Elisa
“A tensão entre nós cresce. Algo está prestes a acontecer.”
A festa estava lotada.
Luzes coloridas dançavam no teto, corpos se apertavam ao som grave da música, e o cheiro doce de perfume misturado com álcool pairava no ar.
Mas nada disso me importava.
Porque eu sabia que ele estava ali.
Vestir aquele vestido vermelho justo foi intencional.
Queria que ele me olhasse. Queria que engolisse em seco.
E quando entrei no salão, com salto alto, batom escuro e o queixo erguido, senti os olhos de todos.
Mas só um olhar me queimava de verdade.
Noah estava encostado na parede oposta, um copo na mão, o maxilar tenso, e os olhos...
Ah, os olhos me despiram como uma corrente elétrica.
Fingi não vê-lo.
Sorri para um grupo de rapazes do curso de engenharia.
Um deles se aproximou.
Começou a conversar, elogiar meu vestido.
Toque no braço.
Riso bobo.
E então, do nada... Noah.
— Precisamos conversar — ele disse, surgindo ao meu lado como uma tempestade prestes a estourar.
— Agora? — perguntei, rindo debochada.
— Agora. Vem comigo.
— Quem sabe eu...
Antes que eu completasse, ele agarrou meu pulso com firmeza — sem machucar, mas com autoridade.
E me puxou, abrindo caminho entre os corpos dançantes.
Meu coração batia descompassado, a antecipação me queimava.
Entramos em um corredor mais escuro. E então, sem aviso, ele abriu uma porta e me empurrou para dentro.
Um closet.
Repleto de casacos, caixas, e escuridão abafada.
Antes que eu pudesse protestar, a porta se fechou — trancada.
Do lado de fora, ouvimos a risada de Camila.
— Vocês que lutem! — ela gritou, divertida.
Silêncio.
Apenas nós dois.
Respirações pesadas.
Olhares em guerra.
— Você enlouqueceu? — sussurrei, encostando-me na parede.
— Eu avisei — ele disse, se aproximando — que ia enlouquecer se continuasse me provocando.
— Então enlouquece, Noah. Mostra quem você é sem esse escudo de sarcasmo.
Ele encostou as mãos na parede, me prendendo entre seus braços.
Seu rosto a centímetros do meu.
O calor dele me incendiava.
— Você quer que eu perca o controle?
— Eu quero que você pare de fingir que não sente.
Ele me olhou por um segundo que pareceu uma eternidade.
Então, o beijo aconteceu.
Não foi doce.
Foi faminto.
Um choque elétrico, uma explosão de tudo que seguramos por tempo demais.
Minha mão agarrou seus cabelos.
A dele, minha cintura.
Me ergueu, me prensou contra os casacos pendurados.
Seu corpo contra o meu.
Fome. Fúria. Desejo.
Ele me beijava como se me odiasse.
E eu o beijava como se o amasse.
Ou talvez... já amasse mesmo.
Nos afastamos por segundos, ofegantes.
Seus olhos estavam dilatados.
A respiração quente na minha pele.
— Você não faz ideia do que causa em mim — ele murmurou.
— E você não faz ideia do quanto eu gosto de ver você assim... fora de controle.
Ele sorriu de lado. Um sorriso perigoso.
— Cuidado, Elisa. Eu posso ser o seu vício mais difícil de largar.
— Já estou viciada — confessei, passando o dedo em seu peito.
A maçaneta girou.
Camila, do lado de fora, gritou:
— Pronto, crianças! A brincadeira acabou.
Nos entreolhamos.
Desarrumados. Quentes.
Mudados.
Saímos do closet. Mas algo ficou lá dentro.
A ilusão de que podíamos continuar negando.
Olha o Que Você Faz Comigo
Ao contrário do que Noah pensava...
Eu fingi que nada aconteceu.
Saí do closet com os lábios inchados, o coração disparado e o corpo ainda em chamas. Mas ergui o queixo, ajeitei o vestido e voltei para a pista de dança como se tivesse ido apenas retocar o batom.
— Nossa, onde você estava? — Camila perguntou, sorrindo marota.
— Procurando vinho, por que?
Ela riu, mas não insistiu. Sabia que era inútil.
Noah, por outro lado, ficou parado.
Com os olhos em mim.
Me queimando.
Passei por ele com um sorrisinho no canto dos lábios.
Cruzei a pista e aceitei dançar com um cara que nem lembro o nome.
Mas eu sentia os olhos dele em mim.
Cada passo, cada riso que eu soltava só aumentava a tensão no ar.
Ele não aguentaria muito.
E eu sabia disso.
Cinco minutos depois, senti.
Sua mão na minha cintura.
Sua respiração atrás da minha nuca.
— Chega. Agora é comigo — ele sussurrou, firme, e me virou de frente pra ele.
Seus olhos ardiam.
Não era ciúme. Era fúria contida.
— Dança comigo — ele exigiu, e eu deixei.
Deixei porque queria ver até onde ele aguentava.
O DJ mudou a música.
O ritmo desacelerou.
E nossos corpos se colaram.
Mãos em mim.
Quadris se tocando.
Noah estava rígido.
Quente.
E descompassado.
E então ele falou, quase rosnando no meu ouvido:
— Olha o que você faz comigo, Elisa. Me deixa louco, e age como se não tivesse acontecido nada. Você tem noção?
— Tenho. E estou adorando cada segundo — sussurrei de volta, provocando.
Ele travou a mandíbula, e por um instante achei que fosse me beijar ali, no meio da pista. Mas ele se conteve.
Só que seus olhos diziam tudo.
E o jeito que suas mãos apertaram minha cintura... diziam mais ainda.
Eu podia controlar Noah.
E ele... estava começando a perceber isso.
Mas m*l sabia ele, o quanto isso também me enlouquecia.
O Controle é Meu
A música parou.
Mas a tensão entre nós…
Explodiu.
Noah me segurou pelo pulso, me puxando com força para o canto mais escuro da festa.
Não soltou minha cintura. Nossos corpos ainda colados, quentes, pulsando.
— Você não vai me deixar e******o no meio da pista — ele murmurou com a voz rouca, grave, carregada de desejo contido.
Arfei.
Aquela confissão crua me atravessou como um raio.
Mas eu estava pronta. Pela primeira vez, não era ele quem tinha o controle. Era eu.
Chegamos ao canto da sala, escondidos entre uma cortina e uma estante de livros. As luzes piscavam ao longe, abafadas. A batida da música seguinte vibrava ao fundo, mas era como se o mundo tivesse sumido.
Ele encostou de costas na parede e me olhou.
Olhou como se eu fosse a única coisa que ele enxergava.
Como se eu tivesse ferrado o juízo dele.
E então, com a confiança nas alturas, montei em seu colo.
Devagar.
Deliberadamente.
Noah ficou imóvel. Tenso. A respiração dele virou fumaça quente contra minha pele.
Eu rebolava de leve. Só o suficiente pra deixá-lo louco.
As mãos dele foram parar na minha cintura, desesperadas, tentando me conter.
— Elisa… — ele gemeu, apertando os olhos. — Você está brincando com fogo.
— Eu sou o fogo — sussurrei perto de sua boca, a um milímetro de distância.
E quando ele finalmente tentou me beijar…
Quando o desejo transbordava em seus olhos, implorando por mim…
Eu ri.
Um riso baixo, vitorioso, doce e c***l.
Desci do colo dele com elegância.
Virei as costas.
E o deixei ali.
Duro. Tonto. Ardendo.
A vingança mais deliciosa da minha vida.