Callie e Elwin caminhavam pelo porto depois de voltarem do palácio. As ruas estavam mais vazias, as feiras já haviam fechado e alguns navios se mantiveram atracados, sendo abastecidos para as próximas viagens. As luzes amarelas dos postes mostravam o caminho pelas ruas sinuosas e enevoadas.
— É tremenda incompetência — queixou Elwin, os braços cruzados na frente do corpo. — Finalmente encontram uma solução pra essa porcaria de névoa, e arranjam uma segurança de merda pra escoltar o cristal pra cá.
— Eles disseram que o ataque no navio foi violentíssimo, Elwin, ninguém sobreviveu.
Ela virou o rosto para o oceano, apertando o punho dentro do bolso da jaqueta.
Nossos soldados foram esmagados por uma força desconhecida. Ao investigar o local, encontramos vestígios de uma bandeira de uma frota não registrada.
— Ainda sim, eram trinta e sete elfos. Me faz pensar que talvez eles não estejam no topo da pirâmide em termos de poder como fingem estar.
Callie suspirou, dando de ombros.
— Talvez não, mas não importa muito pra gente. Só me preocupa essa… Força desconhecida. Estamos no mar o tempo todo, podemos ser atacados.
Elwin hesitou. Gostaria de poder dizer que a protegeria, mas sabia que não seria possível. Não só era meio-humano quanto era doente. Não tinha chances.
— Qual é, o que possivelmente podem roubar de nós? Peixes? Pegaremos mais.
— Nossa vida — ela olhou para ele, seus olhos livres daquela preocupação consigo mesmo.
— Nada vai acontecer. Vamos, temos que ir comprar comida pra hoje a noite.
Os dois pararam na entrada da rua principal. Callie tirou as mãos do bolso e lhe entregou algumas moedas de ouro.
— Pode ir. Vou ficar no barco um pouco.
— Tudo bem, cuidado — ele pediu, encostando a mão no pingente de jade do colar.
A irmã segurou sua jade em retorno, e ele se afastou, sendo absorvido pela névoa até desaparecer. Ela permaneceu ali por alguns minutos. Imaginar o que precisaria ser forte e c***l o suficiente para eliminar todo um navio de soldados mágicos a fazia arrepiar.
De volta no barco da família, ela subiu na popa, tirando a bolsa do corpo, pronta para se jogar naquele sofá e dormir um pouco. Ao chegar no convés, avistou um garoto pálido largado em um dos bancos, a cabeça pendendo para trás, o rosto virado para as estrelas. Ela prendeu a respiração, assustada por alguns segundos. Olhou para trás, incerta se era um bêbado, um ladrão muito desleixado ou um sequestrador muito desleixado, que teria adormecido aqui esperando por ela.
Então ele abaixou o rosto, trocando olhares com a jovem dona do barco. Donovan sorriu por trás da máscara.
— Finalmente.
— Quem é você? — ela perguntou rapidamente, os olhos escaneando os itens no convés.
— Imaginei que não fosse me reconhecer. Sou o Donovan, lembra?
Ela virou a atenção para ele de novo e se esforçou para tentar lembrar. Não, nenhum Donovan vinha em mente.
— Não, desculpa.
— Bom, isso me magoa, mas já que estou indevidamente pisando no seu barco, estamos quites — ele brincou, na tentativa de quebrar o gelo.
— E por que você tá “indevidamente pisando” no meu barco?
Donovan se pôs de pé, respirando fundo, passando a mão pelos cabelos para afastar a franja.
— Bom, eu precisava falar com você. Quero te oferecer um trabalho.
Ela arqueou a sobrancelha, cruzando os braços.
— Ahn? Um trabalho?
— Podemos conversar na cabine? Prefiro tirar as máscaras.
Callie olhou para trás, como se esperasse poder ver seu irmão de tão longe. Ela tirou as chaves do bolso e abriu a cabine, a fechando assim que Donovan entrou, ligando o ventilador para expulsar a névoa pelos dutos.
— De onde eu te conheço? — Callie perguntou, tirando sua máscara e se sentando no sofá ao lado da porta, as chaves posicionadas na ofensiva.
— Bom, nós dois frequentamos a mesma escola e a mesma turma de História por alguns anos.
— Eu dormia nas aulas de História — disse ela, relaxando um pouco mais no sofá.
— O que explica você não lembrar de mim.
Ela assentiu, permanecendo calada para ouvi-lo se explicar.
— Eu preciso de alguém com conhecimentos náuticos para trabalhar comigo em uma busca.
— Eu tenho conhecimentos náuticos, mas tenho certeza que você pode encontrar alguém melhor — disse ela, observando o garoto se sentar no outro sofá, abaixando a máscara também.
— Acho que você é a minha única opção, a essa altura. Os outros marinheiros ou tentariam me entregar para os soldados da realeza, ou me espancariam, ou simplesmente diriam que não.
— Essa não é uma boa propaganda pra si mesmo — disse ela, soltando uma ligeira risada constrangedora. — O que te faz achar que depois de dizer tudo isso, eu vou aceitar?
— Porque eu aposto que tem alguma coisa que você quer. E se eu tiver sucesso na minha busca, eu vou poder te dar seja lá o que for.
Ela considerou a hipótese, pensando nas coisas que ela poderia desejar. Então percebeu que não haviam muitas. Talvez um barco maior para a família, mas não gostaria de substituir aquele que ela tanto adorava. Tinha mais do que ouro suficiente para se alimentar e comprar mantimentos para o barco. O que ela poderia querer?
— Não tenho nada assim tão importante para conquistar, Donovan — disse ela, dando de ombros. —Vou ter que passar na sua oferta.
— Nada? Acho que você não pensou direito.
— Eu pensei.
— Que tal a salvação do seu irmão?
Seu coração acelerou com a pergunta e ela fixou o seu olhar no jovem ladrão.
— Como assim?
— Eu quero ir atrás do cristal, do Lítio… Os boatos vazaram mais rápido do que esperado e pilhas de ouro estão na linha — ele explicou, apoiando os cotovelos nos joelhos, concentrado.
Callie soltou a respiração e fechou os olhos, a decepção a tapeando no rosto.
— Nenhuma quantia de dinheiro pode salvar meu irmão. Você pode ir agora.
Ela se levantou, segurando a maçaneta de metal, sem conseguir voltar os olhos para o jovem.
— Claro que não. É só olhar pra ele, e se vê que ele não tem salvação simples. Todos sabem disso.
Callie virou-se para ele.
— Como assim “todos sabem disso”?
— Por que você acha que a maioria das pessoas evita respirar perto do seu irmão?
Engolindo em seco, Callie soltou a maçaneta.
— Eu não sabia…
— Achar o Lítio e entregar para a realeza vai nos fazer heróis. O rei e a rainha irão ser gratos. Poderá pedir um favor. A cura do seu irmão.
A doença de Elwin não era humana. Todos os médicos que a família visitou lhe disseram que não haveria como reverter aquilo sem magia, e sem uma magia forte, e mesmo assim, ele não sabia dizer que tipo de elfo poderia salvar o jovem.
Donovan continuou.
— Eu quero encontrar o Lítio, mas não consigo ir pro mar sem alguém que saiba mexer em um navio. Infelizmente eles tinham que perder isso no meio do mar… — disse ele, revirando os olhos.
Callie não tinha ouvido aquela parte, estava considerando a hipótese de realmente irem atrás da pedra.
— É uma ideia estúpida e perigosa — murmurou ela, mais para si mesma do que para Donovan.
— É exatamente o meu tipo de ideia — respondeu ele.
— Não posso fazer isso, eu tenho… Eu tenho deveres aqui, minha mãe não me deixaria ir também.
— Você não precisa ficar. Só o suficiente para irmos até o local do naufrágio e eu recolher algumas pistas. O que preciso fazer antes de qualquer um, por isso, preciso que seja mais rápida.
Ela negou com a cabeça, passando a mão pelo rosto.
— Isso é loucura. Acabaram de nos informar que os mares estão perigosos. Não posso me juntar a você.
— Não faria isso pelo seu irmão?
— Não diz isso — ela pediu, sentindo o nó em sua garganta apertar. Ela gostaria de acreditar que iria até todos os fins para salvar seu irmão, mas também tinha seu medo próprio.
— Isso é surpreendente — Donovan se levantou, se aproximando da garota. — Eu, quando penso na minha irmã, tenho certeza que faria qualquer coisa por ela. Mesmo que me colocasse em perigo.
Ela encostou as costas na porta, a culpa lhe corroendo o estômago.
— Posso te dar uma resposta mais tarde?
— Não. Não tenho tempo a perder.
Callie respirou fundo, mas não parecia conseguir se acalmar. Aquela era, realmente, uma chance de conseguir retribuir toda a ajuda de seu irmão, e salvá-lo. No entanto, era uma chance minúscula.
— Acho que alguns irmãos simplesmente não amam tanto — disse Donovan, puxando sua máscara para cima. — Eu preciso ir. O sol vai se pôr daqui a pouco. Alguma resposta final?
— Como eu posso sequer confiar em você? Como posso ter certeza que não vai me jogar na lama se acharmos o Lítio?
— Porque eu não tenho necessidade nenhuma de fazê-lo. Se você estivesse cobiçada a ganhar todo o dinheiro, talvez faria isso, mas você sequer precisa ou quer o ouro.
— Sabe que a gente pode morrer, né?
Donovan respirou fundo, assentindo.
— Sim, mas eu prefiro morrer do que continuar vivendo assim. Eu vou partir hoje a noite em um desses barcos — ele apontou com o queixo. — Se você mudar de ideia, vai conseguir me encontrar facilmente.
— Você tem um barco?
— Não — ele riu baixo. — Espero que mude de ideia, Calliope. Formaríamos um time interessante.
Ele estendeu a mão para a maçaneta e saiu da cabine, deixando-a perdida em seus pensamentos pulsantes e aflitos.
~
Agora somente escuridão rodeava o barco da família Suvniru. Callie sentou no banco acima da cabine, encostando as costas no poste de metal. Não tinha parado de pensar naquela possibilidade ínfima de conseguir salvar seu irmão. Já faziam tantos anos que ele tinha aturado essa doença… E Callie nunca pôde ajudar.
Desde que ela o conheceu, ele era assim. Era o único garotinho excluído do centro de adoção. Ninguém queria levá-lo, uma criança com a pele ressecada, as veias negras debaixo da pele transparente, os olhos avermelhados como se tivesse passado tempo demais na névoa. Calliope se lembrava do dia em que sua mãe e seu pai voltaram para casa de mãos dadas com aquele menino, que parecia sorrir pela primeira vez. Nunca tiveram uma explicação de como ele adoeceu e Elwin próprio se recusava a falar sobre, principalmente depois da morte do pai. Os médicos não tinham previsão alguma de quanto tempo mais ele poderia aguentar, até quando a doença não o mataria de vez.
Ela passou os dedos pelos pés descalços, refrescando o corpo aos poucos. Não havia muita ventania naquela noite, tudo permanecia pacato como sempre. Como um deserto. As fracas ondas empurravam os barcos atracados contra o porto, as luzes acesas nas janelas seladas ao fundo, atravessando a névoa.
Callie virou-se para os outros barcos, uma mancha preta correndo entre as pontes de madeira até um navio pequeno. Ela se levantou devagar, a curiosidade batendo no peito. O borrão preto escalou e pulou na popa, e logo correu para a cabine. O capuz caiu, revelando o mesmo cabelo escuro de mais cedo.
Donovan.
— Ladrãozinho de primeira… — murmurou ela, observando ele forçar a fechadura da cabine até arrombar a porta.
Ela se encostou no banco de volta, cruzando os braços.
— Quais são as chances que um ladrão de rua humano consiga achar o Lítio? — ela perguntou para si mesma. — E mesmo se ele encontrar, vai virar um alvo. Todo tipo de criatura vai atrás dele. É uma ideia estúpida.
Mesmo assim, seus olhos escuros como tinta obsidiana fixaram-se no barco sendo roubado.
O lampião acendeu-se. Relances de esverdeado oscilaram pelas janelas, e Donovan levava aquelas pedras brilhantes para o canto esquerdo da cabine. Callie franziu a testa. Não estava certo. As pedras verdes não devem ser usadas como combustível, no canto esquerdo superior da cabine, mas sim como um dispersor venenoso para animais marinhos perigosos, no canto direito superior da cabine. Se usado no triturador como combustível…
Ela pulou de pé, o sangue pulsando acelerado em suas veias. Seus pés se moveram antes que ela pudesse perceber, e Callie saltou para a ponte de madeira.
— Donovan! — Ela gritou quando o barco se afastou do porto, entrando em movimento para o mar.
Callie parou logo na beira, engolindo em seco.
— Donovan, para! Você vai se explodir!
Com as janelas e portas fechadas dentro da cabine, Donovan não ouvia mais do que ruídos abafados pelo som do motor, que engasgava com as pedras verdes, colocando o navio para funcionar.
— Droga — ela resmungou por baixo da máscara.
Com impulso, Callie pulou na água. Seus ossos estremeceram, sua pele se tornando dormente com o frio. Ela bateu as pernas, os olhos irritados com a água salgada. Como esperado de um amador, as cordas usadas para prender o barco no porto estavam penduradas para fora.
Quando Callie finalmente conseguiu alcançar uma, precisou usar toda a força que não sabia que tinha para escalar aquela corda. Ela se segurou na popa, flexionando os braços e se jogando de barriga no convés. Ofegante, sua máscara grudava em seu rosto a cada respiração. Callie puxou o tecido para baixo, incapaz de respirar. A névoa impregnou-se na pele dela, ardendo como álcool em uma ferida. Ela grunhiu alto, cobrindo o nariz com a mão. m*l percebeu quando já estava de pé, puxando a porta da cabine.
Donovan se virou para a garota, nem um pouco surpreso.
— Você tá ensopada.
Ela bateu a porta e empurrou ele para trás, as pedras verdes em suas mãos caindo no chão. Callie abaixou a alavanca para desligar o motor mágico e suspirou pesado, o coração se acalmando conforme o barulho se dissipou.
— Você é doido?! — Ela conseguiu dizer, ficando entre ele e o despejador. — Você quase explodiu o barco!
— É exatamente por isso que eu preciso de alguém como você — disse ele, olhando para a mesa de controles. — Nem sabia que esse tipo de mecânica existia.
— Dá pra ver isso. Essas pedras verdes são venenos, Donovan. Você ia encher essa cabine de veneno e provavelmente estragar o motor com o ácido, que então iria entrar em contacto com o núcleo mágico, que iria explodir.
— Complicado, hein? — disse ele, recolhendo as pedras do chão. — E como faço pro barco andar?
— Precisa colocar as pedras laranjas aqui... Elas ativam o núcleo que o faz funcionar. E me dá isso — Callie pegou as pedras dele e levou para o compartimento lacrado, devolvendo-as para o seu devido lugar.
— Nesse caso, por que já não fazemos isso?
— Isso o quê?
— Fazer o barco andar.
Callie se encostou na parede, limpando as mãos nas calças molhadas. Seu rosto ainda ardia, e ela não tinha certeza se conseguia sentir seus dedos dos pés.
— Por que eu faria isso?
Donovan a observou, se lembrando de sua irmã por alguns segundos. Os cabelos cacheados das duas eram parecidos, exceto que os cachos de Callie eram mais abertos.
— Porque já estamos aqui, eu tenho mantimentos o suficiente para a viagem-
— Eu não posso ir, Donovan. Meu irmão pode precisar de ajuda a qualquer minuto.
— Seu irmão já está precisando de ajuda — ele retrucou. — As pessoas sequer acham que ele é humano mais. Ele precisa de ajuda.
Ela passou as mãos pelo rosto, encostando os cotovelos nos joelhos.
— Fazemos assim. Vem comigo, procuramos as pistas no náufrago juntos… Se quiser continuar a busca depois que voltarmos, continua. Mas eu preciso ir, preciso tentar.
— Só essa noite?
Os dois se encararam por alguns segundos.
— Só essa noite. Sem compromissos.
Calliope respirou fundo, segurando o pingente do colar. Ela olhou pela janela na direção do barco da família. Elwin e sua mãe iriam voltar logo da entrega, ela não poderia simplesmente ir. No entanto, também não poderia esperar e pedir permissão, sua mãe não a deixaria.
— Tudo bem. Sem compromissos — ela engoliu em seco, se levantando. — Vou voltar o barco para o porto, tenho que deixar… Um bilhete para a minha mãe.
Donovan sorriu, enfiando as mãos nos bolsos.
— Tudo bem. Mas você provavelmente deveria se apressar antes que os guardas nos vejam aqui.
Ele removeu seu casaco preto, ficando somente com a camisa de manga comprida por baixo.
— Precisa cobrir o rosto para sair — ele lembrou, a mão estendida.
Ela hesitou, as unhas roxas, seus dedos já tremendo de frio. Aceitou o casaco e abaixou o olhar.
— Por que você quer tanto fazer isso?
— Imagina todas as festas que pode fazer com o dinheiro — ele brincou, sua atenção oscilando entre o casaco e ela.
— Fala sério… Por que você quer isso?
Donovan deu de ombros, virando seu rosto para a janela.
— Tenho que sair daqui. Essa é minha maior chance de conseguir.
— Ouro não é o suficiente pra conseguir sair de Nyamie, as fronteiras estão fechadas — ela sussurrou, hesitante em quebrar as esperanças dele de forma brusca.
— Nada que um pouco de bajulação não resolva.
Ela assentiu, mas não tinha como concordar. Nunca tinha tentado atravessar a fronteira, mas todos que tentaram e retornaram para a cidade diziam que seria mais fácil convencer a realeza a deixá-los morar no castelo real do que convencer os guardas a deixarem os barcos passarem.
Callie caminhou até um dos cantos da cabine, se virando de costas para ele, tirando seu casaco e a camisa. Ele umedeceu os lábios ao perceber que ela iria se trocar ali mesmo, se virando para o despejador do motor. Ela, então, vestiu o casaco de Donovan, puxando a gola alta até o nariz. Era macio e antigo, o cheiro dele presente em cada canto do tecido. Um suave cheiro de amêndoas e pinheiro.
Ela se dirigiu para o lado de fora da cabine, torcendo os cabelos no mar. Enquanto isso, dava instruções para Donovan ligar o motor na ré por alguns segundos. O impulso seria suficiente para estacionarem.
Voltando para o seu barco, Callie trocou sua calça por uma seca e arrumou uma mala com itens emergenciais. Precisou se sentar por alguns minutos, considerando cuidadosamente o que colocaria no bilhete. A melhor desculpa que conseguiu inventar foi que uma de suas amigas antigas da escola precisava de ajuda em casa e ela voltaria senão essa noite, de manhã. Sabia que Elwin não acreditaria, considerando que Callie não manteve contato com nenhuma de suas amigas da escola, mas não havia outra desculpa menos preocupante.
Ela deixou o bilhete na parte interior da porta e calçou os sapatos, correndo de volta para o barco onde Donovan estava.
Donovan tinha os braços cruzados, esperando que ela voltasse. A garota subiu no barco e deixou a mala de lado, respirando fundo.
— Para onde vamos?
Ele estendeu um papel com as coordenadas, e Calliope assumiu o controle do barco.
— Muito bem… Caça ao tesouro, aqui vamos nós.