre as pessoas até chegar perto das três jovens, que conversavam animadamente perto da pista.
Então Orelha foi abrindo caminho entre o pessoal do baile.
Quem o via passando já entendia que vinha recado do alto do morro.
Quando ele chegou perto das três, abriu um sorriso.
— Boa noite, meninas.
Ula sorriu.
— E aí, Orelha.
Jéssica e Bianca também cumprimentaram.
— Boa noite.
Orelha colocou as mãos nos bolsos.
— Tô atrapalhando a diversão de vocês não, né?
Ula riu.
— Depende do motivo.
— O chefe mandou um convite.
As três olharam para ele.
— Convidou vocês três pra subir lá pro VIP.
Bianca arregalou os olhos.
— Caralho...
Jéssica olhou para a irmã.
— Ula...
Ula perguntou, tranquila.
— Pra quê?
— Só pra ficarem mais à vontade. Lá em cima tá mais tranquilo, menos aperto.
Ela ficou alguns segundos pensando.
— E se a gente preferir ficar aqui embaixo?
Orelha deu de ombros.
— Aí fica. O chefe falou exatamente isso. "Se elas quiserem subir, beleza. Se não quiserem, deixa elas curtirem o baile em paz."
Ula sorriu.
— Típico dele.
Bianca cochichou no ouvido de Jéssica.
— Eu nunca subi naquele VIP.
Jéssica riu.
— Nem eu.
Ula olhou para as duas.
— Vocês querem?
As duas responderam quase juntas.
— Queremos.
Ula deu uma risada.
— Então vamos.
— Bora.
Orelha abriu passagem.
— Vem comigo.
Enquanto subiam a escadaria, muita gente olhava discretamente.
Não por inveja, mas porque era raro alguém ser chamado para o espaço reservado do chefe.
Lá em cima, Dogão continuava encostado na grade, observando o baile.
Assim que viu as três se aproximando, descruzou os braços.
Orelha chegou primeiro.
— Missão cumprida, chefe.
Dogão assentiu.
— Valeu.
As três chegaram.
Dogão cumprimentou primeiro Bianca.
— Boa noite.
— Boa noite.
Depois olhou para Jéssica.
— E aí, pequena.
Ela sorriu.
— Tudo certo.
Por último, seus olhos encontraram os de Ula.
Ela abriu um leve sorriso.
— Oi.
Ele respondeu no mesmo tom.
— Oi.
Dogão fez um gesto em direção às mesas.
— Fiquem à vontade. Hoje vocês vieram pra curtir o baile. Aqui ninguém vai incomodar vocês.
Ula agradeceu com um sorriso.
— Valeu pelo convite.
— Imagina.
Orelha puxou uma cadeira para Jéssica e, antes de sentar, cochichou baixinho para Dogão:
— Tá vendo? Pelo menos uma parte do meu plano tá dando certo.
Dogão arqueou a sobrancelha.
— Qual plano?
Orelha sorriu de canto.
— Tu conversa com tua musa... e eu tento trocar uma ideia com a irmã.
Dogão soltou uma risada e deu um leve empurrão nele.
— Vai devagar, p***a. Primeiro vê se ela quer conversar contigo.
Orelha riu.
— Justo, chefe. Respeito em primeiro lugar.