Com a ajuda de alguns enfermeiros, o melhor médico de Londres levou o visconde até o hospital mais próximo para que pudessem examinar com exatidão seu caso.
O doutor demorou cerca de uma hora para ir até a sala aonde encontravam-se a família e esposa de Elois. Todos estavam aflitos e muito preocupados.
— E então doutor? - Perguntou Cassandra eufórica assim que o médico apareceu na pequena sala. As lágrimas não paravam de rolar em seu rosto e ela estava perdida, em um segundo planejavam os filhos que teriam, e no próximo, o marido começará a sentir uma dor inexplicável e simplesmente desmaiara.
A mãe de Elois correu e abraçou a nora, perdera o marido da mesma forma e começara a entrar em desespero.
O doutor balançou a cabeça em negação, seus olhos fixos no chão branco do hospital.
— Ainda não conseguimos ter um laudo completo, infelizmente. Mas dado os sintomas, tememos que possa se tratar de um aneurisma cerebral. Não sabemos como está o funcionamento do cérebro do senhor Ravenscroft e somente o tempo poderá nos dizer.
— Maldição. - Bradou Tristan antes de chutar a lixeira. — Maldição. - Repetiu com mais fervor. As lágrimas rolavam em seu rosto sem pausa. Vira o tio partir da mesma forma, não podia aceitar que o mesmo acontecesse com o primo. Elois tinha apenas vinte e cinco anos, uma bela esposa que o amava e uma vida inteira pela frente. E por Deus, não queria o título, não queria nada que fosse do primo. Ele sentiu a culpa crescer ainda mais dentro de si.
Cassandra por outro lado, sentiu as pernas fraquejarem e foi amparada pela mãe, irmã e sogra. As três mulheres a seguraram e a guiaram até o banco mais próximo.
— Sente-se um pouco querida. Busque água para sua irmã por favor. - Jenna disse a Alessandra que saiu dali cabisbaixa.
Cassandra sentia como se o chão estivesse abrindo embaixo dos seus pés. Não podia perdê-lo, não podia perder o homem que amava dessa forma, Elois simplesmente não podia deixá-la sozinha.
Tristan, que entendia bem a dor de Cassandra, sentou-se ao lado dela e a abraçou. E só então, Cassandra foi capaz de deixar todas as lágrimas presas saírem. Ela havia entrado em uma espécie de choque, e antes do abraço apertado de Tristan, m*l conseguira chorar.
— Diga-me que ele ficará bem. - Ela disse sacudindo-o pelo ombro em desespero.
— Shiiii. Tudo ficará bem. - Tristan falou enquanto a puxava para mais perto de si e acalentava a esposa de seu primo. Nunca havia estado tão perto de Cassandra, nunca a havia segurado com tanta firmeza em seus braços e na verdade, sabia que não era algo totalmente apropriado, mas naquele momento em específico, decidiu deixar de lado todos os códigos de decoro que sabia de cor e fazia questão de seguir.
Alessandra que voltava lentamente com a água para a irmã, travou os pés diante da cena que vira e como um quebra-cabeça tudo se encaixou.
— Céus ... - Ela disse para si mesma deixando o copo escorregar de sua mão.
Por Deus, como não se dera conta disso antes? Ao avistar Tristan acariciando o cabelo de sua irmã e o olhar que ele a dedicava, tudo fez sentido ...
Cassandra era a mulher que ele nunca poderia ter, mas sempre amaria.
— P-perdão ... Eu ... Eu vou buscar outro. - Ela disse a ninguém em especial e diante da situação, ninguém a julgou. Todos constataram que podia ser graças ao estado de choque que se instalara em todos, ou que a irmã de Cassandra simplesmente estava abalada demais e acabará deixando o copo escorregar.
E por mais que tudo isso fosse de fato verdade, uma boa parte de seu desleixo era dada por sua nova descoberta.
O que faria com ela afinal?
Contaria a Cassandra? Confrontaria Tristan? Ou fingiria que nunca descobrira?