Alguns anos se passaram, mas nada em mim mudou de fato e foi assim que outro amor apareceu e entrou na minha vida, junto com o segundo Kim por quem me apaixonei — ao todo foram três — só que esse era um homem muito mimado. Ele gostava de tudo perfeito e sob o seu controle.
Ele fora meu professor da faculdade, a gente se envolveu praticamente no primeiro dia de aula, então eu nem sabia direito o que ele lecionava. Além disso, aquela havia sido uma noite um pouco confusa. Todos os alunos e professores do departamento de música fizeram uma pequena saudação aos novatos, que começou em um barzinho da esquina e para mim terminou na cama do Seokjin.
Ele era um homem muito bonito, tinha um ar inteligente e se vestia de forma elegante. Eu não sei porque eu acabei sendo aquele que chamou a sua atenção naquela noite. Eu me achava atraente, mas tinham tantos outros estudantes ali que eram até mais. Ainda assim, foi comigo que ele trocou olhares a noite inteira e que entre um drink e outro, foi levado para sua casa.
Eu já estava com 18 anos e não tinha ficado com ninguém depois que Namjoon e eu nos separamos de vez. Eu não estava com medo do amor, nem nada do tipo. Era apenas que na minha escola não tinha ninguém que me atraísse. Eu não me interessava pelos garotos da minha idade, eu tinha gosto pelos mais velhos. Eram suas expressões maduras que fazia meu coração estremecer e, depois de passar alguns dias chorando no ombro do Jungkook, — que ficou aborrecido ao descobrir que eu havia mentido para ele e me magoado tanto no processo — o garoto começou a ficar de olho em mim e sempre me buscava para dormir na sua casa quando aquele homem ia a minha, pois até nos tempos atuais, suas visitas continuam.
Jungkook sempre fora um amigo atencioso e fazia tudo o que podia para me proteger, até de mim mesmo, mas, infelizmente, eu nunca dava atenção aos seus conselhos e me jogava de cabeça nos meus amores imprudentes, para depois chorar no seu ombro toda a minha dor e Jungkook, carinhosamente, ainda afagava os meus cabelos e me consolava com palavras doces e seu cheiro embalava minha tristeza, acalmando meu coração machucado.
Jin, como eu o chamava quando a gente ficava só, foi um homem que me surpreendeu com suas manias. Ele se mostrava sempre impecável e começou a exigir isso de mim também. No início, eu não percebia como sua influência agia sobre mim, mas ele fazia de tudo para me mudar e moldar ao seu desejo.
Meus amigos passaram a comentar sobre o jeito diferente como eu andava agindo. Sempre que eu estava acompanhado por alguém, eu ficava olhando para os lados, sempre à espreita, como se temesse agir naturalmente. É que eles não sabiam que Jin me fazia uma expressão severa toda vez que me via ser íntimo demais de alguém que não fosse ele. Eu não queria aborrecê-lo, me sentia m*l quando era repreendido por ele e recebia um tratamento frio, como prova de que minhas ações tinham consequências, mas eu também não queria perder os meus amigos ou o conforto que sentia em agir livremente perto deles. Afinal, eu amava Seokjin, ele era meu amante e mesmo que eu abraçasse outras pessoas, isso não passava de uma troca de afeto comum.
Outra coisa que comentavam era sobre o jeito como eu me vestia agora e o quão ausente havia me tornado. Meu novo caso havia me transformado naquele tipo de pessoa que só podia sair com seu namorado no encalço. Então, eu passava dias na sua casa, na sua companhia, porque ele era um homem muito reservado e achava que eu devia ser também.
Eu deveria viver do jeito que ele vivia, comer o que ele dizia ser melhor pra mim e para o meu corpo, me vestir com as roupas que ele me presenteava, mesmo que elas não fossem do meu gosto, e me comportar como um estranho. Eu demorei a perceber que ele havia trancado o meu mundo, com o intuito de se tornar tudo o que eu tinha e, mais uma vez, eu permiti que as coisas tomassem aquele rumo, porque ele me dava a atenção que eu sentia falta desde o Namjoon e, de certo modo, ele era completamente diferente deste.
A forma como esse Kim cuidava de mim era quase paternal e eu, estranhamente, gostava disso e me apegava mais a ele. Jin cuidava de mim, me dava sermões, presentes, falava sobre seus planos para o meu futuro, sobre os meus amigos e as más influências que isso causaria na minha vida acadêmica. Ele também implicava se eu bebia muito e se eu fazia isso fora da sua vista e até mesmo se eu ia dormir muito tarde. Ele era tão disciplinado que chegava a me dispensar para que eu me dedicasse aos estudos em tempo de prova. Só no meu tempo livre que era diferente, pois ele o monopolizava todo para si.
A gente nem chegou a oficializar nosso namoro, mas ele gostava que eu estivesse sempre disponível a todos os seus caprichos e aos poucos ele foi me mostrando seu peculiar gosto s****l. Surpreendentemente, Jin que sempre se mostrava educado e meio elegante, na cama mostrava outra face. Ele era um pouco mais agressivo do que eu considerava excitante, mas continuava tão mandão, quanto no dia-a-dia. Afinal, nada estava bom para ele, se não estivesse em suas mãos.
Eu não entendia muito bem as coisas que o excitavam. Por exemplo, por mais que seu vocabulário diário fosse muito culto, na cama ele gostava de me humilhar com ofensas que me faziam sentir sujo. Eu podia sentir dentro de mim e no modo como suas ma~so se tornavam mais pesadas, como ele se empolgava ao me degradar, enquanto fodia meu corpo. Além de tudo, ele me punia por meros caprichos seus, não eram castigos excitantes, eram dolorosos e só davam satisfação a ele que os praticava.
Eu não lembrava tão bem da nossa primeira vez, por causa da bebedeira de boas-vindas, mas eu tinha certeza que não tínhamos feito daquele jeito, porque ele passou a deixar meu corpo coberto por marcas. Eu não sentia prazer em fazer daquele jeito, porém eu pensava nos outros pontos da nossa relação que me agradavam. Bem, eu nunca tinha me sentido satisfeito sexualmente de qualquer forma, então eu dizia a mim mesmo que eu podia aguentar um sexo incompatível só para receber seus mimos depois. Fosse o jeito como ele era atencioso comigo no dia-a-dia ou no pós-sexo. O depois era a única parte que eu gostava quando a gente transava — algo que fazíamos com frequência — pois Seokjin passava longos minutos abraçado comigo, beijando cada marca que me deixara, enquanto me fazia um cafuné gostoso e dizia que eu era precioso.
No entanto, de todas as suas exigências, teve uma que eu não pude aceitar.
De todas as coisas que ele tentou manter distante da minha vida, seu ciúme absurdo de tudo acabou chegando a única pessoa que não podia, Jeon Jungkook. Jin começou a desconfiar que entre nós dois havia algo a mais que a amizade e, quando eu ignorei seu pedido de me afastar de Jungkook, ele colocou em ação sua mania de me castigar com um tratamento frio.
Era insuportável ser tratado assim por quem amava e eu me sentia deprimido sem toda a atenção que ele costumava me dar, mas eu não poderia ceder a sua chantagem emocional. Sendo assim, o Yoongi passivo acabou e nossas brigas se tornaram constantes, já que Seokjin não suportava ser contrariado.
Mesmo assim, nem ele nem eu nos deixamos. Continuamos presos naquela birra de quem cederia primeiro, ele por orgulho e eu por dependência. Enquanto eu tentava lhe agradar de outras formas, para que ele esquecesse sua ideia maluca sobre Jungkook e eu, ele descarregava sua frustração no sexo agressivo que ele tanto curtia. Eu era seu brinquedinho, moldado perfeitamente para sua satisfação, só que naquela altura os carinhos ao qual eu me apegava, não existiam mais.
Eu não era mais divertido, não valia mais a pena ao seu ver e, por sorte, Jungkook ainda estava ao meu lado. Embora seus ombros tenham ficado secos dessa vez, já que por Seokjin eu não derramara uma lágrima sequer. Porque ele tentou tirar o que eu tinha de mais precioso, meu melhor amigo e por isso eu nunca ia sentir muito.
Desse jeito, pela segunda vez, eu amei e eu aceitei o amor controlador de Seokjin, porque era apenas seu jeito de me amar e eu achava que precisava daquilo.