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988 Words
Alguns dias depois, numa sexta-feira à noite, Ula resolveu dar uma folga para si mesma. O salão tinha fechado cedo, e ela passou um tempo se arrumando. Vestiu uma saia preta de couro, um top branco de renda, uma sandália baixa e uma bolsa prata. Os cabelos loiros estavam bem escovados, caindo quase até o quadril. A maquiagem destacava ainda mais seus olhos verdes, e as tatuagens dos braços, do pescoço e a pequena tatuagem na cintura apareciam naturalmente com o look. Ela deu uma última olhada no espelho. — Tá bom. Nesse instante, bateram na porta. — Entra! Jéssica entrou primeiro, seguida da amiga das duas, Bianca. Assim que viram Ula, as duas arregalaram os olhos. — c*****o! — Bianca levou a mão na testa. — Quando a gente chegar no baile, acabou. Pode voltar pra casa porque não vai sobrar ninguém pra nós. Jéssica caiu na gargalhada. — Esquece! Parou o baile. Ula começou a rir. — Vocês são muito bestas. Ela olhou para as duas. Jéssica estava linda com um vestido vermelho justo e um salto baixo. Os cabelos loiros estavam soltos, e os olhos verdes chamavam atenção. Depois olhou para Bianca. A amiga usava um short jeans, um top preto e os cabelos lisos e pretos caíam sobre os ombros. — Vocês que tão lindas. Bianca fez pose. — Claro... mas tu resolveu humilhar hoje. As três riram. — Bora? — Bora! Pouco tempo depois, chegaram ao baile. O som fazia o chão tremer. As barracas vendiam churrasquinho, bebidas e espetinhos. O baile já estava lotado, com moradores dançando e conversando pelas vielas. Já passava da uma da manhã. Lá em cima, na área reservada, Dogão observava o movimento enquanto conversava com Orelha. Orelha interrompeu a conversa. — Chefe... Dogão continuou olhando para frente. — Fala. Orelha apontou discretamente para a entrada do baile. — Olha lá embaixo... olha quem chegou. Dogão acompanhou a direção com os olhos. Assim que viu Ula entrando com a irmã e a amiga, ficou alguns segundos em silêncio. Ela caminhava sorrindo, cumprimentando conhecidos, completamente à vontade. Dogão passou a mão pelos cabelos e soltou um riso baixo. — Caralho... Orelha olhou para ele e deu uma risada. — Ela é tua musa mesmo. Dogão apenas balançou a cabeça, sem tirar os olhos dela. Orelha continuou brincando. — Mas vou te falar... a Jéssica também tá bonita pra c*****o. Dogão olhou para ele de lado. — Aí... Orelha deu um sorriso malandro. — Acho que vou investir naquela família também, chefe. Dogão deu um tapa de leve no braço dele. — Ó o respeito, p***a. Orelha levantou as mãos. — Ué! Tu já tem tua musa... eu fico com a irmã dela. Dogão riu. — Tu fala demais. Os dois caíram na gargalhada. Depois de alguns segundos, Dogão voltou a olhar para baixo. — Faz um favor. — Manda. — Chama elas pra subir aqui pro VIP. Orelha arqueou a sobrancelha. — As três? — As três. — O que eu falo? — Fala que eu convidei. Se elas quiserem subir, beleza. Se não quiserem, deixa elas curtirem o baile em paz. — Fechado. Orelha desceu a escada em direção ao baile, abrindo passagem entre as pessoas até chegar perto das três jovens, que conversavam animadamente perto da pista. Então Orelha foi abrindo caminho entre o pessoal do baile. Quem o via passando já entendia que vinha recado do alto do morro. Quando ele chegou perto das três, abriu um sorriso. — Boa noite, meninas. Ula sorriu. — E aí, Orelha. Jéssica e Bianca também cumprimentaram. — Boa noite. Orelha colocou as mãos nos bolsos. — Tô atrapalhando a diversão de vocês não, né? Ula riu. — Depende do motivo. — O chefe mandou um convite. As três olharam para ele. — Convidou vocês três pra subir lá pro VIP. Bianca arregalou os olhos. — Caralho... Jéssica olhou para a irmã. — Ula... Ula perguntou, tranquila. — Pra quê? — Só pra ficarem mais à vontade. Lá em cima tá mais tranquilo, menos aperto. Ela ficou alguns segundos pensando. — E se a gente preferir ficar aqui embaixo? Orelha deu de ombros. — Aí fica. O chefe falou exatamente isso. "Se elas quiserem subir, beleza. Se não quiserem, deixa elas curtirem o baile em paz." Ula sorriu. — Típico dele. Bianca cochichou no ouvido de Jéssica. — Eu nunca subi naquele VIP. Jéssica riu. — Nem eu. Ula olhou para as duas. — Vocês querem? As duas responderam quase juntas. — Queremos. Ula deu uma risada. — Então vamos. — Bora. Orelha abriu passagem. — Vem comigo. Enquanto subiam a escadaria, muita gente olhava discretamente. Não por inveja, mas porque era raro alguém ser chamado para o espaço reservado do chefe. Lá em cima, Dogão continuava encostado na grade, observando o baile. Assim que viu as três se aproximando, descruzou os braços. Orelha chegou primeiro. — Missão cumprida, chefe. Dogão assentiu. — Valeu. As três chegaram. Dogão cumprimentou primeiro Bianca. — Boa noite. — Boa noite. Depois olhou para Jéssica. — E aí, pequena. Ela sorriu. — Tudo certo. Por último, seus olhos encontraram os de Ula. Ela abriu um leve sorriso. — Oi. Ele respondeu no mesmo tom. — Oi. Dogão fez um gesto em direção às mesas. — Fiquem à vontade. Hoje vocês vieram pra curtir o baile. Aqui ninguém vai incomodar vocês. Ula agradeceu com um sorriso. — Valeu pelo convite. — Imagina. Orelha puxou uma cadeira para Jéssica e, antes de sentar, cochichou baixinho para Dogão: — Tá vendo? Pelo menos uma parte do meu plano tá dando certo. Dogão arqueou a sobrancelha. — Qual plano? Orelha sorriu de canto. — Tu conversa com tua musa... e eu tento trocar uma ideia com a irmã. Dogão soltou uma risada e deu um leve empurrão nele. — Vai devagar, p***a. Primeiro vê se ela quer conversar contigo. Orelha riu. — Justo, chefe. Respeito em primeiro lugar.
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