Cap. 7

781 Words
Tristan estava tomando um pouco de ar fresco na varanda quando Steven, o procurador se aproximou de novo. — Senhor Ravenscroft, sei que é um momento importuno, mas devemos conversar. Tristan respirou fundo e reprimiu a vontade de avançar no homem. — Senhor Steven. - Ele o saudou sem encara-lo. — Caso a viscondessa esteja esperando um filho, não poderemos prosseguir com a mudança de título. O senhor está ciente? Ele o encarou. — Estou ciente. - Respondeu curto e grosso. — O título seria do filho ou filha do falecido visconde. — Conheço a hierarquia Steven, não precisa me explicar. O homem retrocedeu alguns passos. — Sendo assim, eu e o parlamento daremos uma lua até que seja constatada a não gravidez da viscondessa e então, o senhor assumirá. Mas também pretendo falar diretamente com a senhora Ravenscroft. Tristan assentiu, impossibilitado de fazer algo além, então, o homem com um aceno de cabeça se deitou. Ele sentiu o vento frio beijar seu rosto e agradeceu pela sensação de conforto que aquele simples vento o trouxera. Tristan ficou por longos minutos sentado na varanda enquanto tentava organizar seus pensamentos E então, enfrentando todos seus medos, ele subiu as escadas, virou a primeira direita e seguiu o corredor. Tristan bateu na porta e entrou quando ouviu a voz fraca dela permitir. — Pensei que não viria me ver. - Cassandra disse em um sussurro. Alessandra deu um pulo da cama quando o viu se aproximar. Os olhos dela estavam arregalados e de repente a garota começou a engolir em seco. — Vou deixá-los a sós. - Disse antes de sair quase correndo do cômodo. Tristan manuseou a cabeça em cumprimento para Alessandra e apesar de achá-la um tanto quanto estranha, decidiu não comentar. Ele entrou desconcertado no quarto que costumava ser de seu primo e se recostou no umbral da porta cruzando os braços. — Como está se sentindo? .- Perguntou ignorando o comentário dela, na verdade, não desejava de fato. — Pessimamente m*l. O procurador veio se assegurar de que não estou grávida. - Ela revirou os olhos. — Estou no meio de minhas regras, isso o tranquilizou. Tristan sentiu a bochecha queimar, sabia que Cassandra não tinha muito filtro quando estava falando com ele, provavelmente porquê o considerava quase como um irmão. — Lamento que ele tenha a incomodado. - Os olhos dele não saiam em momento nenhum do chão de mármore. Cassandra se sentou na cama com um pouco de dificuldade e bateu na parte vaga ao seu lado indicando para que ele se sentasse ali. Ele trocou o peso de uma perna para a outra, pigarreou e pensou em um milhão de desculpas para não fazê-lo, mas acabou indo. Tristan sentou-se na beirada da cama, deixando um espaço seguro entre eles. — O que faremos sem ele? .- Ela perguntou, a voz embargada de dor, e de seus olhos não parava de jorrar lágrimas. Tristan tocou gentilmente a mão de Cassandra. — Nós iremos sobreviver. Elois não iria querer nada diferente e estou certo de que sabe disso. Cassandra secou as lágrimas com as costas da mão. — Diga-me, porquê ele nos deixou? Tristan chegou um pouco mais perto dela, ele passeou os dedos trêmulos em seu rosto angelical e limpou as lágrimas que rolavam. — Eu sinto muito, eu sinto tanto Cass. - Ele respirou cansado. Cassandra recostou-se novamente na cama, o láudano que a havia dado de repente começara a fazer efeito, ela se aconchegou de lado e puxou o cobertor até metade das pernas. — Prometa que não me deixará. - Falou sem encara-lo. Além de Jenna, Tristan era o mais perto que teria de Elois e não estava disposta a perdê-los. Ele assentiu, mesmo que não estivesse sendo totalmente sincero. Tristan pedira para que Elizabeth providenciasse passagem para a Índia no dia seguinte. Assinaria o que fosse necessário e deixaria Cassandra no controle. A terra nunca fora tão boa antes, ela era uma excelente viscondessa e Tristan tinha certeza de que poderia continuar sendo, até que ele estivesse pronto para retornar. — Prometo que sempre estarei aqui, se não fisicamente, prometo que nunca a esquecerei. - Sussurrou em resposta quando percebeu que ela havia adormecido. Tristan a cobriu por inteira, beijou a testa dela e lhe acariciou o cabelo. Ainda que ela não soubesse, ainda que não fizesse ideia, aquilo era um adeus. Ele não sabia quando estaria pronto para assumir suas novas responsabilidades, talvez levasse apenas dias, meses ou anos, mas de uma coisa estava certo, quando voltasse, ela o odiaria. E talvez - só talvez - fosse melhor assim. Talvez se não tivesse nenhum tipo de contato com ela a esquecesse enfim.
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