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1367 Words
O carro parou próximo à área da festa. Antes mesmo de Ula desligar o motor, alguns vapores já se aproximaram. — Boa noite, dona Gracinha. — Boa noite, meninas. Os três cumprimentaram com respeito. Um deles abriu a porta para dona Gracinha. — Deixa que eu pego o bolo, senhora. — Obrigada, meu filho. Outro pegou a travessa da sobremesa com todo cuidado. A notícia correu rápido. — A dona Gracinha chegou! — A Ula também! — A Jéssica tá junto! No espaço da festa, o pagode comia solto. A churrasqueira não parava um segundo. As crianças brincavam mais afastadas, enquanto os moradores conversavam em volta das mesas. Dogão estava cumprimentando algumas pessoas quando Orelha bateu de leve no ombro dele. — Chefe... Dogão virou. — Fala. Orelha fez um sinal discreto com a cabeça. — Elas chegaram. Na mesma hora, Dogão levantou o olhar. Ula vinha caminhando ao lado da mãe e da irmã. O cropped dourado brilhava sob a iluminação da festa. Os cabelos loiros balançavam a cada passo. A saia branca destacava ainda mais o bronzeado dela. Ela segurava uma pequena sacola de presente. Ao lado, Jéssica também chamava atenção com o macaquinho rosa-claro. Dona Gracinha vinha sorrindo, carregando apenas a bolsa, enquanto um dos vapores levava o bolo. Dogão ficou alguns segundos parado. Orelha olhou para ele e deu um sorriso de canto. — Caralho... Dogão nem respondeu. Só acompanhava Ula com os olhos. Orelha deu uma cotovelada de leve nele. — Fecha a boca, p***a. Dogão voltou à realidade e riu. — Vai se ferrar. — Tô mentindo? Negão, que estava perto da churrasqueira, também olhou. Assoviou baixinho. — Rapaz... as três resolveram caprichar hoje. Orelha concordou. — Vieram em peso. Dogão respirou fundo. — Vou receber elas. Ele caminhou na direção das três. Assim que chegou perto, abriu um sorriso. — Boa noite. Dona Gracinha foi a primeira a abraçá-lo. — Parabéns, meu filho. Que Deus te dê muita saúde. Dogão sorriu com carinho. — Amém. Obrigado, dona Gracinha. Ela apontou para trás. — Trouxe um bolinho pra você. Ele levou a mão ao peito. — A senhora ainda fez isso? — Fiz com muito carinho. — Obrigado de verdade. Jéssica entregou um abraço nele também. — Feliz aniversário. — Obrigado, pequena. Ela sorriu. Por último, Ula estendeu a sacola. — Feliz aniversário. Dogão pegou o presente. Os dois ficaram se olhando por alguns segundos. — Não precisava... Ela sorriu. — Claro que precisava. Ele balançou a cabeça. — Depois eu abro. Ela respondeu brincando: — Se não gostar, pode devolver. Dogão riu. — Impossível. Orelha apareceu atrás deles. — E aí, princesa? Jéssica sorriu. — Oi. — Veio mesmo. — Eu falei que vinha. Ele abriu um sorriso. — Ainda bem. Enquanto isso, Dogão chamou um dos vapores. — Arruma a melhor mesa pra dona Gracinha e pras meninas. — Pode deixar, chefe. Em poucos segundos, uma mesa bem localizada foi organizada. Dogão fez um gesto convidando. — A festa também é de vocês. Fiquem à vontade. Ula olhou ao redor, vendo o morro inteiro reunido, o pagode tocando e as pessoas sorrindo. Depois voltou o olhar para Dogão. — Parabéns de novo. Ele sorriu. — Obrigado... por terem vindo. E, pela forma como ele olhava para ela, Orelha só balançou a cabeça, rindo sozinho. — Esse homem já tá completamente perdido nessa mulher... p***a. Dogão terminou de acomodar dona Gracinha e as meninas na mesa. Quando voltou para perto da churrasqueira, passou ao lado de Orelha. Sem olhar diretamente para ele, falou baixo, só para o amigo ouvir: — E tu? Orelha continuou olhando discretamente para Jéssica. — O quê? Dogão deu um sorriso de canto. — Tá babando pela Jéssica também. Orelha soltou uma risada abafada. — Pra c*****o. Dogão riu. — Eu percebi. Orelha não tirava os olhos dela. Jéssica conversava com a mãe e com Ula, sorrindo de um jeito leve. Ele balançou a cabeça. — Ela tá linda pra c*****o também. Dogão acompanhou o olhar dele. — Tá mesmo. Orelha respirou fundo. — Tá vendo por que eu falei que queria coisa séria? Dogão deu um gole na bebida. — Tô vendo. — Ela não parece essas mina que só quer curtir baile, não. Dogão respondeu na hora. — Nunca pareceu. Orelha sorriu. — Ela tem cara de mulher que tu leva pra construir família. Dogão olhou para ele. — Igual a irmã dela. Os dois ficaram em silêncio por alguns segundos. Orelha deu um sorriso de canto. — Caralho... olha pra nós. Dogão arqueou a sobrancelha. — O quê? — Dois marmanjos armados até os dentes... donos da p***a toda aqui em cima... Fez uma pausa, rindo. — E travados por causa de duas loirinhas. Dogão caiu na gargalhada. — Vai tomar no cu. Orelha riu junto. — Tô mentindo? Dogão olhou novamente para Ula. Ela ria de alguma coisa que dona Gracinha tinha acabado de falar. Sem perceber, ele também sorriu. Orelha viu. Bateu de leve no ombro dele. — Pronto... sorriu olhando pra ela de novo. Dogão balançou a cabeça. — Cala tua boca, p***a. Os dois riram. Negão, que passava carregando uma travessa de carne, ouviu só o final da conversa. — Que p***a vocês dois tão rindo aí? Orelha respondeu na hora. — Nada não. Negão olhou de um para o outro e depois seguiu o olhar deles até a mesa onde Ula e Jéssica estavam. Abriu um sorriso. — Ah... — Já entendi tudo. Dogão apontou o dedo para ele. — Vai cuidar da churrasqueira, n***o. Negão saiu rindo. — Pode deixar, chefe... mas vocês dois já tão completamente ferrados. O pagode já estava no auge. O tantã, o pandeiro e o cavaquinho faziam todo mundo cantar junto. A churrasqueira não parava. As mesas estavam cheias. As crianças brincavam mais afastadas enquanto os adultos aproveitavam a festa. Na mesa, Ula e Jéssica brindavam com uma cerveja bem gelada. Dona Gracinha, depois de muito tempo sem beber, resolveu aceitar uma latinha também. Ula sorriu. — Ó... quem diria. Dona Gracinha riu. — Hoje pode. — Hoje pode tudo. As três brindaram. — Saúde! Enquanto isso, algumas mulheres já dançavam perto do pagode. Bianca apareceu acompanhada de Luiza e Clara. As três se aproximaram da mesa sorrindo. Bianca colocou as mãos na cintura. — E aí... Olhou para Ula e Jéssica. — As dançarinas profissionais não vão dançar, não? Jéssica riu. — Para de graça. Luiza entrou na brincadeira. — Vocês tão escondendo o talento. Clara completou. — O baile só fica completo quando vocês duas levantam. Ula olhou para a irmã. — Bora? Jéssica sorriu. — Bora. As duas levantaram. No mesmo instante, vários olhares acompanharam o movimento. Elas caminharam até o espaço em frente ao grupo de pagode. Quando o cantor viu as duas chegando, sorriu. — Ih... agora o negócio ficou sério. A rapaziada começou a bater palma no ritmo da música. Ula e Jéssica começaram a sambar naturalmente. Sem exagero. Sem querer chamar atenção. Mas era impossível não olhar. As duas tinham um molejo impressionante. O corpo acompanhava cada batida do pagode com leveza. Os cabelos loiros balançavam conforme giravam. O sorriso das duas era contagiante. As amigas logo entraram na roda também. Bianca ria sem parar. Luiza acompanhava o ritmo. Clara batia palma. Por alguns instantes, parecia que toda a festa tinha parado apenas para admirar aquela roda de samba. Na churrasqueira, n***o cutucou Orelha. — Caralho... — As duas sambam demais. Orelha sorriu, completamente vidrado em Jéssica. — A minha então... Negão deu uma risada. — Já chamou de tua? — Na minha cabeça já. Os dois riram. Mais afastado, Dogão observava Ula. Ela sambava sorrindo, completamente à vontade. O brilho da iluminação refletia nos cabelos loiros e nas tatuagens dos braços. Sem perceber, ele também sorria. Orelha olhou para o amigo e balançou a cabeça. — Esquece... — Tu já perdeu essa guerra. Dogão riu sem tirar os olhos dela. — Que guerra? Orelha respondeu entre uma gargalhada e outra: — A guerra contra a paixão, p***a. Dessa vez, nem Dogão conseguiu responder. Só continuou olhando Ula, enquanto ela ria e sambava com a irmã, arrancando aplausos de quem assistia à roda de pagode.
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