O Chefe infeliz

1600 Words
Mário O telefone vibrou no meu bolso pela quinta vez naquela tarde. Eu estava sentado no meu escritório espaçoso, com uma pilha de relatórios na mesa que eu lia sem nenhum entusiasmo. Quando vi o nome de Tom na tela, uma onda de curiosidade me fez atender imediatamente. — Tom! Às ordens, meu querido presidente. — brinquei, apoiando os pés na mesa. Do outro lado da linha, Tom riu. Era aquele riso descontraído, o tipo de som que vinha antes algo importante. — Não por muito tempo, Mário. Escuta só, eu vou falar de uma vez porque eu sei que você é ansioso. Eu decidi que vou me aposentar. Eu parei com os olhos arregalados. — O quê? — Minha voz quase engasgou. — Isso é sério, Tom? — Muito. Já estava pensando nisso faz tempo, eu perdi as primeiras vezes das gêmeas enquanto trabalhava, e também perdi algumas momentos quandos os meninos nasceram, não quero que aconteça o mesmo com a Amélia, e também a Ashley nunca reclama mas eu sei que ela ficou bem sobrecarregado com mas uma criança em casa e eu quero ficar ao lado dela, tô precisando passar mais tempo com a minha família. E, bem… eu sei quem é o cara perfeito para assumir o meu lugar. –É melhor que não seja o i****a do Daniel, eu odeio aquele cara, eu me demito se for ele… —Mario!! É você que vai ficar com a presidência, eu quero que você fique no meu lugar. Você é o meu braço direito irmão. A sala ficou em silêncio. Por um segundo, eu juro que ouvi o meu coração batendo fora do peito. Tom era o presidente da Harris Corporação, um gigante no setor de tecnologia. E agora, ele estava me entregando o cargo que milhares sonhavam. — Você tá falando sério? — perguntei, incrédulo. — Claro que estou. É seu, Mário. O cargo é todo seu. Eu me levantei da cadeira como se uma corrente elétrica tivesse passado pelo meu corpo. — Tom, você… você não vai se arrepender. Eu prometo. — O sorriso no meu rosto era imenso, como o de uma criança ganhando o maior presente de Natal da vida. — Sei que não vou, amigo. Depois de amanhã fazemos o anúncio oficial para os funcionários. Quando desliguei o telefone, uma risada escapou da minha boca. Eu não conseguia controlar a euforia. A Harris Corporação agora era minha. Minha! Eu, Mário Drummond, o novo presidente. Não demorou muito para eu pegar as chaves do carro e sair. Eu precisava contar para Marcela. Ela ia ficar feliz, eu tinha certeza. Quer dizer, era o tipo de coisa com que qualquer pessoa sonharia. Marcela e eu estávamos juntos a dois anos, eu a conheci em um coquetel onde vários amigos do mercado da moda estavam. Quando ela surgiu na multidão eu fiquei sem palavras, eu nunca tinha visto uma mulher tão linda na minha vida, ela tinha um cabelo longo e vermelho como cobre seus olhos eram penetrantes e sensuais e de longe já demonstrava que estava um nível acima de todos na festa, exceto por mim é claro. Ela percebeu o quanto eu era maravilhoso assim que o nosso olhar se cruzou, atração instantânea, os belos olhos verdes dela exploraram todo o meu corpo e no final da noite ela estava na minha cama. Eu nunca tinha pensado em me comprometer com ninguém antes da Marcela, mesmo eu tendo um fraco por modelos nenhuma conseguiu me fisgar por muito tempo. Mas a Marcela…ela conseguia ter tudo que eu desejava em uma mulher, o corpo sexy, o olhar sedutor. Nos sempre éramos sinceros um com o outro, ela era independente mas aceitava a minha ajuda o que eu adorava, e o sexo…meu deus o sexo era fenomenal, eu sempre fui otimo nisso, nunca deixei nenhuma mulher na mão, mas com a Marcela nos dois eramos profissionais com certeza isso era uma das coisas que eu mais gosto nela. Quando cheguei Marcela estava sentada no sofá da sala do meu apartamento caríssimo, ela parecia relativamente calma, olhei os vasos próximos a ela na mesa de centro e espalhados na decoração e pensei que seria um infortúnio ter que desviar deles quando ela arremessasse em mim. –Porque? você deve estar se perguntando… Bom toda mulher tem algum defeito, e o dela era ser um pouco cabeça quente, ela exagerava nos episódios de raiva, mas nada que eu não pudesse lidar…exceto por aquela vez em Aspen, correr pelado pelos corredores do hotel foi bem difícil, mas essa história é pra outra hora. Marcela estava espetacular como sempre vestindo um vestido justo vermelho e mexendo no celular, ela m*l desviou os olhos da tela quando me viu entrar. — Oi, Mário. Trouxe algo para comer? Eu nem dei bola. O sorriso no meu rosto era tão grande que eu não cabia em mim. — Amor, eu tenho uma notícia. Uma notícia incrível! — me aproximei dela, quase tropecei no tapete. — O quê? — Ela levantou o olhar preguiçoso. — Vai fazer alguma viagem de trabalho ou me forçar a ir a outro coquetel insuportável? — Não, eu nunca te forcei! Deixa pra lá isso não importa porque o Tom vai se aposentar. E ele me escolheu para ser o novo presidente da Harris! Eu vou comandar tudo. Esperei que ela saltasse do sofá, que me abraçasse, que comemorasse comigo. Mas não foi o que aconteceu. Marcela apenas suspirou e voltou a olhar para o celular. — Só isso? — Ela fez um biquinho de tédio. — Como assim, “só isso”? É o cargo dos meus sonhos, Marcela. Isso é enorme! Eu tô nessa empresa desde o início, isso significa muito pra mim. Ela largou o celular e cruzou os braços, olhando para mim como se eu fosse um criança. — E agora vai ter menos tempo ainda para mim, não é? Vai ficar preso naquela empresa o dia inteiro. Já não basta o quanto você me ignora? Minha euforia deu uma leve murchada. — Você deveria estar feliz por mim. Isso é um reconhecimento gigante.-Eu respirei fundo e lembrei das várias ligações dela durante as minhas reuniões, ela sabia os horários que eu poderia atender e quais eu estou ocupado mas sempre insistiu em me ligar no horário que ela queria para que eu provasse o quanto gostava dela, e se eu rejeitasse a ligação ela brigava comigo me acusando de ignorar ela e não dar valor a ela. —Marcela você está exagerando, não tem como você ficar feliz por mim?? Ela se levantou do sofá, apontando o dedo para mim. —Eu deveria estar feliz?Porque eu deveria ficar feliz, Mário? Eu estou cansada de ser a última coisa na sua lista. Toda vez que eu preciso de você, você está ocupado com reuniões ou clientes. — Eu trabalho para o nosso futuro! Não se lembra quando você me disse que eu precisava fazer mais dinheiro? —E agora você me culpa por isso!? Eu não disse que eu queria um futuro assim? Eu quero você agora, prestando atenção em mim. —Amor eu sempre presto atenção em você! Só que nem sempre eu posso parar todo o meu trabalho pra te fazer companhia ou para sair de viagem, você sabe o quando a empresa é importante pra mim. Ela pegou uma almofada do sofá e jogou no meu peito. — Pode dormir aqui. — E saiu, batendo a porta do quarto. Fiquei estático no meio da sala, segurando a almofada macia, fiquei aliviado de ser apenas uma almofada. Como aquilo tinha acontecido? Marcela era minha namorada a tanto tempo, e a gente vivia brigando, sempre por motivos bobos, no último ano eu percebi que brigar é como um hobbie pra ela. Alguns casais vão ao cinema ou praticam algum esporte mas ela prefere sempre começar uma briga, o formato da minha b***a já estava marcado no sofá de tanto que eu estava acostumado a dormir lá. Mas não naquela noite. Naquela noite, ela devia estar comemorando comigo. — É só uma fase, — murmurei para mim mesmo, me jogando no sofá com um suspiro. Eu não podia deixar isso me abalar. Ainda sentia meu coração pulsando de ansiedade pelo cargo. Meu Deus, eu era o presidente da Harris! Me revirei no sofá por horas, mas a euforia não me deixava dormir. Eu só pensava no que faria no meu primeiro dia como presidente. Como seria entrar naquela sala como o presidente,e qual seria o meu discurso de posse. De madrugada, tomei uma decisão. Ia fazer as pazes com Marcela logo cedo. Ela só precisava de um tempo. Quando o sol começou a nascer, levantei e fui até o quarto. Abri a porta com cuidado. — Marcela? Amor, podemos conversar? Nada. A cama estava vazia. Franzi o cenho e fui até o closet. Vazio. Olhei para o banheiro. Não havia sinal dela. Foi quando notei o bilhete amassado em cima do criado-mudo. “Cansei, Mário. Você é um i****a. Boa sorte com a empresa. Marcela.” Senti meu estômago afundar. Fiquei parado, segurando o bilhete. A adrenalina de horas atrás desapareceu, dando lugar a um vazio estranhamente familiar. —Ela vai voltar… não vai? -pensei. não era a primeira vez que ela fazia isso mandar uma mensagem de adeus e aparecer em frente ao meu apartamento na semana seguinte, mas dessa vez senti a raiva e a tristeza percorrendo todo o meu corpo. –Como ela pode ir assim? pensei, por que em um momento tão feliz pra mim ela decide me abandonar.
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