Mole
O dia finalmente chegou ao fim, e eu m*l podia esperar para sair da empresa. Meu coração ainda estava agitado com a reunião mais cedo. A ideia de ter minha própria sala — bem ao lado de Mário — parecia surreal. Era um misto de orgulho e puro pavor.
Se trabalhar perto dele já era complicado, agora isso seria elevado a outro nível. Mas eu precisava manter a cabeça erguida. Se ele confiava em mim a esse ponto, eu não podia decepcioná-lo.
Depois de pegar o ônibus e andar por algumas ruas, cheguei ao meu bairro. As casas eram pequenas e todas parecidas, mas sempre gostei da minha.
Era simples e alugada, mas tinha um jardim na frente que eu mesma cuidava, e isso me dava uma sensação de conforto. Só que, antes mesmo de alcançar o portão, avistei Mariana, minha prima, com o cabelo preto ondulado solto uma blusa muito decotada como sempre e um jeans apertado para mostrar o máximo do seu corpo possível, segundo ela ela era a mulher padrão, a mais desejada, bom isso só estava na cabeça dela, ela tinha um metro e meio e p****s grandes que pra ela eram como troféus que precisavam ser vistos.
Ela estava encostada na porta da casa dela ao lado da minha com apenas um cerca de ferro separando as duas casas.
—Olha só quem chegou! --ela exclamou com um sorriso malicioso. —A poderosa secretária da Harris sabe lá do que...
Suspirei. Eu sabia onde aquilo ia dar, mas tentei ignorá-la. Caminhei em direção à minha porta, mas ela veio atrás de mim.
—E aí, Mole, como é limpar o chão da empresa? Aposto que nem sabem que você trabalha, né? como na escola, lembra? quando todos te esqueciam!? Finalmente alguém notou a sua presença lá? aposto que não.
—Boa noite pra você também, Mariana. -murmurei, forçando um sorriso enquanto destrancava o portão.
Mas é claro que ela não se deu por satisfeita.
—-Não sei pra quê você vive se gabando por esse emprego. Você vive com essa cara abatida, usando essas roupas que parecem feitas de cortina velha.Como tem coragem de trabalhar vestida assim? Ou melhor, como tem coragem de sair na rua assim…vai assustar todo mundo.
A paciência, que já era curta, começou a se esgotar. Respirei fundo e me virei para ela.
—Olha, Mariana, meu trabalho não depende de roupas ou de maquiagem. Depende da minha inteligência e das minhas habilidades, coisas que, felizmente, eu tenho de sobra, foi por isso que me deram a minha própria sala hoje! e sei que você é meio lenta então eu vou explicar, as secretarias não limpam o chão.
Ela deu uma risada alta e debochada.
—Inteligência e habilidades? Por favor, Mole. Não é à toa que te colocaram em uma sala ridícula. Aposto que foi pra te manter escondida, longe das visitas importantes. Vai ver que o seu chefe não quer que ninguém veja a secretária feia dele. Deve ser um vexame pra ele.
O sangue subiu à minha cabeça, e eu estava prestes a retrucar quando uma voz familiar interrompeu a conversa.
—-E você, Mariana, vai continuar o dia inteiro parada aí, sendo um peso morto pra sociedade, ou vai finalmente procurar um emprego?
Nicolas estava caminhando em nossa direção, os braços cruzados e o rosto sério. Ele vestia uma camisa de flanela surrada e calça jeans e seu grande óculos de grau que era bem parecido com o meu pra falar a verdade, o seu cabelo preto estava com o penteado de sempre, penteado pra trás com gel, mas seu tom era firme.
Mariana virou para ele, e a expressão dela era de puro desprezo.
—-Ah, o outro fracassado apareceu. E quem você pensa que é pra falar comigo, Nicolas? Você é um ninguém. Não tem estilo, não tem dinheiro, e todo mundo sabe que vai terminar a vida morando com a sua mãe.
Ele riu, mas era um riso frio.
—É, eu posso até não ter dinheiro, mas pelo menos não fico por aí zombando dos outros pra me sentir melhor. Talvez, se você colocasse tanta energia em arranjar um emprego, não estivesse aqui enchendo o saco da Mole, que pelo menos tem um futuro pela frente.
A boca de Mariana se abriu em choque, mas ela rapidamente se recuperou.
—Vocês dois são patéticos. -Ela disse, erguendo o nariz e apontando para mim. —Você acha que é alguma coisa porque vai trabalhar em uma salinha sem graça? Não se engane, Mole. Seu chefe vai te descartar assim que arrumar alguém melhor, e você Nicolas deveria voltar a fazer bolo com a sua mamãezinha aposto que sua coleção de gel de cabelo já deve ter acabado.
Com isso, ela girou nos calcanhares e entrou na casa dela, batendo a porta com força suficiente para que o som ecoasse pela rua.
Suspirei, sentindo a tensão sair do meu corpo. Mariana sempre soube como me irritar, mas hoje ela tinha ido longe demais.
-- Obrigada.-murmurei, abrindo o portão.