Algumas horas de angústia depois, o médico voltou.
— Doutor, houve alguma melhora? .- Perguntou Jenna, visto que Tristan havia conseguido fazer Cassandra dormir. Ele sentia os braços dormentes por segura-la, mas por Deus, não a soltaria por nada nesse mundo.
— Infelizmente as notícias não são boas. - Ele franziu os lábios e tirou o pequeno chapéu que usava. — Lamento informar, que o senhor Ravenscroft não resistiu e veio a óbito.
A mãe de Elois não foi capaz de conter o peso do próprio corpo e simplesmente desfaleceu no chão. A agitação que se formou no local fez com que Cassandra acordasse.
— Não ... Por favor, diga que não. - Ela suplicou para Tristan que se limitou a chorar. A mãe não havia chegado a tempo de apoiar a irmã e agora, Tristan observava a tia ser levada para dentro de outra sala.
Ele não podia imaginar a dor de Jenna que perdera o marido a menos de seis anos, e agora, Elois estava morto. Seu único filho ...
Maldição.
Elois estava morto ...
Tristan levantou-se e viu uma necessidade imensa de se afastar de todos, deixando até mesmo Cassandra para trás. Nesse momento, ela gritava aos quatro cantos que aquilo não podia estar acontecendo e o grito dela era ensurdecedor.
Prometera a Elois que cuidaria dela, mas como poderia se nem mesmo ele estava bem? Como seria capaz de dar apoio a alguém no estado que se encontrava?
Ele sentiu o coração tranquilizar quando ao olhar para trás viu a mãe e irmã de Cassandra abraçando-a.
Eles tinham tantos planos, tinham tanto a viver e Tristan melhor do que qualquer pessoa sabia disso.
~
Depois do sepultamento de Elois, todos haviam ido para a residência aonde moravam ele e a esposa. Cassandra, com muita dificuldade havia sido contida, haviam lhe preparado um chá calmante e alguém a estava fazendo dormir.
— Sei que não é a hora exata, mas sabe que se tornará visconde não é? .- O procurador da família aproximou-se de Tristan.
Ele encarou o homem com um olhar de poucos amigos.
— Precisamos que assine os papéis o quanto antes. - O homem disse mediante ao silêncio de Tristan.
— Eu posso ter um momento de paz antes de ser obrigado a tomar o lugar de meu primo? .- Perguntou com a voz áspera.
— Como desejar. - Respondeu o homem com educação, porquê não era maluco de enfrentar o novo visconde.
Já sentia-se m*l o suficiente por tudo que acontecera, tinha perdido seu amigo e confidente, o primo que tanto amava. Prometera cuidar de sua esposa, mas simplesmente não poderia e além de tudo, teria que herdar o título.
Ele esfregou os olhos arroxeados de tanto chorar, estavam um tanto quanto ardidos. Tristan sentou-se no sofá e se apoiou sobre os joelhos.
— Tristan. - Uma voz familiar demais chegou aos seus ouvidos. Era Elizabeth. Ela o abraçou forte e mais uma vez naquele dia, ele se desmanchou em lágrimas. — Desculpe não ter vindo antes, eu não estava em Londres. Por Deus, que fatalidade.
— Ele se foi. - Balbuciou. — E o maldito procurador já está atrás de mim para tomar o título do meu primo. O corpo dele sequer esfriou. - Disse entredentes.
Elizabeth pegou a mão de Tristan e segurou com firmeza.
— Precisa ser forte, não foi isso que me disse quando minha querida mãe partiu? Disse que estaria comigo, e eu digo que estarei com você, sim?! .- Ela ergueu a mão e acariciou o rosto dele. — Elois não gostaria de vê-lo tão perdido. Precisa se encontrar, e eu o ajudarei a fazer isso, tudo bem?
Tristan assentiu e aconchegou-se no ombro da amiga feito uma criança.
Não queria assumir o viscondado, não queria ocupar o lugar de Elois e acima de tudo, não queria permanecer ali, simplesmente não podia.